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Coligação de três partidos irá formar o Governo de Timor-Leste

>> 20120725


Foto: google search

O Presidente Taur Matan Ruak informou, esta segunda-feira, 23 de Julho, que uma coligação de três partidos irá formar o novo Governo de Timor-Leste.
O anúncio foi dado aos líderes dos três partidos, CNRT, PD e Frenti Mudança, numa reunião que decorreu ontem no Palácio Presidencial.

O líder do Partido Democrático (PD), Fernando Lasama de Araújo, disse que os três partidos ainda têm que discutir se a FRETILIN poderá vir a estar envolvida no novo Governo.

O Primeiro-ministro e Presidente do CNRT, Xanana Gusmão, disse que a estrutura do novo Governo vai ser debatida pela coligação antes de ser apresentada ao Presidente.

A conferência nacional do CNRT decidiu, na semana passada, convidar os dois menores partidos para se juntarem ao novo Governo.

A violência irrompeu em Díli e Vikeke, quando conhecida a decisão de excluir a FRETILIN. Os apoiantes do partido revoltaram-se com comentários feitos na conferência. A Polícia Nacional e as F-FDTL tiveram que intervir.

Líderes da FRETILIN têm apelado aos adeptos para contribuírem para a estabilidade e pediram aos dirigentes do CNRT para se desculparem dos seus comentários.

Representantes da FRETILIN tiveram um encontro com Xanana Gusmão para discutirem a estabilidade mas a FRETILIN não assinou qualquer acordo com as três partes, segundo uma fonte do partido.

«Os quatro partidos assinaram um acordo político, mas não o debatemos ainda. Depois de o termos feito, vamos apresentá-lo ao Presidente da República», disse Xanana Gusmão.

O Primeiro-ministro falou aos jornalistas após um encontro com o Presidente, esta segunda-feira, 23 de Julho, em Díli, para discutir a formação do novo Governo. Xanana Gusmão informou o presidente de que os três partidos estavam prontos para formar o novo Executivo.

Os ministros ou secretários de Estado que participaram do actual Governo e que tenham falhado nos seus papéis, não serão reeleitos. Segundo Xanana Gusmão, os membros do novo gabinete ainda não foram confirmados.


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Partido de Xanana Gusmão reunido para discutir cenários de governação

>> 20120711


O Conselho Nacional da Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), partido de Xanana Gusmão, que venceu sem maioria absoluta as eleições legislativas de sábado no país, disse hoje que a sua formação continua reunida a discutir cenários de governação.

Segundo os resultados distritais provisórios divulgados domingo pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) timorense, o CNRT obteve 30 dos 65 lugares do parlamento timorense, não conseguido a maioria absoluta desejada para governar.
"Continuamos a discutir", disse hoje à agência Lusa o secretário-geral do CNRT, Dionísio Babo.
Na segunda-feira, Dionísio Babo explicou que o partido iria em primeiro lugar discutir possíveis cenários e só depois contactar os partidos políticos para uma eventual coligação.
À primeira vista uma eventual coligação poderá ocorrer com o Partido Democrático (PD), de Fernando La Sama de Araújo, que faz parte do atual executivo de Aliança de Maioria Parlamentar, liderado por Xanana Gusmão, que governou o país nos últimos cinco anos.
Nas legislativas de sábado, o PD conseguiu eleger oito deputados e já admitiu que poderá fazer uma coligação com o CNRT.
Contactado hoje pela Lusa, António da Conceição, secretário do Conselho Político Nacional do PD, disse que o partido mantém a posição de "andar" com o CNRT, mas que ainda não houve contactos formais entre os dois partidos.
A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), do antigo chefe de Governo Mari Alkatiri, e que conseguiu 25 assentos parlamentares, também já disse estar disponível para contribuir para uma aliança programática.
Na segunda-feira, Mari Alkatiri disse que a Fretilin está pronta para contribuir para uma governação de aliança que seja credível.
"Tão cedo não haverá novidades. Isto não dá para tratar de um dia para o outro", disse hoje Mari Alkatiri.
A Frente Mudança, do vice-primeiro-ministro José Luís Guterres, partido nascido de uma cisão da Fretilin, foi o último que conseguiu representação parlamentar nas legislativas de sábado, elegendo dois lugares no hemiciclo.
A Comissão Nacional de Eleições iniciou hoje o apuramento nacional dos resultados das eleições, tendo até sexta-feira para os remeter para o Tribunal de Recurso.
O Tribunal de Recurso terá depois também um prazo de 72 horas para se pronunciar sobre os resultados.
Só depois de anunciados os resultados oficiais pelo Tribunal de Recurso e publicados no Jornal da República é que o Presidente de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, deverá convocar os partidos para encontros e pedir ao partido mais votado ou à aliança de partidos com maioria parlamentar para formar governo.
A Constituição de Timor-Leste não define prazo para a tomada de posse dos membros do Governo, mas o mandato do executivo termina a 08 de agosto, precisamente cinco anos depois da sua posse.
Depois de divulgados os resultados em Diário da República, o parlamento tem 15 dias para dar posse aos novos deputados.
MSE.
Lusa/Fim
@ Agência Lusa

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Timor-Leste: CNRT vence Eleições Parlamentares

>> 20120709



Fonte: STAE

Os resultados provisórios das Eleições Parlamentares deste sábado, 7 de Julho, indicam que o CNRT de Xanana Gusmão venceu, mas sem maioria absoluta.

De acordo com os resultados provisórios divulgados este Domingo pela Secretaria Técnica da Administração Eleitoral (STAE), o CNRT conquistou 30 assentos, com 172,831 votos.

A Fretilin obteve 24 lugares, com 147,786 votos e o Partido Democrático (PD), conquistou oito deputados, com 48,581 votos. A Frente de Mudança, com 14,517votos, conquistou dois assentos parlamentares. 

O CNRT, a Fretilin o PD e a Frente de Mudança ganharam 63 dos 65 assentos. Os dois restantes deverão destinar-se ao partido KHUNTO, que obteve 13.998 votos.

O CNRT conquistou a maioria dos votos em nove distritos: Díli, Manatuto, Oekusi, Liquiçá, Bobonaro, Ainaro, Aileu, Ermera e Covalima. A FRETILIN ganhou a maioria dos votos nos restantes quatro distritos: Lautém, Vikeke, Baucau e Manufahi.

Na eleição de 2007, a FRETILIN obteve 21 deputados, mais três do que o CNRT, mas o partido de Xanana Gusmão acabou por formar um Governo de coligação.

O CNRT começou a campanha eleitoral deste ano no distrito de Lautem, e terminou em Oe-Cusse, na passada semana.

Em Díli, o CNRT teve 45,453 votos, enquanto a FRETILIN conquistou 26.059. Logo após os resultados preliminares, foi anunciado que o secretário-geral do PD, Mariano Sabino Assanami, e o vice-Presidente Adriano Nascimento, reuniram na sede do CNRT.

Mariano Sabino Assanami recusou-se a comentar publicamente a reunião, mas o secretário-geral do CNRT, Deonisio Babo, disse que os líderes do PD estavam lá para felicitar o seu partido pelos resultados das eleições.

O Presidente da Frente de Mudança, José Luís Guterres, também fez uma visita à sede do CNRT ontem à tarde. Xanana Gusmão, Presidente do partido vencedor, recebeu-o com um sorriso e um abraço.

«A sua casa ficou mais forte depois destas eleições», disse José Luís Guterres a Xanana Gusmão.

Dos 645,642 eleitores registados, 482.792 participaram nesta Eleição Parlamentar. Destes votos, 471.389 foram válidos. A abstenção foi de 162.832 eleitores.

Fontes revelaram que os dois líderes partidários já começaram as negociações para formar o novo Governo.

O secretário-geral do CNRT, Dionísio Babo, disse que seu partido ainda não tinha tomado qualquer decisão sobre a formação de Governo, mas colocará os interesses da nação acima dos interesses do partido.

«Primeiro deve-se colocar os interesses do Estado na parte superior, e os do partido em segundo lugar, pensando no que é melhor para as pessoas», referiu Dionísio Babo, na sede so CNRT, no Bairro dos Grilos.

O Presidente da FRETILIN, Francisco Lu-Olo Guterres, disse que seu partido irá trabalhar com o vencedor da maioria dos assentos, no novo Governo.

«A FRETILIN vai, de facto, participar neste novo Governo, mesmo com a vitória do CNRT» referiu Francisco Guterres, acrescentando que é importante para garantir a paz e estabilidade, trabalhando para o desenvolvimento futuro de Timor-Leste.

O secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, disse que o resultado da eleição mostrou que os timorenses querem fortalecer a unidade nacional.
«A FRETILIN vai participar na governação 2012-2017. A nossa participação já está garantida», referiu Mari Alkatiri, pedindo aos apoiantes para manterem a paz.

«Deixo o meu apelo aos apoiantes da FRETILIN, e também do CNRT, partidos que pode sentar-se juntos para procurarem um caminho em conjunto, a fim de fixar a nossa estabilidade», referiu.

O Bispo da diocese de Díli, Alberto Ricardo, disse que a Igreja Católica de Timor-Leste espera que o modelo do novo Executivo seja «um Governo de unidade nacional», e pediu a todos para receberem bem o resultado das eleições.

«Nós devemos receber e abraçar-nos uns aos outros, com a cooperação e na unidade da nossa nação, para esta caminhar para frente e olhar para o progresso que nós queremos», disse o Bispo Ricardo.

«O novo Governo deve amar o país e o povo de Timor-Leste e libertá-lo da pobreza. A nossa nação tem pobreza e corrupção. Esperamos que estes problemas sejam resolvidos» referiu o Bispo, acrescentando que os governantes devem distanciar-se dos interesses dos partidos.

«Todos devem pensar sobre o bem de Timor-Leste e não apenas num indivíduo ou partido, mas no bem de todo o país», concluiu.



   

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Xanana vence em Timor-Leste



Em Timor-Leste, o CNRT de Xanana Gusmão venceu as eleições legislativas, mas não conquistou a maioria dos lugares no parlamento. O Governo deverá ser agora feito a partir de uma coligação.

Xanana vence em Timor
Joana Tadeu, RTP
08 Jul, 2012, 15:17 / atualizado em 08 Jul, 2012, 15:29

O Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), o partido de Xanana Gusmão, venceu sem maioria as legislativas de sábado com 36,66 por cento dos votos, conseguindo obter 30 dos 65 lugares no parlamento timorense. O secretário-geral do CNRT, Dionísio Babo, informou os jornalistas de que poderá haver uma coligação governamental, sem precisar pormenores, depois de Xanana Gusmão ter dito ontem que afastava a hipótese. Hoje, o secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, disse que ninguém vai conseguir formar governo sozinho e que o seu partido está pronto para se coligar com quem quer que seja.
Depois de contados os votos das eleições legislativas de sábado pelo Secretariado Técnico da Administração Eleitoral, cujos resultados serão oficialmente confirmados nos próximos dias, o Conselho Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) saiu vencedor, sem maioria, com 36,66 por cento dos votos, conseguindo obter 30 dos 65 lugares no parlamento timorense, a três da maioria absoluta.

O primeiro presidente da República de Timor-Leste, atual primeiro-ministro do país e herói da revolução, Xanana Gusmão, verá o mandato renovado nos próximos dias e, segundo o que o seu secretário-geral, Dionísio Babo, disse à agência Lusa, prepara-se para uma coligação governamental.
Resultados provisórios

CNRT: 36,66 por cento, 30 deputados
Fretilin: 29,87 por cento, 25 deputados
PD: 10,31 por cento, 8 deputados
Frente Mudança: 3,11 por cento, 2 deputados

Total: 65 lugares no Parlamento, divididos por 4 partidos.


Em segundo lugar, com 29,87 por cento dos votos, fica a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) de Mari Alkatiri, com 25 assentos parlamentares, seguida do Partido Democrático, liderado por Fernando 'La Sama' de Araújo, que obteve 10,31 por cento dos votos e oito cadeiras no Parlamento, e a Frente Mudança, liderada por José Luís Guterres, atual vice-primeiro-ministro, com 3,11 por cento dos votos e dois representantes eleitos.


http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=568829&tm=7&layout=121&visual=49


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Simão Barreto: “Enquanto Mari Alkatiri dirigir a Fretilin, esta não ganhará”

>> 20120618


A música antes da política ou em pé de igualdade?
Como cidadão, evidentemente que sou político, isso é inerente à própria condição da pessoa. Mas acontece que sou músico, a minha vida é preenchida de música e para a música.

Aceitaria acumular a música ao exercício de um cargo político? Candidatar-se a deputado, por exemplo.
Se for convidado e perfilhar ideias que defendo, sou capaz de aceitar.

Como observa a actualidade política timorense em vésperas de eleições?
Logo a seguir à independência, não houve verdadeiramente eleições para o parlamento, porque o então representante máximo das Nações Unidas, Sérgio Vieira de Melo, decidiu, parece que para poupar dinheiro, aproveitar as eleições para a Assembleia Constituinte e do resultado delas erguer-se a Assembleia da República. Até certo ponto justificou-se, terá sido confortável, mas também até certo ponto foi, politicamente, uma decisão errada.

E a seguir, nas presidenciais, o eleitorado votou Xanana Gusmão…
Certo. Mas insisto, deviam ter promovido eleições legislativas e não fizeram. Se tivessem criado essas eleições, deixando os cidadãos elegerem os parlamentares, a Fretilin (Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente) não teria ganho com maioria absoluta e Mari Alkatiri talvez não fosse chefe do governo. Para a Constituinte, o povo votou maioritariamente na Fretilin, ainda a pensar no fantasma da Indonésia. Nada prova que, para as legislativas, o sentido de voto fosse exactamente o mesmo.

A Fretilin, nas eleições de 2007, foi novamente vencedora.
Ganhou, mas não com maioria absoluta! Para formar governo andou a tentar fazer coligações, só que nenhum partido aceitou coligar-se com a Fretilin. Foi quando Xanana Gusmão criou o CNRT (Conselho Nacional da Reconstrução de Timor), juntou uns partidos e lá se fez uma maioria parlamentar para que a Fretilin conseguisse governar.

Têm-se entendido?
Fizeram um esforço para isso. Mas já todos sabemos que a Fretilin, embora sendo um partido grande, não tem a força e a influência que alguns supunham, até pela razão de se ter vindo a fragmentar, dando origem a vários partidos. Por exemplo, grande parte da juventude, sector da sociedade que maioritariamente apoiava a Resistência e a Fretilin, foi para o PD (Partido Democrático), dirigido por La Sama. Sem esquecer que outra significativa dissidência é a Fretilin Mudança, que não aceita a linha dura imposta por Mari Alkatiri. Fretilin Mudança que se coligou com Xanana e o CNRT.

Nota algum desgaste nos partidos ou alguma carência de pedagogia política, por parte de políticos e cidadãos?
Tentam exercer pedagogia, mas não é fácil. Veja-se em Portugal e na Europa, que pedagogia política existe?

O que diz do panorama político em Timor-Leste a poucos dias das eleições?
Chegados a este tempo, o panorama mudou bastante. Por exemplo, os partidos que fizeram parte da chamada maioria parlamentar que tem governado já não possuem tanta influência no eleitorado. O novo cenário, com forças políticas novas que se formaram e estão a formar-se, irá agora ter uma palavra decisiva, nestas eleições que se avizinham.

Qual é a novidade político-partidária em Timor?
Sem dúvida, a coligação das formações políticas lideradas pelo antigo presidente Ramos Horta, pelo PD, dirigido pelo presidente da Assembleia da República, Fernando La Sama, e pelo PNT (Partido Nacionalista Timorense), de Abílio Araújo. Esta frente política eleitoral será ainda mais reforçada com outros partido políticos, como se espera. A Fretilin, a da linha dura, também queria coligar-se, mas não foi aceite, pois como condição impunha Alkatiri para primeiro-ministro, no caso de vitória eleitoral. Isso não foi aceite.

Qual a figura indicada por esta nova coligação para o cargo de primeiro-ministro?
Naturalmente que Ramos Horta!

Pelo que diz, parece que a Fretilin, perdeu um pouco da sua imagem de indiscutível, por força da sua estreita ligação à Resistência.
Sobre isso, repito o que tenho ouvido a muitas pessoas, inclusivamente a militantes desse partido: enquanto Mari Alkatiri estiver à frente da Fretilin, esta força não ganhará a maioria absoluta. No fundo, quem está prejudicando a Fretilin é ele. No dia em que Alkatiri sair da Fretilin, o partido sairá beneficiado.

Nas eleições de 7 de Julho os timorenses fora do país continuam a não poder votar?
Sim, infelizmente. Dizem que é tudo uma questão técnica, segundo o actual ministro dos Negócios Estrangeiros. Não somos muitos, mas temos direito a fazer ouvir a nossa vontade através do voto. Se em Portugal, por exemplo, somos mil ou 2 mil, na Austrália somos 40 mil. No meu entender é falta de eficiência. Espero bem que não seja intencional esta lacuna inconcebível que se arrasta no tempo e que os timorenses da diáspora não gostam nada. Não devo dizer que é intencional esta falha grave. Mas digo que esta morosidade, este horrível atraso, é imperdoável.

Algumas notícias dão conta de uma aparente fragilidade no actual governo. A ministra da Justiça anda a contas com a própria Justiça… Está turvo o ambiente no governo?
Não está turvo, a situação é clara: quem ganhará as eleições é quem irá governar. Os tribunais e a Justiça é que condenam os que prevaricam, eu não posso dizer nada, desconheço pormenores.

O Fundo do petróleo, qual a situação?
Está depositado na América, destinado a um fundo de investimento.

Será intocável?
Por 20 anos, sim. Faltam 10.

O povo timorense já sentiu alguns frutos oriundos da exploração petrolífera?
Já, sim, felizmente está a sentir. Houve quem, sucessivos governos, pretendesse mexer nesse Fundo, directa ou indirectamente. O que lá está, pertence ao Estado timorense. Quando legalmente tiver de ser tocado, deverá ser sempre em favor do povo, do país.

Como vê o papel da igreja católica?
A igreja católica fez o seu papel durante a resistência. Actualmente, faz um esforço por não se imiscuir na política.

Mas mantém bastante influência junto das populações?
Sim, mas as populações também já aprenderam como devem comportar-se perante as eleições e a política na generalidade. Podem não saber ler nem escrever, mas as pessoas sabem bem o que querem.

A propósito, ciclicamente tem-se conhecimento de polémicas sobre a propagação da língua portuguesa em Timor-Leste, a forma da sua utilização…
A língua portuguesa é também língua oficial, juntamente com o tétum. Alguns dizem que com a utilização da língua portuguesa há coisas que não funcionam. Não é bem assim, e as que não funcionam um dia destes vão funcionar, para tudo há uma questão de tempo. O que nós não queremos é abdicar do português, nem do tétum, em favor do inglês ou do bahasa indonésio que nada tem a ver connosco. Certas personalidades é que queriam impor coisas anti-naturais.

Existem factores que contrariam a perfeita evolução do ensino da língua portuguesa em Timor-Leste?
Existem, pois. Desde logo a televisão indonésia, que entra fortemente pelo nosso país. Evidentemente que há casos de necessidade de falar bahasa indonésio, é um dos meus materiais de trabalho, como será o de muitas pessoas. As crianças, não. No entanto, muitas crianças andam falando mais o bahasa e o inglês do que outras línguas, do que português.

O que diz sobre a aceitação dos professores portugueses em Timor?
Evidentemente que são bem aceites, porque os portugueses são sempre bem aceites. Eu sou timorense e português, tenho os dois passaportes com muito orgulho. Conheço muito bem e gosto muito dos portugueses, mas de muitos daqueles professores não gosto da maneira como resolvem viver em Timor-Leste. Isolam-se, vivem num gueto, somente entre eles, não se misturam com o povo, ficam longe da realidade autêntica do país onde trabalham. Muito daquele povo timorense fala português e quer aprender a falar cada vez mais. E essa gente que ensina língua portuguesa deve também aprender a falar tétum, até porque é uma língua oficial.

As relação institucionais e afectivas entre Timor-Leste e Portugal permanecem em alta?
São óptimas. Não esquecemos que o povo português sempre foi muito amigo do povo timorense.

Sendo um timorense de gema, mas também um português autêntico, o seu coração divide-se por duas pátrias?
No meu coração cabe tudo. Os meus dois passaportes viajam sempre comigo. E sou do maior clube do mundo que é o Benfica!

Metendo música na política. A 30 de Maio, em Pequim, o maestro esteve presente, dirigindo um concerto de celebração do 10º Aniversário da Restauração da Independência de Timor-Leste. Como foi?
Momentos inesquecíveis! Fui convidado pela Embaixada de Timor-Leste em Pequim, através da nossa embaixadora Vicky Tchong. Esteve presente o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias Costa. Dirigi o Quarteto Lafaek, que significa Crocodilo e tem a ver com o nosso símbolo, uma antiga lenda. Juntamente com a célebre soprano chinesa Xia Yu, interpretámos peças de minha autoria, temas tradicionais timorenses e de autoria de Xian Xing Hai. Destaco que foram cantados poemas em português, de Miguel Torga, Ricardo Reis e do poeta e prosador natural de Díli Fernando Sylvan. Foi uma cerimónia lindíssima e muito emocionante, de homenagem a Timor-Leste, e também de homenagem a Portugal, pois eu também sou português, somos povos amigos e irmãos.

E tudo isso na capital da China.
A China sempre foi um país nosso amigo. Esta celebração é também uma homenagem à China e ao povo chinês que nunca nos abandonou durante a luta até hoje, que somos nação independente. Mesmo quando outros nos abandonaram. É com mágoa que dizemos que Portugal nos abandonou. Não o povo português, mas Portugal como instituição formal, quando a Indonésia, não o povo, mas quem deu ordens, nos invadiu e massacrou. A China nunca nos abandonou, continua a dar-nos valiosos auxílios, com o seu dinheiro e com os seus técnicos. Timor-Leste deve muito à valiosíssima ajuda da República Popular da China.

O seu sonho, o desejo maior neste momento, em relação a Timor?
Que fosse possível construir um edifício que alojasse a Escola de Música em Díli. Tenho enorme esperança de que em breve seja possível.

Qual é o seu político timorense de referência?
Há um homem que muito respeito, por ser um grande político, com gigantesca capacidade. Esse homem é Ramos Horta.

http://hojemacau.com.mo/?p=35274



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E as coitadas das flores

>> 20120616

... não têm direito a viver?

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Ramos Horta condecora Fretilin com o Colar da Ordem de Timor-Leste

>> 20120518



O Presidente da RDTL Dr. Ramos Horta, em cerimónia solene no Palácio Presidencial, entrega ao Partido FRETILIN a Condecoração o Colar da Ordem de Timor-Leste.



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Partido FRENTI-MUDANÇA constituído e pronto para as eleições de 2012

>> 20110721


Foto: Arquivo UMALULIK


A FRENTI-MUDANÇA irá competir com o partido FRETILIN nas eleições em 2012



Dili – O Partido Frente Reconstrução Nacional Timor-Leste–Mudança (FRENTI-MUDANÇA), foi oficialmente notificado, pelo Tribunal de Recurso (TR), como partido politico para concorrer às eleições gerais em 2012, como força política. Segundo as notícias do Jornal Nacional Diário (JND), na sua edição de Terça-Feira (19/07), ”a decisão final do Tribunal de Recurso institui a FRENTI-MUDANÇA como partido, para competir nas eleições gerais em 2012 (JND,19/07/2011, pag. 1 e 15)”.


Por outro lado, o Secretario-Geral do Partido Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN), Mari Alkatiri, afirmou, no último congresso Distrital de Dili, do partido: “A Fretilin irá garantir a vitória esmagadora com uma maioria de 60% nas eleições gerais em 2012 (in Timor Post, 19/07/2011, pág.19) ”.


A esta afirmação, responde o fundador do Partido Frenti-Mudança, Vicente Maubocy, dizendo que “O Partido FRENTI-MUDANÇA irá competir com o partido FRETILIN, da liderança de Mari Alkatiri, nas eleições de 2012”.



Continua Vicente Maubocy: “O dr. Mari Alkatiri fez afirmações que são apenas um discurso político para desviar as atenções dos problemas internos e satisfazer-se psicologicamente. Na verdade, ele (Mari Alkatiri) apresenta dados ao efectuar uma análise sobre a sua previsão de alcançar uma vitória de 60% nas legisltaivas em 2012”, questiona o Fundador do Partido FRENTI-MUDANÇA.


“Como é que o Partido FRETILIN, liderado por Mari Alkatiri poderá ser vencedor e recuperar os votos perdidos dos que não votaram na FRETILIN nas eleições legislativas de 2007? Ainda por cima, com a existencia legal da FRENTI-MUDANÇA, sendo esta uma alternativa credivel e um espaço político para os eleitores da FRETILIN, que não se identifcam com o rumo do partido e a liderança de Mari Alkatiri, eles irão votar na FRENTI-MUDANÇA”.


No congresso do Partido FRETILIN em Maio de 2006, existiam duas listas que foram concorrentes à liderança do partido. Uma lista liderada pela dupla Lu´olo/Mari Alkatiri e outra lista, liderada por José Luis Guterres, que se candidatou ao cargo de Secretario-Geral e grupos da Fretilin Mudança (GFM), com destacados membros, como Vitor Costa, Vicente Maubocy, Jorge Teme, Cesar Moreira e entre outros. Naquela altura, a mesa do congresso, liderado por Estanislau da Silva, não deu à lista alternativa oportunidade de intervenção no congresso. O GFM desistiu do combate político contra a facção de Lu´olo/Mari Alkatiri. Também surgiram rumores de que haveria grupos armados infiltrados no congresso para intimidar os opositores à liderança de Mari Alkatiri. Nas eleições de 2007, o GFM suportou a candidatura do José Ramos Horta para as Presidenciais e alinhou com o CNRT, de Xanana, nas eleições legsilativas. O GFM, depois de efectuar uma longa consulta aos militantes e simpatizantes, finalmente constitui-se como um força política que irá concorrer às eleições gerais de 2012.






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Lê-se no blog Eça que Rogério Lobato se vai candidatar

>> 20110109


Num post editado no blog Eça, de sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011, pode ler-se:

"Rogério Lobato candidato a Secretário-Geral da Fretilin?

Segundo consta, Rogério Lobato - irmão de Nicolau Lobato, morto em combate a 31 de Dezembro de 1978, cuja efeméride o Estado timorense assinalou pela primeira vez no passado 31/12, no Palácio Presidencial - está a iniciar contactos para se candidatar a Secretário-Geral contra a recandidatura do actual SG da Fretilin, Mari Alkatiri, no próximo Congresso da Fretilin.

Consta ainda que Rogério Lobato se candidata ao cargo de SG a fim de ter um palco para denunciar interesses de - segundo dizem - um pequeno grupo que está e sempre esteve a aproveitar-se do sofrimento de outros para sobreviver.

Consta também que no próximo Congresso da Fretilin 2011, Rogério Lobato vai esclarecer - de entre outros assuntos - quem decidiu mandar distribuir armas e criar milícias na crise de 2006, e vai dizer ao Congresso quem autorizou a entrada de homens armados em pleno congresso do partido de 2006 para inviabilizar a candidatura de José Luís Guterres e coagir os congressistas a votarem, de braço no ar, no único candidato Mari Alkatiri.

"

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Abram-se estradas, faça-se luz e que a água corra tranquilamente!

>> 20100504


Atitude sensata, parece-me a mim que até sou estrangeira ... Já vi a falta que a água, a luz e o isolamento fazem sofrer ... pelo que espero que a tal lei seja mudada e dinheiro investido devidamente. Este povo merece viver à altura da sua dignidade e força.




 (...) Já Manuel Tilman, que preside à comissão parlamentar de Economia, Finanças e Combate à Corrupção, defendeu no debate ser mais prudente manter o Fundo Petrolífero como está, afirmando não ver necessidade de rever a Lei
“Neste momento não é preciso alterar a Lei, porque está a funcionar bem”, disse. (...)" (Notícias de Timor-Leste)
***** :/ *****

Observação:
  • Hummmm ... e que tal ... umas semanitas em locais que não sejam capitais de distrito e então ver como é não ter água e/ou luz, nem meio de transporte ou comida?! ...

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Parabéns Dr. Adérito de Jesus Soares nesta sua missão

>> 20100203

imagem via Tempo Semanal


Parabéns ao Dr. Adérito de Jesus Soares pela integridade que sempre tem demonstrado e que se espera seja profícua neste seu cargo de extrema responsabilidade, enorme expectativa e atenção que sobre ele recai. Estamos seguros que assim será!

Neste momento, sanado "o circo de gazetas" por parte dos deputados da Fretilin a uma questão de extrema importância, eis que a marmota trincou o rabo. Vá lá, mais vale tarde que nunca. O curioso é que agora uns falam de um grande consenso, alargado, quando se opuseram desde o início a esta escolha. Só não via isso quem não queria. Perdeu-se muito tempo.


Alguns interessantes excertos de uma crónica perda de tempo, para que a memória não seja deturpada. A 10 de Dezembro de 2009 podia ler-se por aí:


"
Os deputados da FRETILIN rejeitaram a sentar-se no Parlamento, porque discordam da candidatura do Dr. Adérito de Jesus Soares. Soares foi o primeiro líder da bancada da FRETILIN na Assembleia Constituinte 2001-2002 - e deixou o cargo em 2002 / 2003 negando a reclamar os benefícios da sua pensão, como ex-membro do Parlamento. Ele foi o timorense que rejeitou os apelos feitos por Xanana Gusmão para sentar-se na Comissão da Verdade e Amizade de Timor-Indonésia."

"
Fontes do Tempo Semanal dentro da FRETILIN disseram que a FRETILIN está a boicotar a sua presença no Parlamento, porque não estão de acordo com a candidatura do governo. Uma dos deputados da FRETILIN disse que Adérito traiu a FRETILIN, porque ele estava envolvido no Grupo Fretilin Mudança, que em 2006 apresentou um caso ao Tribunal de Recurso contra os líderes da FRETILIN, Mari Alkatiri e Lu Olo, sobre a forma em que foram reeleitos para as posições executivas no partido da FRETILIN em Maio de 2006."

Já se está mesmo a ver o que se segue.


Sobre Adérito de Jesus Soares, eis alguns dados que podem interessar para se ver um pouco da postura nestes últimos anos.

Adérito de Jesus Soares, advogado, académico e activista de direitos humanos, tornou-se agora o primeiro Comissário da Comissão Anti-Corrupção, uma iniciativa do Governo de Xanana Gusmão.


Finalmente o Parlamento Nacional conseguiu reunir o quórum necessário e foi votada por maioria absoluta a candidatura de Adérito de Jesus Soares, algo que se arrastava faz bastante tempo com a intransigente tomada de posição, aliás falta dela até agora, por parte dos deputados da Fretilin, tendo apenas agora chegado a bom-porto esta decisão.


Pessoa altamente respeitada, fundador e membro do conselho de administração da
La'o Hamutuk, uma importante ONG em Timor-Leste que monitoriza e reporta sobre as actividades do Governo e sobre as principais instituições internacionais presentes em Timor-Leste.

Fez parte da administração do Projecto de Monitorização do Sistema de Justiça em Timor-Leste e do Fórum de ONG's aquando do seu estabelecimento em 2000.


Enquanto advogado trabalhou juntamente com a Unidade de Direitos Humanos da UNMIT e com o PNUD de forma a prestar formação em direitos humanos a todos os Deputados timorenses em 2004, tendo igualmente agido como advogado de defesa em vários processos políticos na Indonésia.

Foi também coordenador de advocacia de direitos humanos no
Instituto de Política, Investigação e Advocacia de Jacarta.

Adérito de Jesus Soares é reconhecido como tendo sido um agente importante na redacção da Constituição da República Democrática de Timor-Leste. Encontra-se a fazer um doutoramento em Direitos Humanos Internacionais em Camberra, na Austrália.

Desde a independência Adérito de Jesus Soares foi indicado para diversas posições
importantes, incluindo para Provedor e Comissário da Comissão de Verdade e Amizade. A nomeação como Comissário da Comissão Anti-Corrupção é a primeira posição que aceita.

"O Secretário de Estado Ágio Pereira referiu que o Sr. Adérito de Jesus é um homem de princípios e que agirá de forma independente, conforme os melhores interesses do Povo de Timor-Leste. Ágio Pereira congratulou todos os Deputados por terem tomado uma decisão tão sensível como esta com um profundo sentido de dignidade, a fim de salvaguardar os interesses nacionais. Ágio Pereira acrescentou "Esta demonstração de liderança por parte de todos os Deputados de Timor-Leste vem demonstrar uma vez mais a maturidade e a firmeza dos processos democráticos timorenses.""

"Esta é a primeira iniciativa anti-corrupção alguma vez implementada em Timor-Leste, só
tendo sido possível graças à liderança inexorável do Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana, que acredita que Timor-Leste pode conseguir responder aos desafios mais sérios da independência nacional através da adopção determinada de políticas de combate à corrupção, das quais o estabelecimento desta Comissão Anti-Corrupção é um exemplo."

O maior dos sucessos para Adérito de Jesus Soares, Timor-Leste bem precisa!

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