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GNR vai continuar a apoiar formação da polícia timorense - Xanana Gusmão

>> 20121031

 

Díli, 30 out (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse hoje à agência Lusa que a Guarda Nacional Republicana vai continuar a apoiar a formação da polícia timorense.

A cooperação vai continuar "em consequência de um acordo que fiz com o ministro da Administração Interna", Miguel Macedo, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro timorense falava no final da última cerimónia de imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT (Missão Integrada da ONU em Timor-Leste) aos militares da GNR destacados naquele país, no âmbito da missão de manutenção da paz da ONU.

"Assinei o acordo para que em termos bilaterais nós prossigamos com a assistência da GNR na formação dos nossos polícias", disse Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro esclareceu também que agora vai começar a ser preparada a forma de cooperação, nomeadamente o número de elementos da GNR necessários para as várias áreas, ainda não definidas, em que Timor-Leste vai precisar de apoio.

"Isto foi pensado porque já estávamos a planear a saída da ONU", acrescentou o primeiro-ministro timorense.

As autoridades timorenses anunciaram em setembro que, após o final do mandato da UNMIT, a 31 de dezembro, não querem "nem missões políticas, nem de paz".

"Gostaríamos de estabelecer com as Nações Unidas umas relações inovadoras de cooperação", afirmou na altura o primeiro-ministro timorense.

Os 140 elementos da GNR destacados em Timor-Leste no âmbito da UNMIT regressam a Portugal a 12 de novembro e cessam a atividade operacional quarta-feira, quando a ONU certificar a Polícia Nacional do país (PNTL) como força de segurança.


MSE // HB

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Último contingente da GNR em Timor-Leste regressa a 12 de novembro

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (© D)

 O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (D) condecora os militares da GNR destacados em Timor-Leste que cessam atividade operacional quarta-feira e regressam a 12 de novembro a Portugal, durante a cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT, no Palácio do Governador, em Díli, Timor-Leste, 30 DE OUTUBRO DE 2012. ANTONIO AMARAL / LUSA

Díli, 30 out (Lusa) - Os militares da Guarda Nacional Republicana destacados em Timor-Leste no âmbito da Missão Integrada da ONU (UNMIT) terminam quarta-feira a atividade operacional e regressam a Portugal a 12 de novembro.

"Oficialmente, a informação que temos é que a partida é no dia 12 de novembro. Por razões diversas as Nações Unidas iniciaram a sua retirada mais cedo e portanto acabou por ser apresentada a data de 12 de novembro como data de regresso", afirmou hoje à agência Lusa o comandante do sub-agrupamento Bravo da GNR, capitão Jorge Barradas.

Jorge Barradas falava à Lusa no final da última cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT a militares da GNR.

A UNMIT termina o mandato no final deste ano.

Na quarta-feira, os militares da GNR cessam também a atividade operacional, numa cerimónia a realizar no Palácio do Governo durante a qual a ONU, através da UNMIT, certifica a Polícia Nacional de Timor-Leste como força de segurança.

"Amanhã (quarta-feira) tecnicamente termina a atividade operacional e iniciamos depois um conjunto de procedimentos administrativos para que grande parte do nosso material possa regressar a Portugal", acrescentou o capitão português.

A GNR tem destacado no país 140 militares e mais três elementos da equipa médica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

A Medalha da Solidariedade de Timor-Leste tem por objetivo agraciar militares, polícias e civis que através das suas ações tenham contribuído para a paz e estabilidade no país.

Participaram na cerimónia o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, Longuinhos Monteiro, o representante do secretário-geral da ONU, Finn Reske-Nielsen, o comandante da Polícia da ONU, Luís Carrilho, bem como outras autoridades timorenses e representantes do corpo diplomático.

A presença da GNR em Timor-Leste teve início em março de 2000 com um contingente integrado na Administração Transitória das Nações Unidas (UNTAET).

MSE // HB

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CERIMÓNIAS OFICIAIS DO FIM DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DAS ISF E DA UNPOL em TIMOR-LESTE

http://db2.stb.s-msn.com/i/D1/4289E371D9F497F0F926A68C13FF_h299_w430_m2_q80_ckodmcVLR.jpg

ALOCUÇÃO
DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO
KAY RALA XANANA GUSMÃO

POR OCASIÃO DAS CERIMÓNIAS OFICIAIS DO FIM DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DAS ISF E DA UNPOL
31 de Outubro de 2012
Palácio do Governo
Díli

Exmo. Senhor Presidente da República,
Exmo. Senhor Presidente do Parlamento Nacional,
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Recurso,
Exma. Senhora Procuradora-Geral da República,
Exmo. Senhor Representante Especial Interino do Secretário-Geral da ONU,
Exmo. Senhor Comandante da UNPOL,
Exmo. Senhor Comandante das ISF,
Exmos. Senhores Membros do Parlamento Nacional,
Exmos. Senhores Membros do Governo,
Exmo. Senhor Chefe do Estado-Maior General das F-FDTL,
Exmo. Senhor Comandante-Geral da PNTL,
Exmos. Senhores Representantes do Corpo Diplomático acreditado em Díli,
Distintos Convidados,

A construção de um Estado, particularmente quando iniciada após um conflito, como consequência de uma longa luta pela libertação, é um processo que não poderia obviamente estar isento de erros, já que também, em nenhuma parte do mundo, se pode exigir que processos assim se concluam em curto espaço de tempo.

Assim, esta primeira década de soberania não nos trouxe apenas alegrias, porque fomos confrontados com dificuldades próprias de quem dá os primeiros passos na tarefa de condução dos destinos de uma jovem Nação.

Todos sabíamos que um dos mais exigentes desafios seria, por um lado, o de transformar uma força de guerrilha numas Forças Armadas modernas e profissionais, e, por outro, o de estabelecer de raiz uma Polícia capaz de, por si só, garantir a segurança interna e a tranquilidade das populações.

A modos de uma retrospecção necessária, temos de reconhecer que houve falhas fundamentais, nomeadamente ao nível da formação básica dos polícias que então ingressaram na PNTL. Este facto contribuiu, em grande escala, para que esta instituição crescesse com grandes deficiências, tendo-se provado incapaz de assegurar a ordem pública, quando, em 2006, mais se lhe estava a ser exigido, tornando-se quase inoperacional.

As próprias F-FDTL, por problemas que se geraram no seu seio, viram sair das suas fileiras quase um terço do seu efectivo, envolvendo-se, posteriormente, muitos deles em acções de desafio à autoridade do Estado, criando-se assim uma situação de grave conflito, principalmente em Dili e que se estendeu a todo o País.

Reconhecendo a incapacidade momentânea de, por meios próprios, restabelecermos a ordem pública, e estando em causa a sobrevivência do Estado de direito democrático e independente, vimo-nos, naquele ano, na contingência de recorrer ao auxílio externo, decisão partilhada pelos órgãos de Soberania.

Foram extremamente valiosas a solidariedade e prontidão de quatro países amigos, a Austrália, a Nova Zelândia, a Malásia e Portugal, que não hesitaram em enviar, para cá, as suas forças militares e de segurança, as quais, progressivamente, foram ajudando no retorno à normalidade.

Entretanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas também respondeu ao nosso apelo e prontificou-se pelo envio de uma missão detentora da responsabilidade executiva pela segurança interna do País, passando a UNPOL a assumir essa tarefa.

Durante estes últimos seis anos, o Estado timorense não pôde exercer a sua competência exclusiva pela segurança das pessoas e dos seus bens. Contudo, deve-se reconhecer que foi necessário assim, para se permitir a correcção dos erros do passado, particularmente no que toca a uma formação mais adequada a diversas unidades da PNTL, principalmente às vocacionadas para lidarem com situações de criminalidade mais complexas.

Ao mesmo tempo, e num trabalho conjunto com a UNPOL, fez-se uma profunda remodelação na PNTL, permitindo-se clarificar situações e proceder a saneamentos necessários, melhorando assim gradualmente a imagem da Instituição.

Foi, com persistência e determinação, que se conseguiu resolver as situações provocadas pela crise, que ameaçavam a estabilidade e o bem-estar das populações, nomeadamente a questão dos peticionários e o problema dos deslocados.

Em 2008, na sequência dos atentados perpetrados contra titulares de órgãos de soberania, a Operação Halibur foi a oportunidade para se evidenciar a aptidão dos militares e polícias em trabalharem em estreita coordenação e cooperação, sempre que são orientados a atingir um objectivo comum. Desde que aquela acção conjunta obteve um sucesso significativo, em termos de paz, estabilidade e segurança no país, não havia maior razão para que as Forças de Defesa e de Segurança não se esforçassem a assumir, com maior consciência, as suas respectivas missões.

Foi-se dando início, nos diversos distritos do País, ao processo gradual de transferência das operações policiais para a responsabilidade da PNTL, culminando, em 27 de Março de 2011, com a entrega do Comando-Geral.

Fomos observando, com satisfação, que, progressivamente e com firmeza, as Forças de Defesa e Segurança foram provando estarem já capacitadas para garantirem a segurança interna e a defesa das populações, embora tenhamos continuado a contar com o apoio generoso das ISF e da UNPOL.

Tendo as F-FDTL e a PNTL provado estarem aptas a cumprir, com profissionalismo e competência, as obrigações que constitucionalmente lhes estão atribuídas, a situação de apoio externo não poderia, obviamente, perdurar no tempo. Assim, com o envolvimento de todos, acordámos que, no final deste ano, as Nações Unidas cessariam definitivamente a sua missão em Timor-Leste e as ISF retirariam as suas tropas de solo timorense.

O dia de hoje constitui, assim, um marco capital para a História, recente mas gloriosa, da nossa Pátria. É um motivo de júbilo e de orgulho para todos os timorenses, não porque os polícias e militares que generosamente se prontificaram em vir para nos ajudarem, vão deixar Timor-Leste. É, antes, um motivo de regozijo porque, com essa mesma ajuda, conseguimos corrigir os nossos erros e melhorar as nossas capacidades técnicas e profissionais.

Precisamente por isso nos juntamos, aqui e agora, nesta cerimónia que visa, sobretudo, reconhecer o papel meritório que a UNPOL e as ISF desempenharam em Timor-Leste, em prol de uma sociedade mais segura e mais justa. A condecoração com a Ordem de Timor-Leste, que as duas instituições acabaram de receber, representa o nosso genuíno agradecimento a todos quantos, ao longo destes últimos seis anos, serviram a UNPOL e as ISF, servindo também, dessa forma, Timor-Leste e o seu Povo.

Aos Comandantes da UNPOL e das ISF o meu muito obrigado, em meu nome e no do Governo que chefio, e muitos parabéns por todo o trabalho a que aqui se dedicaram. Às Nações Unidas, na pessoa do Representante Especial do seu Secretário-Geral, e aos Governos da Austrália e da Nova Zelândia, uma palavra de reconhecimento por terem permitido ser possível a assistência que agora termina.

Sabemos que novos desafios nos esperam. Reconstruídas as forças de segurança, urge agora direccionarmos todo o esforço para a formação dos seus membros, garantindo-se, assim, que o passado recente nunca mais se repita e que a Polícia esteja sempre à altura das suas responsabilidades.

A cooperação futura com forças policiais de países amigos, com cujo modelo de polícia a PNTL se identifica, será executada no âmbito bilateral, assim como sucede com relação à cooperação militar.

A todos os polícias e militares internacionais, as maiores felicidades no futuro que vos espera, em cada um dos vossos países, e bom regresso a casa.

Muito obrigado.


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Coligação de três partidos irá formar o Governo de Timor-Leste

>> 20120725


Foto: google search

O Presidente Taur Matan Ruak informou, esta segunda-feira, 23 de Julho, que uma coligação de três partidos irá formar o novo Governo de Timor-Leste.
O anúncio foi dado aos líderes dos três partidos, CNRT, PD e Frenti Mudança, numa reunião que decorreu ontem no Palácio Presidencial.

O líder do Partido Democrático (PD), Fernando Lasama de Araújo, disse que os três partidos ainda têm que discutir se a FRETILIN poderá vir a estar envolvida no novo Governo.

O Primeiro-ministro e Presidente do CNRT, Xanana Gusmão, disse que a estrutura do novo Governo vai ser debatida pela coligação antes de ser apresentada ao Presidente.

A conferência nacional do CNRT decidiu, na semana passada, convidar os dois menores partidos para se juntarem ao novo Governo.

A violência irrompeu em Díli e Vikeke, quando conhecida a decisão de excluir a FRETILIN. Os apoiantes do partido revoltaram-se com comentários feitos na conferência. A Polícia Nacional e as F-FDTL tiveram que intervir.

Líderes da FRETILIN têm apelado aos adeptos para contribuírem para a estabilidade e pediram aos dirigentes do CNRT para se desculparem dos seus comentários.

Representantes da FRETILIN tiveram um encontro com Xanana Gusmão para discutirem a estabilidade mas a FRETILIN não assinou qualquer acordo com as três partes, segundo uma fonte do partido.

«Os quatro partidos assinaram um acordo político, mas não o debatemos ainda. Depois de o termos feito, vamos apresentá-lo ao Presidente da República», disse Xanana Gusmão.

O Primeiro-ministro falou aos jornalistas após um encontro com o Presidente, esta segunda-feira, 23 de Julho, em Díli, para discutir a formação do novo Governo. Xanana Gusmão informou o presidente de que os três partidos estavam prontos para formar o novo Executivo.

Os ministros ou secretários de Estado que participaram do actual Governo e que tenham falhado nos seus papéis, não serão reeleitos. Segundo Xanana Gusmão, os membros do novo gabinete ainda não foram confirmados.


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Partido de Xanana Gusmão reunido para discutir cenários de governação

>> 20120711


O Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido de Xanana Gusmão, que venceu sem maioria absoluta as eleições legislativas de sábado no país, disse hoje que a sua formação continua reunida a discutir cenários de governação.

Segundo os resultados distritais provisórios divulgados domingo pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) timorense, o CNRT obteve 30 dos 65 lugares do parlamento timorense, não conseguido a maioria absoluta desejada para governar.
"Continuamos a discutir", disse hoje à agência Lusa o secretário-geral do CNRT, Dionísio Babo.
Na segunda-feira, Dionísio Babo explicou que o partido iria em primeiro lugar discutir possíveis cenários e só depois contactar os partidos políticos para uma eventual coligação.
À primeira vista uma eventual coligação poderá ocorrer com o Partido Democrático (PD), de Fernando La Sama de Araújo, que faz parte do atual executivo de Aliança de Maioria Parlamentar, liderado por Xanana Gusmão, que governou o país nos últimos cinco anos.
Nas legislativas de sábado, o PD conseguiu eleger oito deputados e já admitiu que poderá fazer uma coligação com o CNRT.
Contactado hoje pela Lusa, António da Conceição, secretário do Conselho Político Nacional do PD, disse que o partido mantém a posição de "andar" com o CNRT, mas que ainda não houve contactos formais entre os dois partidos.
A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), do antigo chefe de Governo Mari Alkatiri, e que conseguiu 25 assentos parlamentares, também já disse estar disponível para contribuir para uma aliança programática.
Na segunda-feira, Mari Alkatiri disse que a Fretilin está pronta para contribuir para uma governação de aliança que seja credível.
"Tão cedo não haverá novidades. Isto não dá para tratar de um dia para o outro", disse hoje Mari Alkatiri.
A Frente Mudança, do vice-primeiro-ministro José Luís Guterres, partido nascido de uma cisão da Fretilin, foi o último que conseguiu representação parlamentar nas legislativas de sábado, elegendo dois lugares no hemiciclo.
A Comissão Nacional de Eleições iniciou hoje o apuramento nacional dos resultados das eleições, tendo até sexta-feira para os remeter para o Tribunal de Recurso.
O Tribunal de Recurso terá depois também um prazo de 72 horas para se pronunciar sobre os resultados.
Só depois de anunciados os resultados oficiais pelo Tribunal de Recurso e publicados no Jornal da República é que o Presidente de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, deverá convocar os partidos para encontros e pedir ao partido mais votado ou à aliança de partidos com maioria parlamentar para formar governo.
A Constituição de Timor-Leste não define prazo para a tomada de posse dos membros do Governo, mas o mandato do executivo termina a 08 de agosto, precisamente cinco anos depois da sua posse.
Depois de divulgados os resultados em Diário da República, o parlamento tem 15 dias para dar posse aos novos deputados.
MSE.
Lusa/Fim
@ Agência Lusa

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Dinheiro do petróleo é para investir no povo e diversificar economia - PM Xanana Gusmão

>> 20120624
















Xanana Gusmão, líder do Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido maioritário no atual Governo de coligação, durante uma ação de campanha para as eleições legislativas de 07 de julho, em Díli, Timor-Leste, 22 de junho de 2012. Xanana Gusmão recandidata-se ao segundo mandato de primeiro-ministro. ANTONIO AMARAL / LUSA

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse em entrevista à agência Lusa que o dinheiro do petróleo deve ser investido no povo para diversificar a economia e minimizar a dependência daquele recurso.
"Agora não o podemos evitar e ninguém me pode dizer que não devemos. Hoje devemos. O povo sofreu para defender esta riqueza. Se somos ricos e temos esse dinheiro, esse dinheiro deve ser investido no povo", afirmou Xanana Gusmão.
O atual primeiro-ministro, que se recandidata ao cargo nas legislativas de 07 de julho, é líder do Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido maioritário no atual Governo de coligação.
"Claro que temos de preservar (o fundo petrolífero), mas a política de diversificação vai garantir que o fundo vai permanecer. É nisto tudo que joga a nossa estratégia de dar um passo em frente para o desenvolvimento do país", acrescentou.
O Fundo Petrolífero de Timor-Leste tinha em abril passado o valor de cerca de 10 mil milhões de dólares (7,9 mil milhões de euros).
O Governo de Xanana Gusmão tem sido criticado por estar a construir uma economia dependente do dinheiro do petróleo.
"Quando falamos da dependência do petróleo é mais na orçamentação ainda não falamos da economia, porque ainda nem sequer é emergente ou embrionária", disse o primeiro-ministro timorense.
Para Xanana Gusmão, as questões às vezes são "mal colocadas", admitindo porém que há essencialmente uma dependência do dinheiro proveniente do petróleo para a construção de infraestruturas.
"Depois, passado isso (a construção de infraestruturas), eles (população) têm de começar a aproveitar essas oportunidades em todas as áreas da economia. Aqui é que já não vamos necessitar tanto do fundo do petróleo para sustentar os nossos orçamentos", afirmou, salientando que há outros recursos naturais em Timor-Leste.
Questionado pela Lusa sobre a forma de criar uma economia não dependente do fundo petrolífero, o primeiro-ministro explicou que passa por estabelecer bancos de desenvolvimento em todos os distritos do país.
"O que é necessário é estabelecer o banco de desenvolvimento em todos os distritos (...) Nós não pretendemos criar bancos para engradecer ou enriquecer os bancos. Nos primeiros anos queremos criar bancos para ajudar a incentivar as pequenas, médias e grandes empresas", explicou.
Segundo Xanana Gusmão, é preciso fixar uma política de concessão de créditos que não seja para enriquecer os bancos.
"Nós temos dinheiro. A gestão do dinheiro de forma diversificada vai gerar mais dinheiro. Isso chega. O dinheiro que vamos dar é fundamental para virarmos esta dependência do petróleo", disse.
Às eleições de 07 de julho concorrem 21 partidos e coligações, que vão disputar os 65 lugares no parlamento timorense. A campanha termina a 04 de julho.

MSE.
Lusa/Fim
22 de Junho de 2012, 17:46

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Próximos cinco anos são para construir infraestruturas, diz o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão

>> 20120622


                               

 Xanana-Gusmão, primeiro-ministro de Timor-Leste

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, que se recandidata ao cargo nas legislativas de 7 de julho, disse em entrevista  à agência Lusa que o próximo mandato servirá para a construção de estradas,  ponte, portos e aeroportos. 


"O mandato que vem a seguir, se assegurarmos a vitória, vai ser de estradas,  pontes, portos e aeroportos", afirmou Xanana Gusmão. 
Segundo o primeiro-ministro timorense, presidente do Conselho Nacional  da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), que lidera a coligação governamental  no poder nos últimos cinco anos, o programa do partido vai continuar a apostar  no setor agropecuário e na industrialização da pesca e pecuária e no turismo.
Outro destaque no programa de governo do CNRT para os próximos cinco  anos é o Projeto Tasi Mane. 
"Ai somos inabaláveis", afirmou Xanana Gusmão. 
O Projeto Tasi Mane tem como principal objetivo desenvolver a costa  sul do país através da indústria petrolífera e inclui a construção de três  grupos industriais, que serão a espinha dorsal daquele setor empresarial  do país. 
Tasi Mane inclui a base de fornecimento do Suai, a refinaria de Betano  e um grupo de indústria petroquímica. 
Para concretizar o projeto, as autoridades timorenses precisam de chegar  a acordo com a empresa petrolífera australiana sobre a construção de um  gasoduto do Greater Sunrise para a costa sul timorense. 
A exploração do campo de gás Greater Sunrise, situado no Mar de Timor,  divide a petrolífera australiana Woodside e as autoridades de Timor-Leste.
Enquanto a empresa australiana defende a exploração numa plataforma  flutuante, Timor-Leste insiste em ter um gasoduto e uma fábrica de processamento  de gás natural na costa sul do país, com o objetivo de criar postos de trabalho  e desenvolver aquela região. 
"Não exigimos pressa para não tomarmos decisões de que depois nos viríamos  a arrepender. Queremos sentar-nos à mesa com os dados e não sentar-nos à  mesa apenas com a intenção e o desejo de trazermos o 'pipeline' para aqui.  Queremos sentar-nos na mesa com os dados concretos, cientificamente elaborados  de que isso se pode fazer", explicou Xanana Gusmão, em declarações anteriores  à agência Lusa. 
Numa mensagem para o dia 7 de julho, o primeiro-ministro disse que  a democracia pede consciência na escolha e uma cultura de paz e entendimento.


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Simão Barreto: “Enquanto Mari Alkatiri dirigir a Fretilin, esta não ganhará”

>> 20120618


A música antes da política ou em pé de igualdade?
Como cidadão, evidentemente que sou político, isso é inerente à própria condição da pessoa. Mas acontece que sou músico, a minha vida é preenchida de música e para a música.

Aceitaria acumular a música ao exercício de um cargo político? Candidatar-se a deputado, por exemplo.
Se for convidado e perfilhar ideias que defendo, sou capaz de aceitar.

Como observa a actualidade política timorense em vésperas de eleições?
Logo a seguir à independência, não houve verdadeiramente eleições para o parlamento, porque o então representante máximo das Nações Unidas, Sérgio Vieira de Melo, decidiu, parece que para poupar dinheiro, aproveitar as eleições para a Assembleia Constituinte e do resultado delas erguer-se a Assembleia da República. Até certo ponto justificou-se, terá sido confortável, mas também até certo ponto foi, politicamente, uma decisão errada.

E a seguir, nas presidenciais, o eleitorado votou Xanana Gusmão…
Certo. Mas insisto, deviam ter promovido eleições legislativas e não fizeram. Se tivessem criado essas eleições, deixando os cidadãos elegerem os parlamentares, a Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) não teria ganho com maioria absoluta e Mari Alkatiri talvez não fosse chefe do governo. Para a Constituinte, o povo votou maioritariamente na Fretilin, ainda a pensar no fantasma da Indonésia. Nada prova que, para as legislativas, o sentido de voto fosse exactamente o mesmo.

A Fretilin, nas eleições de 2007, foi novamente vencedora.
Ganhou, mas não com maioria absoluta! Para formar governo andou a tentar fazer coligações, só que nenhum partido aceitou coligar-se com a Fretilin. Foi quando Xanana Gusmão criou o CNRT (Conselho Nacional da Reconstrução de Timor), juntou uns partidos e lá se fez uma maioria parlamentar para que a Fretilin conseguisse governar.

Têm-se entendido?
Fizeram um esforço para isso. Mas já todos sabemos que a Fretilin, embora sendo um partido grande, não tem a força e a influência que alguns supunham, até pela razão de se ter vindo a fragmentar, dando origem a vários partidos. Por exemplo, grande parte da juventude, sector da sociedade que maioritariamente apoiava a Resistência e a Fretilin, foi para o PD (Partido Democrático), dirigido por La Sama. Sem esquecer que outra significativa dissidência é a Fretilin Mudança, que não aceita a linha dura imposta por Mari Alkatiri. Fretilin Mudança que se coligou com Xanana e o CNRT.

Nota algum desgaste nos partidos ou alguma carência de pedagogia política, por parte de políticos e cidadãos?
Tentam exercer pedagogia, mas não é fácil. Veja-se em Portugal e na Europa, que pedagogia política existe?

O que diz do panorama político em Timor-Leste a poucos dias das eleições?
Chegados a este tempo, o panorama mudou bastante. Por exemplo, os partidos que fizeram parte da chamada maioria parlamentar que tem governado já não possuem tanta influência no eleitorado. O novo cenário, com forças políticas novas que se formaram e estão a formar-se, irá agora ter uma palavra decisiva, nestas eleições que se avizinham.

Qual é a novidade político-partidária em Timor?
Sem dúvida, a coligação das formações políticas lideradas pelo antigo presidente Ramos Horta, pelo PD, dirigido pelo presidente da Assembleia da República, Fernando La Sama, e pelo PNT (Partido Nacionalista Timorense), de Abílio Araújo. Esta frente política eleitoral será ainda mais reforçada com outros partido políticos, como se espera. A Fretilin, a da linha dura, também queria coligar-se, mas não foi aceite, pois como condição impunha Alkatiri para primeiro-ministro, no caso de vitória eleitoral. Isso não foi aceite.

Qual a figura indicada por esta nova coligação para o cargo de primeiro-ministro?
Naturalmente que Ramos Horta!

Pelo que diz, parece que a Fretilin, perdeu um pouco da sua imagem de indiscutível, por força da sua estreita ligação à Resistência.
Sobre isso, repito o que tenho ouvido a muitas pessoas, inclusivamente a militantes desse partido: enquanto Mari Alkatiri estiver à frente da Fretilin, esta força não ganhará a maioria absoluta. No fundo, quem está prejudicando a Fretilin é ele. No dia em que Alkatiri sair da Fretilin, o partido sairá beneficiado.

Nas eleições de 7 de Julho os timorenses fora do país continuam a não poder votar?
Sim, infelizmente. Dizem que é tudo uma questão técnica, segundo o actual ministro dos Negócios Estrangeiros. Não somos muitos, mas temos direito a fazer ouvir a nossa vontade através do voto. Se em Portugal, por exemplo, somos mil ou 2 mil, na Austrália somos 40 mil. No meu entender é falta de eficiência. Espero bem que não seja intencional esta lacuna inconcebível que se arrasta no tempo e que os timorenses da diáspora não gostam nada. Não devo dizer que é intencional esta falha grave. Mas digo que esta morosidade, este horrível atraso, é imperdoável.

Algumas notícias dão conta de uma aparente fragilidade no actual governo. A ministra da Justiça anda a contas com a própria Justiça… Está turvo o ambiente no governo?
Não está turvo, a situação é clara: quem ganhará as eleições é quem irá governar. Os tribunais e a Justiça é que condenam os que prevaricam, eu não posso dizer nada, desconheço pormenores.

O Fundo do petróleo, qual a situação?
Está depositado na América, destinado a um fundo de investimento.

Será intocável?
Por 20 anos, sim. Faltam 10.

O povo timorense já sentiu alguns frutos oriundos da exploração petrolífera?
Já, sim, felizmente está a sentir. Houve quem, sucessivos governos, pretendesse mexer nesse Fundo, directa ou indirectamente. O que lá está, pertence ao Estado timorense. Quando legalmente tiver de ser tocado, deverá ser sempre em favor do povo, do país.

Como vê o papel da igreja católica?
A igreja católica fez o seu papel durante a resistência. Actualmente, faz um esforço por não se imiscuir na política.

Mas mantém bastante influência junto das populações?
Sim, mas as populações também já aprenderam como devem comportar-se perante as eleições e a política na generalidade. Podem não saber ler nem escrever, mas as pessoas sabem bem o que querem.

A propósito, ciclicamente tem-se conhecimento de polémicas sobre a propagação da língua portuguesa em Timor-Leste, a forma da sua utilização…
A língua portuguesa é também língua oficial, juntamente com o tétum. Alguns dizem que com a utilização da língua portuguesa há coisas que não funcionam. Não é bem assim, e as que não funcionam um dia destes vão funcionar, para tudo há uma questão de tempo. O que nós não queremos é abdicar do português, nem do tétum, em favor do inglês ou do bahasa indonésio que nada tem a ver connosco. Certas personalidades é que queriam impor coisas anti-naturais.

Existem factores que contrariam a perfeita evolução do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste?
Existem, pois. Desde logo a televisão indonésia, que entra fortemente pelo nosso país. Evidentemente que há casos de necessidade de falar bahasa indonésio, é um dos meus materiais de trabalho, como será o de muitas pessoas. As crianças, não. No entanto, muitas crianças andam falando mais o bahasa e o inglês do que outras línguas, do que português.

O que diz sobre a aceitação dos professores portugueses em Timor?
Evidentemente que são bem aceites, porque os portugueses são sempre bem aceites. Eu sou timorense e português, tenho os dois passaportes com muito orgulho. Conheço muito bem e gosto muito dos portugueses, mas de muitos daqueles professores não gosto da maneira como resolvem viver em Timor-Leste. Isolam-se, vivem num gueto, somente entre eles, não se misturam com o povo, ficam longe da realidade autêntica do país onde trabalham. Muito daquele povo timorense fala português e quer aprender a falar cada vez mais. E essa gente que ensina língua portuguesa deve também aprender a falar tétum, até porque é uma língua oficial.

As relação institucionais e afectivas entre Timor-Leste e Portugal permanecem em alta?
São óptimas. Não esquecemos que o povo português sempre foi muito amigo do povo timorense.

Sendo um timorense de gema, mas também um português autêntico, o seu coração divide-se por duas pátrias?
No meu coração cabe tudo. Os meus dois passaportes viajam sempre comigo. E sou do maior clube do mundo que é o Benfica!

Metendo música na política. A 30 de Maio, em Pequim, o maestro esteve presente, dirigindo um concerto de celebração do 10º Aniversário da Restauração da Independência de Timor-Leste. Como foi?
Momentos inesquecíveis! Fui convidado pela Embaixada de Timor-Leste em Pequim, através da nossa embaixadora Vicky Tchong. Esteve presente o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias Costa. Dirigi o Quarteto Lafaek, que significa Crocodilo e tem a ver com o nosso símbolo, uma antiga lenda. Juntamente com a célebre soprano chinesa Xia Yu, interpretámos peças de minha autoria, temas tradicionais timorenses e de autoria de Xian Xing Hai. Destaco que foram cantados poemas em português, de Miguel Torga, Ricardo Reis e do poeta e prosador natural de Díli Fernando Sylvan. Foi uma cerimónia lindíssima e muito emocionante, de homenagem a Timor-Leste, e também de homenagem a Portugal, pois eu também sou português, somos povos amigos e irmãos.

E tudo isso na capital da China.
A China sempre foi um país nosso amigo. Esta celebração é também uma homenagem à China e ao povo chinês que nunca nos abandonou durante a luta até hoje, que somos nação independente. Mesmo quando outros nos abandonaram. É com mágoa que dizemos que Portugal nos abandonou. Não o povo português, mas Portugal como instituição formal, quando a Indonésia, não o povo, mas quem deu ordens, nos invadiu e massacrou. A China nunca nos abandonou, continua a dar-nos valiosos auxílios, com o seu dinheiro e com os seus técnicos. Timor-Leste deve muito à valiosíssima ajuda da República Popular da China.

O seu sonho, o desejo maior neste momento, em relação a Timor?
Que fosse possível construir um edifício que alojasse a Escola de Música em Díli. Tenho enorme esperança de que em breve seja possível.

Qual é o seu político timorense de referência?
Há um homem que muito respeito, por ser um grande político, com gigantesca capacidade. Esse homem é Ramos Horta.

http://hojemacau.com.mo/?p=35274



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Dia Internacional da Mulher - Xanana Gusmão: “PARTICIPAÇÃO DAS JOVENS MULHERES NO DESENVOLVIMENTO NACIONAL PARA UMA MUDANÇA PARA O FUTURO”

>> 20120309




ALOCUÇÃO
DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO DA
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
KAY RALA XANANA GUSMÃO
POR OCASIÃO DO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

“PARTICIPAÇÃO DAS JOVENS MULHERES NO
DESENVOLVIMENTO NACIONAL PARA UMA
MUDANÇA PARA O FUTURO”

Suas Excelências Membros do Parlamento Nacional e caros colegas do Governo
Sua Excelência RESG da ONU Ameerah Haq
Excelências representantes do Corpo Diplomático, Agências Internacionais e ONGs
Senhoras e Senhores,

É para mim uma grande honra e um privilégio estar aqui, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, e ter a oportunidade de render uma homenagem a todas as mulheres timorenses.

Sim, porque falar da Mulher em geral implica, necessariamente, fazer uma referência muito especial a todas as mulheres que nasceram em Timor-Leste e que tanto têm dado em prol da nossa querida Nação.

Considero que a mulher timorense é sinónimo de coragem e determinação!
Para além de um importante papel que tem vindo a desempenhar na construção do nosso Estado, a mulher timorense é impulsionadora da nossa vida em sociedade. É a mulher que cuida dos nossos lares, que cuida dos nossos filhos e que cuida também, e cada vez mais, do crescimento da nossa Nação e do crescimento da nossa economia.

É espantoso a capacidade da mulher em assumir tantos e variados papéis, não descuidando nenhum deles, com igual empenho.

Lembro que, mesmo durante a luta armada, nunca teríamos obtido qualquer sucesso se a mulher timorense, desde a primeira hora, não tivesse dedicado todo o seu esforço e saber à causa da libertação nacional, prestando todo o tipo de apoio indispensável à Resistência.

Muitas mulheres foram também combatentes e muitas delas deram igualmente a sua vida para que a Independência da nossa Pátria passasse a ser uma realidade.

Senhoras e senhores,

E hoje, quando já respiramos a liberdade e a soberania nacional, alcançados com tantos sacrifícios, a mulher continua a desempenhar um papel fundamental dentro da sociedade, tanto ao serviço público como na realização das actividades do sector privado, as quais constituem o motor de desenvolvimento sustentado que vai permitir ao nosso Povo desfrutar de melhores condições de vida.

A mulher timorense está representada ao mais alto nível nos diversos órgãos do Estado. Com naturalidade, a mulher alcançou posições de destaque no Governo, sendo responsáveis por várias pastas ministeriais, algumas delas vitais na acção governativa.

De igual modo desde a Assembleia Constituinte, ainda antes da Independência, até a actual legislatura, que no Parlamento Nacional se têm destacado ilustres deputadas, ocupando, desde sempre, o sector feminino uma considerável parte das diversas bancadas parlamentares.

Temos ainda a destacar as nossas Embaixadoras, em Portugal, nas Nações Unidas, na China e em Moçambique, que desempenham um papel muito relevante a nível internacional. É também uma mulher timorense que lidera o grupo do g7+ dos Estados frágeis e tanto no Comité do CEDAW como no Conselho Executivo da Organização Mundial de Saúde, são mulheres que têm representado Timor-Leste.

Na polícia, a percentagem de mulheres é uma das mais elevadas do mundo, destacando-se a sua presença não só em termos quantitativos como também, e sobretudo, qualitativos. Muitas ascenderam já, por mérito próprio, a escalões de comando que muitos pensavam, e insinuavam, estar apenas destinados para homens.

Também nas Forças Armadas, gradualmente, a mulher tem vindo a adquirir uma considerável representação, exercendo os seus deveres militares em paridade com os seus camaradas masculinos.

Na sociedade civil, as mulheres participam activamente nas ONGs e no sector privado, as mulheres timorenses abraçaram esta forma de participação com vigor e esperança.

E se, senhoras e senhores, muito ainda há a fazer para promover a igualdade do género no nosso país, não podemos deixar de constatar que temos estado verdadeiramente empenhados na emancipação da mulher timorense.

A mulher representa um papel fundamental para o futuro de Timor-Leste.

Quando falamos na promoção da igualdade do género, não podemos esquecer que o nosso objectivo é eliminar os obstáculos que impedem a realização plena da mulher.

Não chega, portanto, apenas tomar consciência de que existe igualdade jurídica, ou seja, igualdade de direitos e deveres mas antes desencadear todos os mecanismos e processos que possibilitem uma efectiva paridade aos homens em todas as dimensões da vida, quer ela seja política, social ou económica.

Na administração pública, há um cada vez maior envolvimento de mulheres nos sectores profissionais desde juízas a médicas, desde engenheiras a técnicas.

Sobretudo no âmbito da Secretaria de Estado da Promoção Igualdade têm vindo a ser desenvolvidas medidas importantes para aumentar a participação das mulheres em vários sectores da sociedade, como nomeadamente: a formação, pesquisa e desenvolvimento de políticas e estratégias de promoção de igualdade, assim como o desenvolvimento de um orçamento de Estado que seja sensível à questão do género.

Não posso terminar sem agradecer à Secretária de Estado da Promoção da Igualdade, Senhora Idelta Rodrigues, todo o seu empenho e dedicação em trabalhar em prol das mulheres timorenses e, também, pela organização desta iniciativa.

Finalmente, os meus Parabéns a todas as mulheres aqui presentes neste dia tão especial que visa colocar a mulher no lugar que ela merece e ocupa na sociedade.

Muito obrigado.

Kay Rala Xanana Gusmão

Centro de Convenções de Díli
8 de Março de 2012



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'Xanana Gusmao: Strategies for the future'

>> 20120308





Este livro  'Xanana Gusmao: Strategies for the future' pode ser encomendado via:
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IV FÓRUM SOBRE DEMOCRACIA EM BALI - Discurso de Xanana Gusmão

>> 20111209


Foto: NAGI/EPA


REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

ALOCUÇÃO DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO DA
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
KAY RALA XANANA GUSMÃO
POR OCASIÃO DO IV FÓRUM SOBRE DEMOCRACIA EM BALI

“Elevar a Participação Democrática num Mundo em Mudança: Respondendo às vozes democráticas”

NUSA DUA, BALI
8 de Dezembro de 2011



Sua Excelência, Presidente da República da Indonésia, Dr. Susilo Bambang Yudhoyono
Sua Excelência, Co-Chair, Primeiro-Ministro da República do Bangladesh, Sheikh Hasina Wajed
Sua Excelência, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Indonésia
Suas Excelências Chefes das Delegações
Distintos Participantes
Senhoras e Senhores


Não posso deixar, mais uma vez, de felicitar Vossa Excelência, Senhor Presidente, pela persistência e devoção nesta nobre causa. E todos quantos, durante estes quatro anos consecutivos, temos vindo regularmente a assistir a uma participação cada vez mais intensa e inclusiva, só temos que congratular o Instituto pela Paz e Democracia, a agência implementadora do Bali Democracy Forum.

É para mim uma grande honra estar novamente, lado a lado, com o meu caro amigo e Presidente da Indonésia, Dr. Susilo Bambang Yudhoyono, e poder contribuir para um futuro de democracia, liberdade e dignidade na nossa região.

A Indonésia é a terceira maior democracia do mundo e tem vindo, com visão e pragmatismo, a fazer da sua economia emergente uma referência a nível mundial. Enquanto vizinho próximo de Timor-Leste, senti-mo-nos inspirados pela forma como a Indonésia tem vindo a crescer e a promover a democracia.

A história de Timor-Leste e da Indonésia está intrinsicamente ligada. A vitória da democracia, a vitória das vozes democráticas dos nossos povos, imprimiu um marco de mudança ao sudeste asiático.

Foi em 1999 que as vozes democráticas começaram finalmente a ser ouvidas. O povo indonésio e o povo timorense iniciaram um novo capítulo – quando votaram pela democracia, votaram pelo respeito dos direitos humanos, votaram pela liberdade e votaram pelo desenvolvimento social e económico.

E, hoje em dia, os sinais dos tempos só inspiram confiança nas iniciativas de grande dimensão como estas, Senhor Presidente, e como eu disse no III BDF, encontros como este estimulam a reflexão e incitam o diálogo... motivando mudanças.

O ano 2011 vai ficar marcado na história, escrito em várias línguas e de diferentes maneiras, com diferentes substâncias.


Senhoras e Senhores

Todos os dias, reparamos em multidões de pessoas que se agitam com um entusiasmo febril e incontrolável de que o mundo está em mudança, mas também todos os dias vemos outras multidões expressarem-se com desespero num mundo que está a enfrentar grandes desafios. E senti-mo-nos asfixiados neste desequilibrio de emoções e sentimentos, humanamente expressos e profundamente sentidos. Há algo errado nisto tudo.

Vemos vitórias alcançadas a partir da força das armas, vemos o desespero da fome, vemos ainda violência depois das eleições, vemos ameaças caladas nas urnas, vemos medo no rosto das pessoas pela presença das forças estrangeiras, vemos repressão sobre manifestantes pacíficos por parte da polícia nos países democráticos, vemos líderes do mundo impotentes na solução dos problemas económicos e ambientais, vemos líderes de países menos desenvolvidos detendo absoluto poder, vemos intransigência de posições que
não dignificam ninguém.

E ninguém se sente satisfeito com este desequilibrio de valores. E há algo errado nisto tudo.

Afinal o mundo não está em mudança. O mundo está saturado de problemas que os líderes mundiais sempre se esquivaram de resolver. E são os Povos que estão a tentar mudar o mundo. E os líderes não estão a responder a estas exigências.

Os líderes mundiais pensam que representam o pensamento dos seus povos e proclamam os chamados ‘interesses nacionais’ como se fossem interesses nacionais dos seus povos. Assim também, os líderes de muitos países pensam que os interesses deles são os interesses dos povos que eles governam, para não dizer que eles oprimem.

Os problemas do mundo afinal são sistémicos. A grande maioria da humanidade continua atrasada, analfabeta, descalça, sem conhecer os seus direitos, sem lar, vivendo na miséria.

Introduzem-se padrões e critérios universais e direitos humanos, como um fim em si, como quem vende produtos baratos do mundo civilizado, e quem não compra é estigmatizado como não fazendo parte do grupo de crianças bem comportadas, segundo os indicadores que foram feitos por experts, vivendo em aranha-céus e trabalhando para CEOs.

Proclamam-se as eleições como um fim em si mesmas, para depois vermos um modelo italiano de governo não eleito, de tecnocratas, e um outro governo talhado com fato grego, que ferem todas as sensibilidades padronizantes, inconcebíveis num país em desenvolvimento, que arrepiariam os cabelos dos direitos humanos desde Bruxelas a Genebra, desde as capitais da democracia ao Conselho da Segurança, em Nova Iorque.

Estamos a assitir a uma orquestra onde todos tocam sem maestro, porque ninguém está capaz de dirigir. E o problema nem é político nem é apenas económico nem financeiro nem social. O problema é do sistema. Há algo errado nisto tudo. E ninguém quer assumir as culpas.

Estamos numa conjuntura mundial em que é muito mais fácil fazermos pequenos remendos do que apontarmos soluções a longo prazo. É muito mais fácil exigir-se a outros, aos mais fracos e aos mais pobres, do que a si mesmos.

E o resultado é que a acumulação de contradições, a acumulação de problemas avoluma-se de tal forma que os tornam insolúveis, afectando todos os demais. Em cada Cimeira... dos Grandes, a constante é sempre: ‘too little’ para, no fim, chegar-se à conclusão que todos já sabiam: ‘too late’. E isto tudo faz exasperar as pessoas!

E os discursos trazem a mesma tonalidade da dúvida, da desconfiança, da rivalidade, numa mistura do aspecto político ao financeiro, do económico ao ideológico, dos direitos humanos à supremacia, do comércio à segurança, da inteligência à defesa, numa busca desesperada de justificações para impôr sobre outros.

A mentalidade da Guerra Fria vai continuar a ser o grande obstáculo deste Milénio.


Senhoras e Senhores

Mas falemos de nós mesmos, porque necessitamos de cuidar de nós mesmos.
Permitam-me elaborar um bocado sobre a interacção do conceito ‘participação democrática’.

Vou colocar em dois níveis, como está e bem elaborado pelo Instituto pela Paz e Democracia.

Um dos problemas fundamentais dos países em desenvolvimento é o processo de construção do Estado. É, assim, crucial o estabelecimento de um sistema constitucional multipartidário, com mecanismos bem definidos de ‘checks and balances’, com programas não apressados mas a médio e longo prazo, claros e com certeza de implementação, quanto à preparação de recursos humanos e todas as condições que permitam o bom desempenho das suas actividades.

Só uma gradual mas eficiente implementação de um plano bem delineado, pode inspirar confiança na sociedade e dar credibilidade à governação.

O Estado tem que legislar sobre a transparência dos seus actos e responsabilização sobre as contas públicas, com acesso a todos. Só assim os cidadãos podem ter confiança no futuro da Nação.

A tecnologia providencia este instrumento ao Estado para ajudar a sociedade a acompanhar, em qualquer hora, os actos do governo, com portais para a transparência, para o aprovisionamento, para as receitas, para a execução do orçamento do Estado, para a implementação dos projectos.

Só assim se pode assegurar uma boa governação.
Por outro lado, há a necessidade de balançar as exigências da sociedade e as respostas do Estado.

Existe o que se diz o desafio entre a liderança e os planos de acção e o desafio entre a compreensão do todo das necessidades do país e as exigências das partes, para que haja uma aceitação consensual dos programas anuais, segundo as prioridades nacionais e sectoriais.

A sociedade civil tem que ter uma compreensão global dos problemas do país e do esforço do Estado, para poder ter uma interpretação crítica construtiva dos actos dos governantes e desempenhar cabalmente o papel de mediação, ao invés dum papel de perturbador, distorcendo a democracia.

O desafio que se coloca é a mudança de mentalidade nas nossas sociedades, que gostam de copiar modelos de países altamente industrializados e ditos modelos de democracia.

Na mudança de mentalidade, nas nossas sociedades, o importante é esclarecer que, lado a lado, com os direitos, existem deveres. A cidadania é uma moeda de duas faces, a do direito e a do dever. Nas jovens democracias, a tendência, é a absorção do direito pelo direito, esquecendo-se de que existe também o dever de fazer algo de positivo para o país, sem exigir benefícios extras ao Estado.

Seria esta, a meu ver, a substância da participação democrática, tanto da parte do Estado como da parte da Sociedade:

- Responsabilidades colectivas perante a Nação, em compromissos e deveres;
- Reconciliação Nacional, na busca da verdade, da tolerância e da paz;
- Uma sociedade crítica, sob um ideal construtivo, na busca colectiva de soluções, pela defesa da identidade nacional;
- Salvaguarda dos interesses nacionais, sem chauvinismos aberrantes nem alienações traiçoeiras.


Nas jovens democracias, pessoas na sociedade têm a tendência de se considerarem ‘independentes’, isto é, actuando ‘fora do Estado’, no sentido de que são mais activistas do que cidadãos ou, melhor dito, são mais cidadãos das organizações internacionais que lhes pagam, e bem, defendendo-as, do que o próprio país.

Mas também acontece o reverso, onde o falso nacionalismo alimenta um sentimento de aversão descontrolada ao estrangeiro, por tudo e por nada, só para encobrir a falta de perspectiva nacional de um desenvolvimento social e económico do país. E sobretudo... de um desenvolvimento político.


Senhoras e Senhores

São estas as lições que estamos a retirar também dos LDCs, acrónimo para os 50 Least Developed Countries, dos quais constituimos o grupo ‘g7+’, representando mais de 350 milhões de pessoas vivendo em condições de fragilidade política, social e económica.

O verdadeiro desafio está nas nossas mãos, em cada um dos nossos países, em cada uma das nossas sociedades, em cada um dos nossos povos. Mas, sobretudo, na liderança ou nas lideranças dos países... que podem tornar forte ou enfraquecer os países.

Porque temos que ser nós mesmos os agentes dos nossos processos. Qualquer processo só é genuíno e com maiores garantias de produzir resultados positivos, a médio e longo prazo, quando é promovido por factores essencialmente internos. Sempre que um processo é comandado de fora sofre invariavelmente convulsões e distorções incontroláveis, causando muito mais perdas do que ganhos.

No mundo, existem 1.5 mil milhões de pessoas vivendo em Estados frágeis e afectados por conflitos e mais de 70% destes Estados frágeis têm vivido em conflito desde 1989.

30% da Assistência Internacional (ODA) está orientada aos Estados frágeis. E estes Estados estão muito longe de conseguir os MDGs em 2015.


Por isso, Senhor Presidente,

Enquanto a Indonésia lidera com coragem e convicção o conceito da relação entre ‘democracia e desenvolvimento’, Timor-Leste está a liderar o conceito da relação entre a ‘construção da paz’ e ‘construção do Estado’.

Como tinha anunciado aqui, sendo Timor-Leste co-chair, o I Diálogo Internacional sobre a ‘Construção da Paz e a Construção do Estado’ teve lugar em Dili, em 2010, e o II, em Monróvia, na Libéria, em 2011.

A par deste Diálogo Internacional, o fórum do ‘g7+’ é também um espaço de partilha de experiências dos Estados frágeis (um termo de que alguns não gostam), um espaço de diálogo que tem permitido que este grupo seja ouvido, a uma só voz, pela Comunidade internacional, na tentativa conjunta de construir os Estados, construir as Democracias e construir a Paz.

A liderança e a institucionalização do ‘g7+’, enquanto fórum permanente, é um processo do qual Timor-Leste se orgulha. Enquanto pequena e jovem Nação, poder participar na consolidação deste grupo e dar voz a Estados que, de forma individual, não seriam ouvidos, é dar expressão à democracia.

Inicialmente éramos um grupo de 7 países que, ao debater as questões relacionadas com o Bom Envolvimento Internacional em Situações e Estados Frágeis, descobrimos que apesar de provenientes de diferentes contextos, diferentes continentes, diferentes línguas e culturas, tínhamos os mesmos tipos de desafios.

Somos, neste momento, 19 países, com a entrada recente da Guiné Equatorial e do Togo, a dialogar entre nós e a dialogar com os parceiros de desenvolvimento, com vista a melhorar os princípios para o bom envolvimento internacional nas suas ajudas externas.

Recentemente, tive a oportunidade de visitar Juba, por ocasião do Retiro Interministerial do ‘g7+’. Quando lá chegámos, estavam os sudaneses do sul a reflectir sobre os seus primeiros 100 dias de Estado independente, satisfeitos por tão cedo acolher um evento internacional, que abordaria também sobre os desafios da construção do seu Estado.

Não tenhamos ilusões – para países que resistem à pobreza, à instabilidade e conflitos violentos, não é fácil liderar o seu próprio desenvolvimento. Os povos que sofrem clamam por democracia porque acreditam que esta vai aliviar o seu sofrimento, mas os benefícios da democracia levam o seu tempo a serem sentidos.

As fórmulas democráticas do ocidente nem sempre resultam quando aplicadas a papel químico a outros países, ou melhor, a experiência democrática dos países desenvolvidos nem sempre são adequadas aos Estados frágeis. Estes são países traumatizados pela guerra, devastados pela pobreza e, muitas vezes, instigados por interesses de supremacia económica.

E as ajudas internacionais obedeceram sempre não só a critérios inaceitavelmente rigorosos mas a padrões de ‘one size for all’. Os valores democráticos são universais, mas as circunstâncias próprias a cada país e a forma como são assimilados estes valores são individuais. É necessário ter em conta o contexto histórico, social e cultural de cada país antes de tentar implementar um programa de desenvolvimento, sem nunca perder de vista a dignidade da pessoa humana.

Para os países pobres a ajuda é, muitas vezes, uma questão de sobrevivência – vidas dependem destas ajudas!

Mas o debate sobre a ajuda internacional é quase tão antigo como o debate sobre a democracia. A ajuda internacional e as lições sobre a democracia, provenientes dos países desenvolvidos, caminham quase sempre de mãos dadas mas, ainda assim, milhares de pessoas subsistem na pobreza. Por vezes, para não dizer muitas das vezes, depois de acabada a grande soma de ajudas, as populações de um país ficam mais pobres do que eram antes, isto é, antes da chegada dessas ajudas.

Os países pobres são acusados de corrupção e causa do fracasso internacional. E aos países ricos, pergunta-se, existem mecanismos efectivos de transparência e responsabilização pelo fracasso da ajuda internacional?

Os Objectivos do Desenvolvimento do Milénio para 2015 dificilmente serão alcançados. Os países doadores sentem-se frustrados e acredito que os seus contribuintes questionem sobre a verba canalizada para a assistência internacional quando, neste período de crise económica global, eles próprios vivem dificuldades.

Estas são todas as questões que importam ser discutidas no âmbito da democracia.
Por isso, eu digo: combater a pobreza generalizada, combater a fome, a doença e a ignorância é promover a democracia!

E digo ainda: promover a paz e promover o uso de uma diplomacia internacional mais activa e compreensiva é investir no processo democrático a nível mundial. E aqui, saúdo o Secretário de Estado de Defesa dos Estados Unidos, Luis Panetta, quando alerta Israel para quebrar o seu auto-isolacionismo e sentar-se à mesa com os vizinhos... e conversar... para o bem da Humanidade! É assim mesmo! Já chegou a hora para todos
honrarmos, com igual compromisso, os valores universais!


Excelências
Senhoras e Senhores,

Na semana passada, o Secretário-Geral das Nações Unidas, na sessão de abertura do IV Fórum Internacional sobre a Eficácia da Ajuda Internacional, em Busan, Coreia do Sul, disse que a ajuda internacional não é um acto de caridade mas antes um inteligente investimento na segurança e prosperidade.

E eu concordo. E como resultado do Retiro Interministerial de Juba, o ‘g7+’ apresentou o New Deal for Engagement in Fragile States. 34 países e instituições internacionais endossaram imediatamente o New Deal.

Este é um marco importante nas relações dos Estados frágeis com as organizações parceiras. Esta é uma franca tentativa de melhor compreender os desafios inerentes aos países em situação de pós-conflito e frágeis, na prossecução dos objectivos de desenvolvimento. Assim, para se atingir os MDGs, os Estados frágeis vão passar por uma fase de transição através dos PSGs (Peacebuilding and Statebuilding Goals).

Através do New Deal há uma nova esperança para o progresso na implementaçãodos MDGs. Através do New Deal está subjacente uma nova aposta no desenvolvimento sustentável para estes países frágeis, com o Focos do desenvolvimento a ser liderado e apropriado pelos próprios e com a Confiança em novos compromissos para alcançar uma maior transparência, maior capacidade interna e uma melhor gestão para melhores resultados da Ajuda Internacional.

E aqui também se pratica a democracia, no verdadeiro sentido da palavra.

Como Chair do ‘g7+’, vou distribuir a todos os países presentes cópias do New Deal.

E aqui, neste Forum, faço um apelo a todos para dar um voto de apoio em Setembro de 2012, quando levarmos os 5 PSGs à Assembleia-Geral da ONU. Estes objectivos são:

• Política legitimada
• Segurança
• Justiça
• Fundações Económicas
• Serviços e Rendimentos


Excelência, Senhor Presidente
Excelências
Senhoras e Senhores

O mundo em que vivemos encontra-se seriamente ameaçado.
A ameaça eminente das alterações climáticas vai dando os seus sinais. Desde os fogos na Austrália, às cheias na Tailândia, passando pelo aumento dos níveis das águas do mar que ameaçam a existência das Ilhas do Pacífico, que têm falta de água potável, parecendo que a natureza está a tentar avisar a humanidade que medidas urgentes são prementes.

Desastres naturais testam as populações do mundo, como vimos nos terramotos e tsunami no Japão e o terramoto em Christchurch, na Nova Zelândia, e os muito recentes na Turquia.

Infelizmente, por tudo aquilo que não tem sido feito seguindo Quioto, Copenhaga e Cancun, parece que já não há esperança para Durban, como disse ontem o Secretário-Geral das Nações Unidas.

As graves ameaças do terrorismo, a imigração clandestina em proporções assustadoras, o tráfico humano, de drogas e de armas, a crise económica global, a procura de recursos alimentares e energéticos que são limitados, a proliferação de armas nucleares – entre outras ameaças - prenunciam as condições instaladas para o conflito e para a insegurança da humanidade.

Agora, mais do que nunca, é necessário fazer alianças estratégicas. Alianças de cooperação, de diálogo e de intervenção. Alianças que não devem, não podem, estar condicionadas pelos interesses estratégicos de grandes potências mas antes pelos interesses fundamentais da humanidade.

Precisamos de novas alianças para fazer a paz e não de velhas alianças para fazer a guerra. Precisamos de uma nova ordem mundial, tanto política e económica, onde os conflitos e a discórdia são substituídos pelo diálogo, em que a democracia é usada para dar voz aos fracos e vulneráveis e onde a assistência e a solidariedade são usadas devidamente para aliviar o sofrimento das pessoas.

Esta é a mensagem que as Nações, sobretudo as mais pobres e as mais fracas, precisam de escutar para ter confiança na Democracia.

Muito obrigado.

Kay Rala Xanana Gusmão
8 de Dezembro de 2011


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