CARTA ABERTA

>> 20080625

Caro Sr. José Fragoso,

Espero sinceramente que se digne responder a esta missiva, pois gostaria de poder contar com alguma “luz” sobre o que se terá passado com o documentário “ONDE O SOL NASCE”, emitido no passado dia 21, relativamente a:

· Optaram por adquirir e difundir a versão Portuguesa, de 50 min., a qual não inclui os poemas de Xanana - "Esperanças Rasgadas" do início do filme original, e “Avô Crocodilo” no final do documentário - certamente por razões economicistas, mas que prejudicaram bastante a qualidade e impacto do filme. Mas, enfim, até posso compreender e aceitar isso;

· Contudo, não posso aceitar que não tenha sido respeitada a autoria original da legendagem em português do documentário, e ‘reajustada’ a referência necessária da vossa parte às modificações feitas! Não teria isso sido mais justo e eticamente mais correcto?

Qual foi o ‘papel’ da Sra. Paula Fidalgo na tradução e legendagem do documentário, para aparecer o seu nome no lugar do nosso, usurpando o nosso trabalho? ...

Só conheço uma expressão para esta acção – plágio – e não o posso aceitar. Nem como pessoa directamente lesada, nem como cidadã dum país onde um Canal Público de Televisão, ao que parece, NÃO RESPEITOU A LEGENDAGEM ORIGINAL DO FILME, VIOLANDO DIREITOS DE AUTORIA BEM COMO DO CREDITADOR DAS MESMAS - A FOLIO EDIÇÕES.

· O trabalho de tradução e legendagem, da versão portuguesa do documentário, foi feito de forma absolutamente voluntária, em regime ”pro bonno”, em condições algo difíceis. Inicialmente, nem dispúnhamos do texto escrito em inglês, mas partimos para esta “aventura” com imensa paixão e dedicação.

E, a legendagem resultante, foi devidamente certificada pela Fólio Edições e “aplaudida”, quer nacional, quer internacionalmente, inclusive com o patrocínio directo da Sra. Kirsty Sword Gusmão;

· Devo ainda recordá-lo, uma vez que parece ter-se esquecido, que foi graças a mim que teve acesso a este documentário – veio um estafeta da RTP, directamente a minha casa, levantar o DVD, para o Sr. o visionar, e foi ainda por meu intermédio que posteriormente estabeleceu contacto com a Editora Lux Lucis, de Singapura, para aquisição do filme. Recorda-se?

Compreenderá certamente porque lhe faço estas perguntas. Se a questão Timor-Leste lhe é querida (não esquecerei facilmente a TSF, pela forma heróica como se comportou em Setembro de 99, e sei que o Sr. esteve “lá dentro”…), certamente perceberá também que estamos de alma e coração com a questão de Timor.

Se não fosse o esforço voluntário destes 3 “anónimos”, apaixonados por Timor, terem agarrado no filme e convencido a Lux Lucis a fazer uma versão portuguesa, arranjado os fundos necessários para a produzir e “fornecer” a legendagem portuguesa do documentário, sempre em contacto e com o aval do próprio Xanana Gusmão, certamente que a RTP não teria sequer tido acesso ao documentário para o poder passar! ...

Não pretendemos “lucrar” com a situação, nem fazer carreira como tradutores, mas temos “alergia” a injustiças e gostamos muito da expressão “o seu a seu dono”!!!

Apenas e somente, nos sentimos defraudados por, depois de todo o trabalho realizado, acabarmos por... não ver os nossos nomes mencionados.

Parece-me, claramente, tratar-se de um assunto para a ERC, a qual naturalmente, iremos informar, já que consideramos que a atitude da RTP não respeitou o nosso trabalho.

Impõe-se, assim, uma resposta sua, nem que seja para dizer que “as legendas originais não estavam ao sabor daquilo que a RTP gostaria”... mas, sinceramente, mesmo na minha ignorância, aquilo que se viu modificado no documentário não trouxe nada de relevante e mais positivo, bem pelo contrário!


De qualquer modo, e apesar de tudo, os nossos parabéns pelo facto de a RTP se ter dignado mostrar um documento da maior importância!

(Estamos a receber mail’s de várias pessoas a perguntar se voltam a passá-lo e quando. Endereço-lhe, a si, essa pergunta.

Temos recomendado a essas pessoas que contactem o Departamento de Programas da RTP.)

Com os meus melhores cumprimentos, e acreditando que tudo tem uma explicação, fico a aguardar uma resposta sua.


Helena Espadinha (signatária)

Telem. +351 966 025 775

Margarida Azevedo

António José Martins

P.S.: agradecia ‘aviso de recepção’ desta mensagem para evitar importunar desnecessariamente. Obrigada

7 comentários:

MDP,  quinta-feira, 26 de junho de 2008 às 00:37:00 WEST  

Que belo texto!
Quem escreve assim não é gago.

Força, não deixem de levar a vossa "luta" por diante!

Não deixem que esses 'todo-poderosos' façam o que lhe sapetece, achincalhem os outros e fiquem sempre impunes.

Se for preciso, a malta dá uma ajuda, espalha o assunto por todo o lado...

Não se calem, têm o sagrado direito à indignação e o sr. Fragoso não pode deixar de se retratar publicamente.

É o mínimo!...

MDP

Anónimo,  quinta-feira, 26 de junho de 2008 às 01:45:00 WEST  

Nao se esquecam de postar qualquer eventual resposta que possa vir do sr. Fragoso.
Estamos todos interessados em saber os porques.

Moriae quinta-feira, 26 de junho de 2008 às 11:41:00 WEST  

Caro anónimo,

ainda não obtivemos resposta.

Anónimo,  sexta-feira, 27 de junho de 2008 às 13:47:00 WEST  

Comparando com a versão lançada no festival de Jakarta em 2006, são apenas 30 miniutos a menos.

Nada de grave.

Moriae sexta-feira, 27 de junho de 2008 às 13:51:00 WEST  

Anónimo,

acredito que para muitas pessoas até seria preferível que o filme não tivesse passado ...

Não concordo consigo porque há cortes que foram, quanto a mim, muito mal pensados ...

Cumps,
M.

Anónimo,  sexta-feira, 27 de junho de 2008 às 15:54:00 WEST  

Um corte de 30 minutos nao e\' \"nada de grave\"??

As vezes basta cortar uma cena para mudar o impacto de um filme.

Anónimo,  sexta-feira, 1 de agosto de 2008 às 13:40:00 WEST  

Muito bem dito. Não deixa de ser mais um reflexo dos poucos escrupulos da RTP, também muito bem reflectidos pelos seus funcionários em Timor. Os jornalistas pouco ou nada fazem e o assessor, que segundo se consta por aí terá usado de forma indevida dinheiros públicos e prestado declarações falsas, continua a passear-se em Dili como se nada fosse. Protegem-se uns aos outros, e a administração tapa os olhos. Uma vergonha, principalmente tratando-se de uma empresa pública.

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