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GNR vai continuar a apoiar formação da polícia timorense - Xanana Gusmão

>> 20121031

 

Díli, 30 out (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse hoje à agência Lusa que a Guarda Nacional Republicana vai continuar a apoiar a formação da polícia timorense.

A cooperação vai continuar "em consequência de um acordo que fiz com o ministro da Administração Interna", Miguel Macedo, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro timorense falava no final da última cerimónia de imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT (Missão Integrada da ONU em Timor-Leste) aos militares da GNR destacados naquele país, no âmbito da missão de manutenção da paz da ONU.

"Assinei o acordo para que em termos bilaterais nós prossigamos com a assistência da GNR na formação dos nossos polícias", disse Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro esclareceu também que agora vai começar a ser preparada a forma de cooperação, nomeadamente o número de elementos da GNR necessários para as várias áreas, ainda não definidas, em que Timor-Leste vai precisar de apoio.

"Isto foi pensado porque já estávamos a planear a saída da ONU", acrescentou o primeiro-ministro timorense.

As autoridades timorenses anunciaram em setembro que, após o final do mandato da UNMIT, a 31 de dezembro, não querem "nem missões políticas, nem de paz".

"Gostaríamos de estabelecer com as Nações Unidas umas relações inovadoras de cooperação", afirmou na altura o primeiro-ministro timorense.

Os 140 elementos da GNR destacados em Timor-Leste no âmbito da UNMIT regressam a Portugal a 12 de novembro e cessam a atividade operacional quarta-feira, quando a ONU certificar a Polícia Nacional do país (PNTL) como força de segurança.


MSE // HB

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Último contingente da GNR em Timor-Leste regressa a 12 de novembro

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (© D)

 O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (D) condecora os militares da GNR destacados em Timor-Leste que cessam atividade operacional quarta-feira e regressam a 12 de novembro a Portugal, durante a cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT, no Palácio do Governador, em Díli, Timor-Leste, 30 DE OUTUBRO DE 2012. ANTONIO AMARAL / LUSA

Díli, 30 out (Lusa) - Os militares da Guarda Nacional Republicana destacados em Timor-Leste no âmbito da Missão Integrada da ONU (UNMIT) terminam quarta-feira a atividade operacional e regressam a Portugal a 12 de novembro.

"Oficialmente, a informação que temos é que a partida é no dia 12 de novembro. Por razões diversas as Nações Unidas iniciaram a sua retirada mais cedo e portanto acabou por ser apresentada a data de 12 de novembro como data de regresso", afirmou hoje à agência Lusa o comandante do sub-agrupamento Bravo da GNR, capitão Jorge Barradas.

Jorge Barradas falava à Lusa no final da última cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT a militares da GNR.

A UNMIT termina o mandato no final deste ano.

Na quarta-feira, os militares da GNR cessam também a atividade operacional, numa cerimónia a realizar no Palácio do Governo durante a qual a ONU, através da UNMIT, certifica a Polícia Nacional de Timor-Leste como força de segurança.

"Amanhã (quarta-feira) tecnicamente termina a atividade operacional e iniciamos depois um conjunto de procedimentos administrativos para que grande parte do nosso material possa regressar a Portugal", acrescentou o capitão português.

A GNR tem destacado no país 140 militares e mais três elementos da equipa médica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

A Medalha da Solidariedade de Timor-Leste tem por objetivo agraciar militares, polícias e civis que através das suas ações tenham contribuído para a paz e estabilidade no país.

Participaram na cerimónia o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, Longuinhos Monteiro, o representante do secretário-geral da ONU, Finn Reske-Nielsen, o comandante da Polícia da ONU, Luís Carrilho, bem como outras autoridades timorenses e representantes do corpo diplomático.

A presença da GNR em Timor-Leste teve início em março de 2000 com um contingente integrado na Administração Transitória das Nações Unidas (UNTAET).

MSE // HB

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INFO | Relatório sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em Timor-Leste

>> 20110920


Sumário Executivo

É essencial considerar no presente momento os direitos das pessoas com deficiência, uma vez que Timor-Leste está a construir a sua nação e está empenhado em tornar-se um líder regional em matéria de direitos humanos.

O cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência poderá ter um papel fundamental na garantia do desenvolvimento nacional inclusivo em Timor-Leste e na região da Ásia-Pacífico.
    
De 2010 a 2011, a Secção de Direitos Humanos e Justiça Transicional da UNMIT (HRTJS) realizou uma pesquisa sobre os direitos das pessoas com deficiência. Os resultados preliminares desta pesquisa e as recomendações são partilhados abaixo para facilitar a discussão sobre a forma como o governo, a sociedade civil e os intervenientes internacionais podem trabalhar em conjunto para promover e proteger os direitos das pessoas com deficiência. Sendo o primeiro relatório público de uma missão de manutenção da paz sobre os direitos das pessoas com deficiência, requer uma maior reflexão e acção por parte das Nações Unidas.    

As pessoas com deficiência de Timor-Leste participaram na pesquisa e elaboração das recomendações do relatório. As suas vozes e visão vão ditar o caminho para um futuro no qual os direitos de todas as pessoas serão cumpridos - em Timor-Leste e além.

Principais Conclusões 

Timor-Leste tomou medidas progressivas para o cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência, mas maiores investimentos são necessários para proporcionar igualdade de oportunidades e proteger os grupos de alto risco contra violações de direitos humanos graves, especialmente em relação a pessoas com deficiência mental, mulheres e crianças. 

Timor-Leste agiu com eficácia para o cumprimento do direito de participação na vida cultural das pessoas com deficiência.  <> O actual quadro jurídico nacional exige maior desenvolvimento para proteger as pessoas com deficiência contra a discriminação e para garantir-lhes acesso aos serviços públicos.  <> As pessoas com deficiência não têm beneficiado suficientemente nem têm sido incluídas no planejamento do acesso a edifícios públicos, transportes e a outras formas de infra-estrutura nacional.

O governo e a sociedade civil tomaram medidas para aumentar o acesso à educação das pessoas com deficiência, mas a educação é a área que as pessoas com deficiência identificam como a que necessita de mais melhorias.  <> As crianças com deficiência são vulneráveis à discriminação no acesso à educação.  <> O acesso à informação pública não tem sido devidamente facultado às pessoas com deficiência. 


Apesar de alguns intervenientes do governo estarem a envidar esforços para atender às necessidades das pessoas com deficiência, as políticas eleitorais e a legislação têm de abordar melhor a acessibilidade e garantir em todas as leis o direito de voto de todas as pessoas com deficiência, incluindo as pessoas com deficiência mental.

Por vezes, as pessoas com deficiência são vítimas de agressões físicas e verbais no interior das suas próprias comunidades. A linguagem estigmatizante é comumente utilizada em Timor-Leste na referência a pessoas com deficiência. 

A monitorização e implementação das políticas governamentais sobre a deficiência têm de ser reforçadas de modo a estarem em conformidade com as normas internacionais já adaptadas nas políticas nacionais.  <> Uma maior regulamentação e monitorização da prestação de cuidados de saúde às pessoas com deficiência mental é essencial para protegê-las contra o tratamento cruel e a privação da liberdade.  <> As mulheres com deficiência são particularmente vulneráveis à agressão sexual e devem ser incluídas nos esforços de âmbito nacional de combate a violência baseada no gênero.


Recomendações de Prioridades 

Pelo Governo: 

Emitir declarações públicas e materiais educativos que afirmem que as pessoas com deficiência têm os mesmos direitos das outras pessoas e que esses direitos têm de ser promovidos e cumpridos. 

Complementar o quadro jurídico e político actuais, dando prioridade à legislação sobre a saúde mental e às medidas que protegem o direito de voto, uma política nacional para a deficiência que promova a não-discriminação e a adesão e ratificação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. 

Promover e proteger os direitos das pessoas com deficiência de alto risco, especialmente as pessoas com deficiência mental, mulheres e crianças. 

Aumentar a capacidade da sociedade civil e dos intervenientes do governo de monitorizar e de comunicar sobre a prestação de serviços às pessoas com deficiência, em conformidade com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e com outras leis e políticas pertinentes.   

Pelo Ministério da Saúde: 

Garantir cuidados de saúde adequados, protecção e libertação de pessoas mantidas com restrições permanentes. 

Criar opções públicas de reabilitação que possam satisfazer totalmente as necessidades e proteger os direitos das pessoas com deficiência mental. 

Pelo Ministério da Justiça: 

Garantir que as pessoas com deficiência recebem reconhecimento igual perante a lei e o pleno acesso aos recursos de justiça, incluindo a prestação de serviços de apoio judiciário, tradução, interpretação, reabilitação e protecção.  

Pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE): 

Desenvolver planos de cumprimento dos direitos das pessoas com deficiência para as eleições de 2012, incluindo a acessibilidade à informação do eleitor, recenseamento e secções de voto.  

Pelo Ministério das Infra-estruturas:

Garantir a protecção dos direitos das pessoas com deficiência na legislação futura, regulamentando as normas de construção e implementando progressivamente elementos de desenho universal que criam um melhor acesso à infra-estrutura pública.   

Pelo Ministério da Solidariedade Social: 

Defender aumentos de orçamento, de pessoal e de recursos, especialmente em relação a gabinetes que cobrem áreas distantes.   

Pela Secretaria de Estado para a Promoção da Igualdade (SEPI) e a Comissão Nacional dos Direitos da Criança: 

Incluir as mulheres e as crianças com deficiência em todos os programas.   

Pelo Provedor de Direitos Humanos e Justiça e a Direcção Nacional dos Direitos Humanos e de Cidadania do Ministério da Justiça: 

Desenvolver mecanismos de monitorização, denúncia e programas de educação sobre os direitos das pessoas com deficiência.   

Pelos Doadores:  

Integrar os direitos das pessoas com deficiência, incluindo a insistência num modelo universal, igualdade de oportunidades de emprego e orçamentação para proteger esses direitos.  <> Dar prioridade ao apoio para formação e "mentoring" no país para o pessoal da saúde, intervenientes judiciais e professores relativamente aos direitos das pessoas com deficiência e aos serviços que lhes prestados.  

Pelas Nações Unidas: 

Tomar medidas imediatas para garantir a sensibilização do pessoal em relação aos direitos das pessoas com deficiência e a acessibilidade às instalações e ao emprego das pessoas com deficiência, inclusive em operações de manutenção da paz.

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A GNR permanecerá em Timor-Leste depois da saída da UNMIT

>> 20110316

Imagem daqui
As autoridades timorenses estão dispostas a pagar para que a GNR continue no país depois da saída da Missão das Nações Unidas (UNMIT), em 2012, disse o Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta.

Em declarações à margem da cerimónia de condecoração da GNR com a medalha da Missão da UNMIT e a medalha da solidariedade de Timor-Leste, o chefe de Estado salientou a importância do papel da força policial portuguesa na formação da polícia timorense (PNTL).

«A formação de uma polícia não se faz em dois ou três anos e por isso acredito que essa cooperação bilateral pode continuar por muitos mais anos e terá que ser, obviamente, financiada pela parte timorense. Não podemos sempre esperar que seja Portugal a arcar com as responsabilidades», disse.

«Afastada a continuidade das Nações Unidas, e havendo a necessidade de uma presença operacional aqui da GNR para apoiar a PNTL, terá de ser no âmbito de uma cooperação bilateral e directa entre Portugal e Timor-Leste», defendeu Ramos-Horta. (LEIA A NOTÍCIA COMPLETA NO SOL ONLINE)

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Nações Unidas adiam saída de Timor

>> 20100226




A protecção da ONU é ainda um garante num país com instituições fracas. Em Nova Iorque vota-se hoje o alargamento da missão por mais um ano.

 
Nova Iorque, dez da manhã. Os países do Conselho de Segurança das Nações Unidas vão hoje a votos para aprovarem uma nova resolução sobre o prolongamento, por mais 12 meses, da presença da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste. A renovação do mandato da UNMIT, até Fevereiro de 2011, é quase uma certeza, depois de na passada terça-feira os países-membros do Conselho de Segurança terem aceite a recomendação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para estender a missão durante, pelo menos, mais um ano, uma proposta também apoiada pelas autoridades timorenses.

Em 2010, o principal desafio da UNMIT será o processo de transferência da responsabilidade da força policial da ONU - comandada desde 2009 pelo português Luís Carrilho, da PSP - para a Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL). Ban Ki-moon prevê que serão necessários "até cinco anos" para que a PNTL se torne numa força policial efectiva. Também no próximo mandato da UNMIT prevê-se a redução gradual do número de polícias, de 1.608 para 1.280, até meados de 2011. De saída estão também os militares australianos e neo-zelandeses (não integrados na força da ONU), com uma redução progressiva de efectivos de 600 para 400 em 2010.

 
Bárbara Silva
26/02/10 00:05

DAQUI

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Encouraging signs in Timor-Leste but core challenges persist, Ban warns

>> 20100219

18 February 2010 – Many of the underlying causes that contributed to the 2006 political crisis in Timor-Leste remain, despite recent encouraging signs, Secretary-General Ban Ki-moon warns, calling the country’s security and justice institutions fragile and possibly unable to withstand another major crisis.

A dispute within the Timorese military in 2006 spread throughout the country, leaving dozens of people dead and driving some 155,000 people, or roughly 15 per cent of the population, from their homes.

Secretary-General Ban Ki-moon, in his latest report on the United Nations Integrated Mission in Timor-Leste (UNMIT), says tensions among the political elite, difficulties within the security institutions, poverty, persistent unemployment, and the lack of an effective land and property regime were the underlying causes of that crisis.

“Whatever weight is attributed to the various factors contributing to the 2006 crisis, it is unlikely that they will be fully resolved by 2012,” he writes. “A reasonable goal is to ensure that the democratic institutions and processes established are robust enough to continue addressing those issues without regression to violence.”

In the report, Mr. Ban took note of the successful elections last October for village (suco) council members, which he called “a further democratic milestone and a tribute to the growing capacity of the country’s electoral management bodies.”

The suco elections were particularly important as local leaders resolve disputes and problems within the community that are at the centre of life in Timor-Leste.

On a wider scale, the Secretary-General noted the continued difficulties involved in establishing accountability for past crimes.

“I remain concerned, as conveyed in my previous report, that the prolonged delay in delivering justice and providing repatriations to victims and their families may further adversely affect public confidence in the rule of law,” he said.

He added that UNMIT will continue to play an active role in addressing these challenges.

The Secretary-General noted the efforts of his Special Representative Ameerah Haq, who took office on 5 January, to continue tackling challenges through inclusive dialogue at the local, regional and national levels.

“National and local leaders, as well as many civil society actors, continue to have faith in the resolve of the United Nations to serve as an impartial arbiter that also shares their goals of sustainable stability, rule of law, democratic governance and socio-economic development,” the Secretary-General wrote.

He also recommended that the mandate of UNMIT be extended for 12 more months. The current mandate is due to expire at the end of this month. The Security-Council is scheduled to discuss the topic next week, including any possible changes to the mandate, which includes providing assistance to the security sector, strengthening support for protection of human rights and supporting the Government and relevant institutions to stabilize the country.

In his report, the Secretary-General noted the “broad desire of the Timorese leadership and other national stakeholders for the United Nations to maintain the integrated support provided through UNMIT in all major areas of the mandate,” while also planning “the downsizing of UNMIT during the period through 2012 and the transition of functions, where appropriate, to the Government, the United Nations country team and bilateral partners.”

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Ramos-Horta na hora da despedida a Atul Khare...

>> 20091209



TIMOR-LESTE:
PAZ
DEPOIS DA TEMPESTADE




Discurso

Pelo Laureado com o Prémio Nobel da Paz,
Presidente José Ramos-Horta,
Na cerimónia de despedida em honra do Representante Especial
Do Secretário-Geral da ONU, Dr. Atul Khare,
No “Salão China” do Palácio Presidente Nicolau Lobato

Díli, 09 de Dezembro de 2009

Excelências
Senhoras e Senhores

Juntamo-nos aqui hoje para nos despedir do Dr. Atul Khare, que serviu durante três longos e intensos anos no nosso País enquanto Representante Especial do Secretário-Geral da ONU (SRSG, nas siglas em inglês).

Anteriormente, de Junho de 2002 a Maio de 2005, o Dr. Atul Khare serviu em Timor-Leste como chefe de gabinete do então SRSG, o Embaixador Kamalesh Sharma e, ainda, como Vice-SRSG durante seis anos de incansável devoção ao nosso Povo, defendendo os ideais da ONU.

Convido assim todos os presentes para, comigo, agradecermos ao Dr. Atul Khare e à sua estimada mulher, a Senhora Vandna Khare, a abnegação, infatigável dedicação e bondade demonstrada ao Povo de Timor-Leste, à minha própria pessoa, a todos os líderes políticos e religiosos, bem como aos responsáveis pelas nossas comunidades e aos dirigentes da sociedade civil.

O Dr. Atul Khare chegou a Díli no dia 17 de Dezembro de 2006, cerca de quatro meses depois de o Conselho de Segurança da ONU ter autorizado uma nova e mais robusta Missão das Nações Unidas para Timor-Leste, a UNMIT.

Então, o pior da crise política e de segurança interna já tinha passado. Contudo, em Dezembro de 2006 persistiam graves desafios; a situação ainda era muito volátil, marcada por violência esporádica, alguma dela com motivações políticas, mas na maioria devida a rivalidades entre grupos de artes marciais e a gangues de jovens. Em 2006, persistiam cerca de 150.000 deslocados dispersos por Díli e também fora da capital; enfrentávamos então o problema potencialmente explosivo dos chamados “peticionários” e dos elementos fortemente armados do grupo do Senhor Alfredo Reinado.

Passados quatro meses de o Conselho de Segurança da ONU ter autorizado a nova missão (Resolução 1704 de 25 de Agosto de 2006), dotada com uma força policial de 1.608 efectivos, 1.070 elementos civis da polícia chegaram a Timor-Leste. Este número incluía uma Unidade Formada de Polícia portuguesa, que fora mandada para Timor-Leste no início de Junho, ao abrigo de um acordo bilateral celebrado entre Timor-Leste e Portugal. Essa unidade transitou para a UNMIT em Agosto de 2006.

Quero fazer aqui uma pausa para prestar o devido tributo a Finn Rieske-Nielsen, responsável pela Missão das Nações Unidas em Timor-Leste nos meses mais difíceis de 2006; ele teve uma presença destemida e incansável, dia e noite durante esses problemáticos dias e semanas. A sua longa experiência em lidar com situações de crise humanitária, tanto em Timor-Leste – onde se manteve perto de sete anos -, como noutras partes do mundo, permitiu-lhe lidar muito bem com o que tinha pela frente.

Antes da chegada da UNPOL a Díli e do seu destacamento para os Distritos, o fardo da assistência às autoridades Timorenses para a restauração da lei e da ordem em Díli caíra sobre as tropas e polícia da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal, que tinham sido enviadas para Timor-Leste entre finais e Maio e princípios de Junho de 2006, em resposta aos apelos formais de líderes Timorenses (1).

Só a Austrália tinha no terreno uma força de 3.000 homens e mulheres, dotados com uma quantidade impressionante de equipamento como sejam viaturas armadas para transporte de pessoal, tanques e helicópteros. Porém, até uma força tão robusta era inadequada e incapaz de parar a violência, de neutralizar os grupos de artes marciais, ou de prevenir o incêndio e pilhagem de centenas de casas, armazéns do Estado e serviços públicos. Este não é o tipo de violência para a qual esteja preparada uma força convencional, em treino e equipamento (2).

Das quatro forças no terreno na segunda metade de 2006, só a GNR estava à altura, treinada e equipada, para lidar com a violência urbana. Mas em termos de capacidade, a GNR estava no limite e também não podia responder eficazmente a todos os incidentes graves que se registavam em qualquer parte da cidade.

A força mecanizada Australiana e soldados de infantaria pesadamente armados, impressionantes quando se deslocavam ruidosamente pelas artérias principais de Díli, poderiam ter sido dissuasores, mas a verdade era, e continua a ser, que forças convencionais, mesmo bem treinadas e equipadas, não são adequadas para prevenir, ou acabar com a violência urbana e com os tumultos sociais nos tortuosos e confusos becos dos subúrbios da cidade.

Sem ter a pretensão de querer estar a escrever História, ou mesmo modestamente a oferecer uma pormenorizada e conclusiva análise sobre a crise de 2006, julgo que poderemos, no entanto, reter algumas questões importantes.

Eu aceito que a crise de 2006 não fosse inevitável. Poderia ter sido prevenida se quem detinha posições de responsabilidade tivesse tratado a tempo dos numerosos problemas detectados e claramente identificados, através de soluções simples e não onerosas que só requeriam mais partilha de informação e um diálogo paciente.

Mas como as tensões e os ressentimentos não foram acautelados, acabaram por ser exacerbados por alguns indivíduos na nossa sociedade, que viram na crise uma oportunidade para aumentarem o seu magro pecúlio.

Nalguns bairros de Díli, a violência gerou-se essencialmente por causa de conflitos pela posse de terras e casas, da parte dos que se criam marginalizados, ou despojados. As raízes deste conflito emergiram na segunda metade da ocupação indonésia e multiplicaram-se a partir de 1999, à medida que cada vez mais pessoas regressavam, ou se aglomeravam em Díli pela primeira vez, todas elas a competir por um bocado de terra, ou por casas abandonadas pelos migrantes Indonésios de partida, ou pelos milhares de Timorenses que tinham fugido quando a sorte mudou.

O conflito teve muito pouco a ver com uma suposta clivagem regional, ética, ou tribal. Mesmo que Timor-Leste pode ser dividido geograficamente em três grandes regiões, nomeadamente as do Leste, Centro e Oeste, estas regiões não correspondem a grupos perfeitamente identificados e com coesão étnica.

A implosão na liderança da PNTL e na sua cadeia de comando, em Díli, em Abril/Maio de 2006, conduziu à ruptura da Lei e da Ordem. Em consequência desta ruptura na cadeia de comando da força policial, o governo viu-se compelido a ordenar a intervenção das F-FDTL em Díli. Mas esta decisão aprofundou a clivagem na cadeia de comando da polícia, entre elementos da polícia e as F-FDTL, e no seio das próprias F-FDTL.

Contudo, tendo a conta a situação que se vivia em Díli a 28 de Abril de 2006 - com a PNTL incapaz, ou sem vontade de actuar para prevenir o ataque ao Palácio do Governo e os que se seguiram em vários pontos da cidade -, julgo que o Governo não tinha outra hipótese senão chamar as F-FDTL.

Devo aqui adiantar que nem todos os oficiais, ou unidades da PNTL em Díli desertaram e não cumpriram o seu dever. Nunca me esquecerei de uma cena pungente no quartel da UIR em Díli, quando os visitei em finais de Maio de 2006. Estavam ali cerca de 40 homens e mulheres, de todas as regiões do País, a chorar em desespero, a sua amargura era visível, porque se sentiam completamente impotentes. Tinham permanecido firmes nos seus postos, mas cheios de receio de serem atacados e escorraçados.

A Academia de Polícia continuou a funcionar apesar de centenas de deslocados estarem alojados no recinto. Até foi realizada naquela altura uma cerimónia de graduação de cadetes. Mérito deve ser reconhecido ao Director da Academia de Polícia, o Senhor Inspector Júlio Hornay, que demonstrou profissionalismo e capacidade de liderança em tempos de crise.

Enquanto alguns elementos da PNTL abandonaram as suas funções nos Distritos e se uniram ao conflito em Díli, a vasta maioria não o fez. Os Serviços de Imigração da PNTL, chefiados pelo Inspector Carlos Jerónimo, também continuaram a funcionar quase sem percalços, ininterruptamente.

O problema básico na PNTL foi o resultante da criação à pressa de uma força, entre 2001 e 2003, com o número de polícias a aumentar significativamente depois de 2003; quem estava no comando parecia mais interessado em números do que na qualidade e não teve em conta todas as consequências devidas à não aplicação de critérios estritos de selecção, ao treino inadequado, à falta de incentivos materiais como sejam salários razoáveis, de equipamento e de infra-estruturas.

Havia uma liderança política muito débil e igualmente uma muito débil liderança policial.

A ONU e os doadores bilaterais terão de se perguntar por que não pensaram em ajudar o Governo Constitucional, providenciando infra-estruturas básicas e equipamento ao embrião da nossa força policial. Além do treino, não é o fornecimento de equipamento básico uma condição sine qua non para levantar o moral, manter o brio e a capacidade de acção de uma força policial?

Quando as F-FDTL foram estacionadas em Díli, havia muito pouca violência, fogo posto ou pilhagens. Havia um medo palpável das F-FDTL e a percepção generalizada de que os elementos das F-FDTL não teriam constrangimentos em usar a força, ou em disparar, foi efectivamente dissuasória.

Enquanto as ISF iam ocupando posições em Díli, em finais de Maio de 2006, tive um debate com o Senhor Major-General Taur Matan Ruak sobre o acertado que seria as F-FDTL saírem de Díli, recolhendo aos quartéis. O general anuiu plenamente e após consultar o então Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, os soldados das F-FDTL e oficiais voltaram para as casernas em Tasi-Tolu, Hera, Metinaro e Baucau.

Mas quando foi dada a notícia da evacuação das F-FDTL de Díli, o pânico alastrou e o êxodo da cidade começou quase imediatamente, com dezenas de milhar de pessoas a fugirem para o leste, em direcção a Hera, Metinaro, Baucau, etc.

A minha propriedade e a minha casa também foram transformadas em campo de deslocados, porque mandei abrir os portões a quantos quisessem buscar refúgio junto de mim. Muitas centenas de homens desesperados, idosos, mulheres e crianças acamparam no meu terreno durante as semanas seguintes e eu aprendi em primeira mão o que é o drama dos deslocados.

A saída das F-FDTL encorajou os arruaceiros, porque já não havia impedimento para os seus actos, nem motivo para medo. Cresceu uma vaga de incêndios de casas e pilhagens, enquanto as amistosas forças internacionais eram incapazes de impedir a orgia dos incendiários, apesar dos seus melhores esforços.

Estando as F-FDTL em Díli, houve uma campanha concertada e persistente, de alguns sectores, para denegrir os soldados e oficiais das nossas Forças Armadas com alegações de matanças indiscriminadas e massacres em grande escala perpetrados em particular na noite de 28 de Abril de 2006. Mas não apareceu nem uma testemunha ocular, nem um parente de uma das alegadas vítimas. Portanto, não ocorreu qualquer massacre de civis indefesos, ou entre os elementos do grupo dos ditos “peticionários” na noite de 28 de Abril de 2006, ou nas semanas seguintes.

Senhoras e Senhores

Não tenho a intenção de vos oferecer uma detalhada retrospectiva, ou uma reflexão sobre o que aconteceu nos últimos três anos. Talvez o faça quando acabe o meu mandato como Presidente da República.

Mas estando aqui presentes para dizer adeus a um amigo, o Dr. Atul Khare e a sua estimada mulher, a Senhora Vandna Khare, quero simplesmente recordar a todos onde estávamos em 2003, reflectir sobre algumas das principais causas da crise de 2006, e chamar a atenção para onde estamos agora, hoje, em Timor-Leste, que se afastou depressa e bem da recente violência e está a atravessar o seu melhor período de paz e de crescimento económico.

Quando assumi o cargo, em Maio de 2007, estipulei como prioridades da minha Presidência a restauração da paz e da segurança, a reforma do sector da segurança e o alívio da pobreza.

No que respeita à reforma do sector da segurança, a minha preocupação era a de que a visão da liderança Timorense fosse unificada e ficasse coesa. Criei um Fórum de Alto Nível que compreende o Chefe de Estado, o Primeiro-Ministro e o Presidente do Parlamento Nacional. Instituí um Grupo para a Revisão do Sector da Segurança no meu gabinete, com ligação às agências governamentais e à UNMIT. O trabalho desta equipa e o do Governo tem ido ao pormenor, tem sido exaustivo e conclusivo.

O Conselho de Segurança da ONU irá rever a situação em Timor-Leste na sua reunião de Fevereiro de 2010. E porque o Dr. Atur Khare nos vai deixar, quero que todos saibam dos nossos pontos de vista e preferências para os próximos dois a três anos, no que respeita ao papel UNMIT/UNPOL e da ISF.

O que vos vou revelar decorre da revisão exaustiva feita pela minha equipa para a Reforma do Sector da Segurança, dos encontros regulares mantidos com o Primeiro-Ministro e com os seus dois Secretários de Estado com responsabilidades no sector, com o Presidente do Parlamento Nacional e com os Membros da Comissão-B do PN, com o Major-General Taur Matan Ruak e com o Comandante-Geral da PNTL, Dr. Longuinhos Monteiro.

Como sabem, convoquei muitos encontros no decurso do ano com o Conselho de Estado e com o Conselho Superior de Defesa e Segurança e, em Outubro, procedi a uma consulta com as partes interessadas, depois de lhes mandar um detalhado questionário com o objectivo de recolher as suas análises e respostas.

Face ao exposto, quero declarar o seguinte:

1 – Os Timorenses e a sua liderança estão em dívida e agradecidos aos povos e dirigentes da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal, que rapidamente responderam ao nosso pedido de assistência, quando foi preciso, em finais de Abril de 2006;

2 – O contributo das quatro forças foi nuclear na ajuda prestada para conter a violência em 2006, e para devolver aos cidadãos a paz e a segurança;

3 – O Povo Timorense e os seus líderes estão reconhecidos e em dívida para com a ONU, em particular para com o Secretário-Geral e para com o Conselho de Segurança, por terem respondido sem hesitações à nossa Nação em tempos de dificuldade extrema.

Chegados ao termo de 2009, propomos as seguintes metas para 2010:

1 – Que a plena responsabilidade pela Lei e pela Ordem no Distrito de Díli seja devolvida às autoridades Timorenses até Junho de 2010, com a passagem do testemunho policial da UNPOL para a PNTL;

2 – As Unidades Formadas de Polícia no quadro da UNPOL actualmente destacadas em Díli devem ser reduzidas à metade e destacadas para Baucau e Maliana, deixando apenas cada uma um pelotão na capital do País, para dar assistência aos programas de treino e apoio à PNTL;

3 – A passagem de testemunho das responsabilidades policiais da UNPOL para a PNTL nos Distritos onde ainda não foi feita tem de estar concluída até Dezembro de 2010;

4 – As unidades da UNPOL em cada Distrito e Sub-Distrito compreendidas na redução de forças decidida pela ONU deveriam continuar a prestar toda a assistência requerida pela parte Timorense, nomeadamente para orientação e apoio à administração e gestão, monitorização contínua e treino. Porém, tal como em Díli, os elementos da UNPOL já não poderão fazer patrulhas móveis e intervir, a não ser quando necessário;

5 – O ano de 2011 terá de ser o da consolidação dos processos de revisão e reforma, correcção e melhoramento em todos os aspectos;

6 – O Governo terá de garantir que em finais de 2011 todos os requisitos da infra-estrutura e logística básica da PNTL e das F-FDTL estejam preenchidos;

7 – Caberá às Nações Unidas decidir o ritmo e o volume da redução dos contingentes policiais em Timor-Leste, entre 2010 e 2012.

No que respeita à ISF, no seguimento dos meus encontros habituais com os Embaixadores da Austrália e da Nova Zelândia, bem como com os comandantes da ISF, em consonância com o nosso desejo esta força terá a sua missão substancialmente reduzida e com nova orientação, em 2010:

- De agora até ao final de Dezembro, a ISF reduzirá o número dos seus efectivos em aproximadamente uma companhia;
- A ISF deverá retirar-se da sua base avançada de operações em Baucau;
- A ISF assegurará uma presença permanente em Díli e Gleno;

- A ISF continuará a trabalhar com as F-FDTL, garantindo presença nos Distritos, através de patrulhas, para estar em contacto com a população e monitorizar o ambiente de segurança.

A ISF continuará em Díli. Porém, esperamos que a ISF coloque mais ênfase no acompanhamento das comunidades e não efectue patrulhas de segurança. É preferível que não vejamos muito armamento pesado e militares na nossa cidade.

Espero que estas actividades sejam planeadas em consultas com as nossas autoridades competentes, nomeadamente os dois Secretários de Estado e o Comandante-Geral da PNTL, incluindo também os chefes de “suku” locais.

Terão notado, os presentes, que a Guarda de Honra neste Palácio Presidencial é feita por guerreiros tradicionais e pela nossa segurança civil, desarmada. Os portões do Palácio Presidencial estão em geral abertos e dentro dos seus muros há um jardim infantil cheio de vida. Também terão notado que há uma parcela no jardim presidencial coberta por internet sem fios e aberta ao público. E como podem ver, sinto-me muito confortável com tão pouca segurança, ou até nenhuma.

Sinto-me confortável com o caminho empreendido pela ISF e muito confiante na sua capacidade para corresponder às necessidades tanto do Governo, como do Povo de Timor-Leste.

As mudanças de que venho falando são de certo modo subtis e resultam das aturadas consultas entre o nosso Governo, os Governos Australiano e Neo-Zelandês, e a ISF. Mas o mais importante é que estas mudanças põem em destaque os significativos progressos por nós realizados no sector da segurança desde 2006. Acredito que as mudanças chegam na altura certa, reflectem os progressos feitos no nosso sector de segurança, sem excluir que ainda há trabalho por fazer, e que a ISF e a UNMIT continuarão connosco até 2012.

Como já disse, no auge da crise de 2006 a ISF tinha mais de 3.000 efectivos destacados em Timor-Leste. Este número cairá para menos de 600 em 2010, reflectindo os enormes progressos ocorridos no sector da segurança nacional.

Enquanto avança o processo de reforma nas duas agências de segurança, que deverá estar concluído em finais de 2011, será preciso manter uma pequena, mas robusta força no terreno.

Temos dois anos para empreender grandes esforços e alcançar notáveis progressos na transferência de competências e na capacitação em cada área, e também para dar às nossas forças os meios razoáveis necessários para manterem o seu moral, auto-estima, auto-confiança e eficiência.

Timor-Leste é um País do Sudeste Asiático, intrincada e orgulhosamente ligado a esta dinâmica região. Espero que o Governo explore as oportunidades para melhorar a segurança regional e a cooperação no sector da defesa, com amigos e vizinhos como a Indonésia, a Malásia, Singapura, Tailândia, Filipinas, Austrália e Nova Zelândia, em áreas que vão desde o treino policial e militar, aos exercícios conjuntos, formação em serviços de informação e partilha de dados, segurança marítima, etc.

Se Timor-Leste quiser participar futuramente em qualquer missão humanitária, ou de manutenção de paz no estrangeiro, acho que o deverá fazer no quadro regional, sob uma estrutura e um comando regionais.

Por isso acredito que nos teremos de empenhar para envolver mais os nossos vizinhos nos sectores de defesa e segurança, para aprender e melhorar o nosso ajustamento e adaptação à região.

Estou muito satisfeito com os progressos registados pela nossa cooperação no sector da defesa com Portugal, um amigo distante, mas leal.

A recente visita ao nosso país de um grupo de 2.000 fuzileiros norte-americanos teve grande êxito e foi alvo de imensa simpatia popular. Pela sua presença e actividades desenvolvidas, os U. S. Sea Bees – “Abelhas do Mar” – são um dos melhores exemplos do ideal da cooperação bilateral no sector da defesa, abrangendo as vertentes militar e civil, por prestarem a tão necessária assistência às comunidades locais. Timor-Leste deseja um incremento desta frutuosa relação com os Estados Unidos.

Timor-Leste tem de se aguentar por si próprio. Não podemos continuar dependentes de amigos e vizinhos, ou da ONU para ver garantida a nossa segurança interna, a paz e a estabilidade. A comunidade internacional e a ONU foram sempre simpáticas e generosas, contribuindo com mais recursos per capita para esta pequena Nação do que para nenhuma outra no mundo.

Não será preciso dizer que nem todos estes recursos foram aplicados criteriosamente e em benefício dos mais carenciados, que são a maioria dos pobres. Todavia, não poderemos negar esta extraordinária boa vontade por parte da comunidade internacional. E tenhamos presente que há muitas comunidades e nações em todo o mundo ainda com maiores dificuldades e carências do que nós.

Nós não somos os eleitos de Deus, ou da ONU. Até Deus abandona os seus filhos e filhas que vivem em conflito permanente e em pecado. Portanto, mais facilmente a comunidade internacional desistiria se os líderes Timorenses, os políticos, os da sociedade civil, religiosa, académica, ou do sector privado, não percorrerem metade do caminho que os separa uns dos outros para, juntos, contribuírem para aliviar o nosso povo da extrema pobreza, dando-lhes a paz e a tranquilidade que tanto deseja e merece.

Quando em Fevereiro falei no Conselho de Segurança das Nações Unidas, prometi ao Secretário-Geral e a este órgão que a UNMIT será a última missão da ONU em Timor-Leste; disse ao nosso bom amigo o Secretário-Geral Ban Ki-moon que, quando terminar o seu actual mandato e iniciar o segundo, em 2012, Timor-Leste estará em paz e relativa prosperidade. Então, ele poderá pensar em Timor-Leste como um problema resolvido.

Enquanto alguns pseudo-intelectuais e jornalistas medíocres insistem em que Timor-Leste é um Estado falhado, eu digo, com a sabedoria de quem teve uma vida intensa e rica, e foi testemunha de triunfos e sobrevivente de tragédias: Timor-Leste está no bom caminho. Recuperámos da crise de 2006; depois de anos de estagnação, ou lento crescimento, a nossa economia registou um crescimento real de 12,7 por cento em 2008 e, de novo, de quase dois dígitos este ano. O País está em paz. Vemos sorrisos permanentemente, e alegria nos rostos e nos olhos das pessoas, sobretudo nos das nossas mulheres e crianças, o grupo mais vulnerável: Díli é uma cidade em crescimento exponencial, para o melhor e para o pior.

Há uma fé renovada na liderança política e nas instituições, de acordo com uma sondagem independente realizada há um ano pelo International Republic Institute, dos Estados Unidos, que dá ao Governo uma nota muito alta e ao Primeiro-Ministro uma margem de aprovação de 80 por cento; as F-FDTL e a PNTL obtiveram uma percentagem semelhante. A todos dou os mais sinceros parabéns.

Dr. Atul Khare, ao partir de Timor-Leste, fique seguro de que a UNMIT, sob a sua liderança, deu uma significativa contribuição para o bem-estar generalizado do nosso Povo, para o clima de paz e segurança em que hoje se vive no nosso País. A sua excelência profissional, humildade e honestidade, a sua sabedoria acumulada, com milhares de anos, vinda de uma antiga civilização, fê-lo querido de todos e merecedor da nossa confiança.

Como enviado da ONU, ou diplomata de um país, considero que quem é investido de uma missão para representar uma instituição, ou o seu próprio país, se quiser ter êxito tem de ser capaz de ganhar o respeito e a confiança da comunidade de acolhimento e dos seus líderes, através da discrição, humildade, honestidade e trabalho duro. O Senhor triunfou.

A si, meu amigo, Dr. Atul Khare, e Senhora Vandna Khare, não direi adeus, porque nos voltaremos a ver uma e outra vez. Desejo-lhe boa saúde, felicidade e prosperidade nos anos vindouros. Desejo ao seu grande país, a Índia, berço do imortal Mahatma Gandhi, paz e prosperidade. Possam os dirigentes indianos ser ungidos da sua antiga, rica e benevolente civilização para ajudar a levar a paz ao Sudeste Asiático e a toda a Ásia.

FIM
________________________________________________

(1) O Presidente Xanana Gusmão, o Primeiro-Ministro Mari Alkatiri e o Presidente do Parlamento Nacional, Francisco Guterres “Luo Olo”, escreveram cartas aos Primeiros-Ministros da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para os informar que a República Democrática de Timor-Leste pedia urgentemente assistência militar e da polícia. A 24 e 25 de Maio, a Austrália, Nova Zelândia e Portugal mandaram cartas ao Presidente do Conselho de Segurança e ao Secretário-Geral das Nações Unidas assegurando prontidão para o envio de forças de defesa e segurança para Timor-Leste, com o objectivo de dar assistência para a restauração da estabilidade, conforme o pedido do Governo de Timor-Leste. A 25 de Maio houve ainda uma troca de cartas entre Timor-Leste e a Austrália, convidando este país a mandar forças armadas para ajudar Timor-Leste. No dia seguinte foi celebrado um Acordo sobre o Estatuto das Forças, definindo os seus ”objectivos, direitos e privilégios”. O objectivo do destacamento da ISF era: a) dar assistência a Timor-Leste para a restauração da segurança, confiança e paz, compreendendo a reposição e manutenção da ordem pública; b) dar assistência à segurança e protecção de pessoas e propriedades em Timor-Leste, e supervisionar as ocorrências violentas e intimidatórias; c) se necessário, dar assistência para a evacuação de cidadãos Australianos e de terceiros países, incluindo pessoal das Nações Unidas; d) a pedido da UNOTIL, dar protecção e apoio a esta missão, substituindo-se nas suas tarefas; e) facilitar operações de assistência humanitária. A 26 de Maio, forças internacionais recém-chegadas fizeram a segurança no perímetro do aeroporto e em outras instalações sensíveis, incluindo a da UNOTIL, onde se refugiavam muitos Timorenses.

(2) A Força Internacional de Estabilização, liderada pelo Comandante Australiano Brigadeiro-General Michael Slater, foi formada por tropas da Austrália, Nova Zelândia e Malásia; integrava, ainda, uma companhia de reacção rápida da polícia Portuguesa com 140 elementos; ao todo, era constituída por 3.500 efectivos. A contribuição dada no auge da crise de 2006 é assim resumida:

Austrália – 3.000 efectivos: Brigada de Infantaria da Força de Defesa Australiana com 1 x Batalhão de Infantaria, mais duas companhias de infantaria, Esquadrão de Comando, Esquadrão de Engenharia no terreno, apoio armado (33 viaturas armadas para transporte de pessoal), apoio aéreo (8 x helicópteros Blackhawk, 4 x helicópteros Kiowa e reabastecimentos diários assegurados por um avião Hércules), apoio aos Serviços de Combate (logística, transporte, administração, etc.); presença da Marinha Real Australiana (3 navios).

Destacamento Internacional da Força de Reacção Rápida da Polícia Australiana, com 200efectivos aproximadamente, incluindo equipas “especiais”.

Nova Zelândia - 200 soldados
Força de Defesa da Nova Zelândia – Presentes, na maioria, tropas de Infantaria, com elementos suplementares para apoio.

Malásia - 300 soldados
Forças Armadas da Malásia - 300 comandos da 10/a Brigada de Pára-quedistas, incluindo viaturas armadas para transporte de pessoal. Presença da Marinha Real da Malásia (rotação de unidades navais no porto de Díli).

Portugal – 140 polícias GNR, com um total de 51 viaturas, seis delas APCs.



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Nova enviada especial da ONU para Timor-Leste

>> 20091203



Nações Unidas, 02 Dez (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, nomeou, hoje, Ameerah Haq, uma diplomata veterana do Bangladesh, como sua nova enviada especial para Timor-Leste.

A porta-voz da ONU, Marie Okabe, disse que o secretário-geral informou por carta o Conselho de Segurança sobre a nomeação, que visa substituir o indiano Atul Khare.

«A sua grande experiência como administradora em missões complexas ser-lhe-á muito útil no seu novo papel na Missão Integrada da ONU (UNMIT)», acrescentou a porta-voz.


© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.



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Polícias portugueses condecorados pela ONU

>> 20091005

"Díli, 05 Out(Lusa) - A missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) condecorou hoje 56 polícias portugueses que integraram a unidade de polícia da ONU (UNPOL) pelo contributo para a segurança e estabilização do país.

A cerimónia, que contou com a presença de várias individualidades, nomeadamente Atul Khare, representante especial do Secretário-geral da ONU, foi presidida pelo vice-primeiro-ministro, Mário Carrascalão.

Em nome do governo de Timor-Leste, Mário Carrascalão disse que "a melhor indicação de que a condecoração é merecida é revelada pela prática e não apenas pelas estatísticas que dizem que Timor é dos países mais seguros do Mundo e com menos crimes". (Visão | Lusa)

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PNTL assume autoridade no distrito de Lautem

>> 20090513

Imagem: Distrito de Lautém | Wikimedia
Edição: J. Patrick Fischer

"A Polícia Nacional de Timor-Leste assume quinta-feira a autoridade no distrito de Lautem (nordeste), um dos 13 do país, na sequência de um processo de avaliação em que foram seleccionados os de Manatuto (centro) e Oe-Cussi (enclave na Indonésia)." (JHM |Lusa |Expresso)

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GNR - Missões renovadas em Timor e Bósnia

>> 20090202

Foto: António Dasiparu, EPA

Está pronto para partir para Timor-Leste o sétimo contingente do sub agrupamento Bravo da GNR.
Após quatro semanas de aprontamento, os 140 militares que integram a missão voarão para Díli a 26 deste mês.

Em período de treino está ainda o terceiro contingente da missão da Guarda na Bósnia-Herzegovina, que deverá chegar a Sarajevo (capital daquele país ) na primeira semana de Abril.

A nova Unidade de Intervenção da GNR, constituída a 1 de Janeiro, dá a principal ‘fatia’ de militares para estas missões. O actual contingente sediado no bairro de Caicoli, em Díli, será rendido por 140 militares (106 operacionais e 34 elementos de apoio).

Integrado na missão das Nações Unidas para Timor (UNMIT), o subagrupamento Bravo da GNR será comandado pelo capitão Nuno Simões, um oficial de Infantaria que já tinha cumprido uma missão em Díli.

.../...

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'Leitmotiv'

>> 20080627

"East Timorese place great value on their sacred houses, uma lulik.The uma lulik are used to store sacred ancestral heirlooms and are often the site for traditional ceremonies. In the eastern part of the contry, the uma lulik is built on posts roughly 2 meters high. An uma lulik in Raca Village, Lospalos. " (Martine Perret / UNMIT)

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É necessário "apoiar o Governo e o povo de Timor-Leste (Ban Ki-moon)

>> 20071214

Antonio Dasiparu, EPA @ RTP

"O secretário-geral das Nações Unidas afirmou hoje em Díli que a lenta reconciliação de Timor é responsável pela “impaciência e frustração” da comunidade internacional. Ban Ki-moon lembrou aos timorenses que “é muito mais difícil construir do que demolir”.
(...)
O secretário-geral das Nações Unidas clarificou o discurso proferido no Parlamento Nacional de Timor-Leste onde apelou a este órgão “e a toda a liderança timorenses para trabalharem em conjunto e dar primazia aos interesses colectivos do povo timorense”.
(...)
O Presidente da República de Timor-Leste pediu ao secretário-geral a presença da UNMIT “pelo menos até 2011 ou 2012”. José Ramos-Horta não quer uma “retirada precoce” da ONU do país." (notícias.rtp.pt em 2007-12-14)
Notícia relacionada:

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Relatório sobre Direitos Humanos

>> 20071127


"Dili: 8 de Novembro de 2007

O relatório sobre direitos humanos publicado hoje informa que os cidadãos Timorenses desfrutam de uma série de direitos humanos que incluem liberdade de expressão, direito de crítica ao governo, liberdade de reunião e liberdade religiosa. Contudo, várias áreas ainda encontram desafios à garantia da efetivação dos direitos humanos.

O relatório da UNMIT, elaborado pelo setor de Direitos Humanos e Justiça Transitória, engloba o período de Agosto de 2006 a Agosto de 2007. Ele apresenta um resumo dos principais desenvolvimentos na área de direitos humanos no período, bem como uma lista de recomendações. O relatório constata que desde a crise do ano passado, a situação de segurança foi controlada de forma geral, embora relatos ocasionais de violência ainda aconteçam, como o ocorrido em Agosto de 2007.

O relatório afirma que as eleições presidenciais e parlamentares deste ano aconteceram em um ambiente livre de violência e intimidação, onde todos puderam exercer seu direito de expressão eleitoral. A expansão das atividades do Gabinete do Provedor de Direitos Humanos e Justiça (PDHJ), a posse de vários juízes, promotores e defensores públicos em caráter nacional, bem como o recente avanço feito pelo governo no envio dos relatórios de tratados constituem passos importantes nessa jornada.

Apesar destes acontecimentos importantes, ainda restam alguns desafios na área de direitos humanos. O alto número de deslocados vivendo em campos improvisados e a falta de progresso em direção a soluções duradouras são preocupantes. A violência contra a mulher é comum e um antigo projeto de lei contra a violência doméstica ainda aguarda aprovação.

O acesso eficaz à justiça é limitado, pois o sistema judicial continua frágil, especialmente nos distritos. O acúmulo considerável de casos pendentes dificulta o trabalho dos tribunais, tendo um impacto negativo sobre o direito de amparo legal às vítimas. Os mecanismos legais para a resolução de questões ligadas á propriedade, tais como a lei de direitos sobre a propriedade, que também é um obstáculo para a resolução de problemas ligados aos deslocados, ainda são inexistentes.

O relatório também apresenta várias recomendações voltadas ao fortalecimento da promoção e proteção dos direitos humanos no Timor-Leste.
“O Timor-Leste ainda enfrenta desafios consideráveis. Contudo, o compromisso assumido pelo Governo Timorense no tocante aos direitos humanos ajudará a criar um ambiente benéfico para todos os cidadãos”, disse o Representante Especial do Secretário Geral no Timor-Leste, Sr. Atul Khare.

“A UNMIT está pronta para apoiar o Governo e o povo Timorense neste processo,” conclui o Sr. Khare.
Para obter a versão completa do relatório, visite o site www.unmit.org " (UNMIT )

ADENDA: Se clicar AQUI terá acesso directo ao relatório na sua versão original e completa.

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