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Dois atletas de Timor-Leste na maratona de Nova Iorque

>> 20111028



Díli, 27 out (Lusa) - Os atletas timorenses Calisto da Costa e Lola Gonçalves vão participar na Maratona Internacional de Nova Iorque, a 06 de novembro, anunciou hoje a presidência de Timor-Leste em comunicado.
Segundo o documento, os dois atletas, recebidos pelo Presidente José Ramos-Horta na terça-feira, encontram-se atualmente em Singapura, onde vão treinar durante uma semana antes de viajarem para os Estados Unidos.
Os dois atletas vão participar na prova norte-americana no âmbito do programa da Presidência "Díli, Cidade de Paz", que tem como principal objetivo a prática de desporto para a promoção da paz e da estabilidade.
No âmbito daquele programa, a Presidência de Timor-Leste realiza anualmente o Tour de Timor em bicicleta, a Maratona Internacional de Díli e o campeonato internacional de pescas.
MSE.
Lusa/Fim

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Timor Air inaugura linha Darwin-Díli com Presidente da República a bordo

>> 20110726


Díli, 25 jul (Lusa) -- A Timor Air, a primeira companhia aérea de capitais timorenses, realizou hoje o voo inaugural da ligação entre Darwin (Austrália) e Díli, capital de Timor-Leste, transportando simbolicamente o Presidente da República.

A Timor Air é uma iniciativa de um empresário timorense radicado na Austrália, Jeremias de Sousa, que inicia terça- feira as operações regulares, com voos duas vezes por dia, durante cinco dias da semana, entre Díli a Darwin, disputando o mercado à Air North, que opera aquela rota há vários anos.
A frequência dos voos entre Díli e Darwin é o principal trunfo da companhia, e o preço médio dos bilhetes vai rondar os 363 euros.

A chegada do primeiro "avião timorense", um bimotor a hélices, foi aguardada no Aeroporto Internacional Nicolau Lobato pelas autoridades locais, jornalistas e alguns curiosos e foi com emoção que Jeremias Sousa se dirigiu à sala de imprensa, para apresentar o feito.

"Hoje é um dia que é muito importante na nossa História. É mais uma escada que subimos como nação pequena. Mais uma vez triunfámos", declarou.
O empresário salientou que a companhia cumpre todas as normas de segurança e os exigentes critérios de licenciamento impostos na Austrália.


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Academia das Artes e Indústrias Criativas de Timor-Leste - Desfile de Moda

>> 20110719









Integrado no lançamento da Academia das Artes e Indústrias Criativas de Timor-Leste
14 de Julho, DÍLI
 
 
 
Galeria de fotos AQUI  e  AQUI

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AVISO | Recrutamento de pessoal docente

>> 20110325

Recrutamento de pessoal docente para o exercício de funções no pólo de SAME da Escola Portuguesa de Díli

CONVITE A MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE - TIMOR
 Clique na imagem para ampliar

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Operadora AustAsia estuda possibilidade de oferecer voos domésticos

>> 20100331


A companhia aérea AustAsia, a operar em Timor-Leste, está a desenvolver esforços junto da companhia norte-americana Cessina Aircraft Corporation com o objectivo de oferecer voos domésticos para alguns dos 13 distritos do país, a partir de Díli.

A companhia australiana já opera em Timor-Leste, com aviões da Silk Air, com viagens no trajecto Díli-Singapura, pretendendo agora entrar no mercado dos voos domésticos com aviões Cessna.
Recentemente, a operadora convidou o Presidente timorense, José Ramos-Horta, a viajar num Cessna durante aproximadamente 90 minutos, percorrendo os distritos de Manatuto, Baucau, Lautém e Viqueque.

Após a viagem, o chefe de Estado prometeu sugerir ao Governo a contratação da companhia para o aluguer de aviões, visando facilitar a deslocação das comunidades e entidades presentes no país, no quadro da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) e das Forças de Estabilização Internacionais (ISF), que terminam as missões em 2012.

A AustAsia aguarda a aprovação do Executivo Timorense para dar início às operações aéreas que fariam a ligação entre Díli e os distritos do Oecussi, Covalima, Bobonaro, Viqueque, Baucau, e Lautém.

Os aviões previstos para os voos domésticos têm uma capacidade máxima para 12 passageiros e podem comportar até 1 275 quilogramas de carga.

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"Tropas australianas deverão sair de Timor-Leste em 2012"

>> 20091128

por Agência Lusa,
Os militares australianos e neozelandeses estacionados em Timor-Leste deverão sair nos próximos três anos, disse à Lusa o embaixador da Austrália em Díli, que lamentou ainda a má utilização de "muito dinheiro" doado por Camberra devido à corrupção e inexperiência.
Em entrevista à Lusa em Sydney, Peter Heyward, considerou pouco provável a repetição do cenário de crise que Timor-Leste conheceu em 2006. "É pouco provável que o que aconteceu em 2006 se repita", disse Peter Heyward sobre a crise institucional e de segurança que levou a confrontos entre forças militares e policiais timorenses e deixou cerca de 150 mil deslocados internos.
Nesse sentido, as forças militares estrangeiras, cerca de 800 efectivos australianos e neozelandeses, devem retirar-se do país nos próximos três anos, caso a situação continue estável, embora alerte para uma decisão final dependente de negociações com o Governo timorense.
Mesmo após 2012, deverão permanecer militares australianos enquadrados em projectos de cooperação com as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste, adiantou.
Para o embaixador, é fácil entender os motivos da violência que afectou o país no passado recente, enquadrada pela "luta que acompanhou a primeira declaração de independência (28 de Novembro de 1975) e a invasão indonésia (07 de Dezembro de 1975), e a resistência que se seguiu, alimentada por um período ainda maior de conflito entre comunidades timorenses anteriores e durante o período colonial".
Relativamente à utilização das verbas doada pela Austrália para cooperação com Timor, o diplomata identificou a corrupção e a falta de experiência das autoridades timorenses como razões para "gastos desnecessários" dos cerca de 100 milhões de dólares australianos (61 milhões de euros) doados anualmente para ajuda em diversos sectores.
"Devido à corrupção e inexperiência governamental, muito dinheiro (doado pela Austrália) é gasto desnecessariamente", disse, explicando que a corrupção não se aplica apenas aos fundos dos doadores, mas também ao próprio orçamento do estado.
Peter Heyward antecipa o futuro de Timor-Leste com optimismo e acredita em mudanças a breve prazo, e dá como exemplo a continuação da tendência dos últimos anos, que é o regresso de muitos timorenses, formados noutros países, para ocupar altos cargos na máquina estatal.
Mas, para Peter Heyward não é surpreendente que um país que ascendeu somente há cerca de oito anos à independência tenha tantos problemas. "Apesar do desemprego, Timor-Leste está a crescer no sector turístico e deve começar a oferecer mais empregos na área, mas nunca deverá se transformar numa Bali", comparou, considerando que, a par do turismo, uma área-chave do desenvolvimento será a agricultura.
Apesar de se preocupar com o problema da pobreza em Timor-Leste, que aumentou desde a independência, Heyward disse que "nenhum dos problemas é impossível de se resolver".
Dentro 20 anos, Timor-Leste será "um país muito diferente, com economia e moeda local, infra-estrutura muito mais desenvolvida, auto-suficiente em alimentos, com melhores programas de educação para crianças, e um mercado maior para mão-de-obra". "É um pais bonito, rico em história e cultura. Tem tudo para dar certo", concluiu.

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Em directo de Díli

>> 20091112



Imagens amavelmente enviadas por António Ramos (GMPM)

Fotógrafo: Valentino da Real (GabMediaPM/Valedareal)

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Parabéns IV Governo Constitucional de Kay Rala Xanana Gusmão!!!

>> 20090814



REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE IV GOVERNO CONSTITUCIONAL

Declaração
do
Porta-voz do IV Governo Constitucional,
Secretário de Estado do Conselho de Ministros

IV Governo Constitucional de Kay Rala Xanana Gusmão atinge marco de dois anos
Esta semana o Governo de Sua Excelência Kay Rala Xanana Gusmão atingiu um marco significativo, nomeadamente o segundo aniversário do IV Governo Constitucional.

O Secretário de Estado do Conselho de Ministros e Porta-voz Oficial do IV Governo Constitucional, Ágio Pereira, afirmou que “contra desafios inacreditáveis, este Governo, a primeira coligação política a governar em Timor-Leste, provou que a diversidade política pode ser uma realidade e que através de diálogo e concórdia é possível conseguir-se progresso e desenvolvimento.’

‘Demonstrámos ao nosso povo que, com unidade, solidariedade e uma visão comum do que é a democracia, era possível começar o processo de cura e dar seguimento à tarefa árdua da construção nacional.’

‘Por sua vez o povo de Timor-Leste ergueu-se a partir dos desafios do passado de forma a estabelecer um novo clima de estabilidade, com um sentimento de orgulho e de dignidade que pode ser visto e sentido por toda esta nossa nação.’

‘É chegado o momento em que devemos apreciar aquilo que soubemos conseguir juntos. Uma nação que a comunidade global anunciou há apenas poucos anos estar-se a tornar um ‘Estado falhado’ é actualmente a economia com o segundo crescimento mais rápido em todo o mundo.’

‘As Nações Unidas avisaram-nos que fazer regressar os nossos 150.000 refugiados aos seus lares iria levar pelo menos dez anos, porém conseguimo-lo em apenas dois.’

‘Foi-nos dito que as divisões entre o nosso exército e a nossa política eram demasiado profundas para serem reparadas, todavia provámos aquando do momento de crise que se seguiu a 11 de Fevereiro de 2008 que o nosso sector de segurança podia ultrapassar as divisões do passado e unir forças com um novo nível de orgulho nacional e profissionalismo, estando actualmente a dar passos no sentido de melhorar a sua capacitação institucional.’

‘E quando acreditámos que com políticas sociais compassivas era possível acender a esperança entre os nossos cidadãos mais vulneráveis, vimos os nossos veteranos, idosos e doentes receberem com orgulho as suas primeiras pensões monetárias.’

‘Desde 2007, e apesar de muitas críticas, os nossos Ministros e o nosso Parlamento Nacional comprometeram-se com orçamentos superiores à soma total dos orçamentos de todos os Governos anteriores, de forma a prestar melhores serviços ao nosso povo; dobrando as nossas despesas em áreas essenciais tais como a Saúde, a Educação e a Agricultura, assim como aumentando as despesas com capital menor e capital de desenvolvimento a fim de reconstruir as nossas comunidades em 339%.’

‘Na área extremamente difícil do emprego, temos que nos últimos dois anos o nosso compromisso para com a criação de emprego resultou na geração de rendimentos para cerca de 85.000 timorenses e em melhores medidas de segurança alimentar com o intuito a autonomizar áreas rurais’.

‘O estabelecimento de oito centros nacionais de recursos espalhados pelo país veio possibilitar o fornecimento de novas tecnologias, equipamentos, acções de formação e assistência técnica a agricultores, o que permitiu aumentar a produção de arroz, um alimento essencial para os timorenses, de 1,6 toneladas por hectare em 2008 para 2,45 toneladas por hectare em 2009, tendo igualmente havido um esquema agressivo de pescas que beneficiou cerca de 2.149 pescadores e resultou no aumento estimado da apanha de peixe em 1.107.000 kg por ano.’

‘O fortalecimento do sector privado ficou também evidente nos resultados do fim de ano, tendo as receitas fiscais empresariais aumentado 56%, o número total de contribuintes aumentado 44% e as receitas aduaneiras registado um aumento estimado de 30%, demonstrando que é possível encorajar o crescimento do sector privado misturando reformas com sistemas mais eficientes.’

‘A nossa capacidade institucional aumentou de forma acentuada com o estabelecimento por parte do Governo da Comissão da Função Pública, com o objectivo de regular o serviço público, assim como da Comissão Anti-Corrupção, a qual promete estabelecer um órgão independente para lidar com casos de corrupção em todos os níveis do Governo. A Comissão Anti-Corrupção estará mandatada para trabalhar rumo à erradicação da corrupção nas nossas instituições.’
‘A concretização mais poderosa do Governo do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão foi a despolitização de uma nação altamente dividida em resultado da crise volátil de 2006, criando um ambiente abrangente onde os nossos cidadãos se podem sentir seguros nas suas próprias comunidades.’

‘A soberania de Timor-Leste está agora firmemente consagrada, o que permite olhar em frente para um futuro de paz sólida e duradoura. Esta determinação é fomentada por uma administração com políticas sociais e fiscais definidas para apoiar o desenvolvimento nacional.’

‘A forte solidariedade que existe entre o Governo, o Parlamento e o Presidente, orientada pelo espírito da unidade e do orgulho nacionais, estimula também o ambiente adequado de segurança nacional que nos ajuda a garantir que aqueles que tentem danificar o bom nome do nosso país sejam condenados de forma inequívoca.”

O Secretário de Estado do Conselho de Ministros elogiou também os parceiros de desenvolvimento, os doadores, as Forças Internacionais de Estabilização, a UNMIT, as ONGs e todas as operações de caridade sedeadas em Timor-Leste que contribuem para as prioridades nacionais do IV Governo Constitucional. FIM

Para obter mais informações é favor contactar Ágio Pereira através do telefone +670 723 0011 ou do endereço de correio electrónico agiopereira@cdm.gov.tl


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>> 20090324

Fonte: DN | Lusa
Título: "Nova PGR diz que «política e justiça não se dão bem»"
Hiperligação
:
http://dn.sapo.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=1179917

"[...] Ana Pessoa, ex-ministra da Administração Estatal nos governos da Fretilin, apresentou na sexta-feira a carta de suspensão do mandato de deputada do maior partido da oposição.

Ana Pessoa demitiu-se também dos cargos que ocupava no Comité Central e na Comissão Política Nacional da Fretilin, declarou na entrevista à Lusa. [...]

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Diaka Lae de Timor-Leste...!

>> 20090307

Ao fim da primeira semana, mando-vos aqui as minhas primeiras imagens, com um abraço de Díli


Sol nascente...




Ataúro em fundo


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Depois de 35 anos, Carnaval retorna às ruas de Timor-Leste

>> 20090221


Após 35 anos, o Carnaval retornou às ruas de Díli, capital do Timor Leste, com a promessa de "animar a Ásia" e exportar alegria como cartaz turístico.Um desfile carnavalesco passou pela marginal de Díli, entre o Ministério das Relações Exteriores e o Palácio do Governo.

O desfile acabou diante do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, com uma banda brasileira vinda da Austrália tocando ao vivo em cima de um caminhão, com uma gravação da cantora Ivete Sangalo.

Foi um cortejo molhado pelas chuvas da monção timorense, mas o espírito, resumido na faixa que abria o desfile, era "viver a alegria e celebrar a liberdade".

Os festejos do Carnaval de Díli integram as comemorações do décimo aniversário do referendo pela independência do Timor Leste, realizado em Agosto de 1999.

"Vamos animar a Ásia", afirmou o vice-premiê, José Luís Guterres, enquanto esperava a chegada do cortejo no Palácio do Governo.

Em declarações à Agência Lusa, Guterres lembrou o "tempo de diversão" que era o Carnaval na época colonial portuguesa.

...

"Queremos reviver esses tempos e fazer com que o Timor não seja só lembrado pelos recentes conflitos, mas também pela alegria", acrescentou."Também queremos que se saiba na Ásia e no mundo que há uma tradição antiga, que não creio que exista muito na região. O objetivo é também que as pessoas da Ásia que não podem ir ao Brasil venham aqui o Timor Leste, a um mini-Carnaval ao estilo brasileiro", explicou ainda José Luís Guterres.

...

O ministro do Comércio, Turismo e Indústria, Gil Alves, foi quem teve a ideia de reintroduzir o Carnaval.

"No íntimo, é alegria e gozo. E o povo precisa disso" explicou o ministro, falando dos planos para desenvolver o Carnaval de Díli como cartaz turístico internacional.

Sem incidentes e com centenas de participantes, das escolas aos grupos de artes marciais, o Carnaval de Díli deu um ar brasileiro à capital timorense, com a mensagem resumida por José Luís Guterres: "Adeus ao conflito, olá alegria".

Artigo completo AQUI

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É TEMPO de PRESÉPIOS em DÍLI...

>> 20081221


Nesta quadra natalícia, não há bairro de Díli que não tenha o seu presépio, que é feito normalmente pelos jovens desse bairro e com os materiais mais diversos, dando um novo colorido e beleza à Capital.

Estes presépios já são de 2006 mas servem para dar uma ideia de como o Natal é vivido nas ruas de Díli.

Se alguém nos quiser enviar imagens dos presépios de 2008, serão muito bem-vindas!

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Discurso de Kay Rala Xanana Gusmão (pt) no Palácio Lahane, Díli

>> 20081213

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE

GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

ALOCUÇÃO

DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO,

MINISTRO DA DEFESA E SEGURANÇA

KAY RALA XANANA GUSMÃO

POR OCASIÃO DA SESSÃO DE ENCERRAMENTO DO

SEMINÁRIO "REFORMA E DESENVOLVIMENTO DO SECTOR DA SEGURANÇA EM TIMOR-LESTE"

12 de Dezembro de 2008

Palácio Lahane, Díli

Suas Excelências Senhor Presidente da República

Sua Excelência Senhor vice-presidente do Parlamento Nacional

Sua Excelência Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas

Sua Excelência Comandante Interino da PNTL

Suas Excelências Representantes do Corpo Diplomático

Suas Excelências Representantes das Organizações Internacionais

Representantes da Sociedade Civil

Senhoras e Senhores,

Em primeiro lugar não posso deixar de congratular a excelente organização deste Seminário e o especial empenho de Sua Excelência o Presidente da República e do seu Grupo da Reforma e desenvolvimento do Sector da Defesa e Segurança, contando também com o apoio do PNUD, que tornaram possível esta reflexão inédita no nosso País.

Apesar de não me ter possível participar, como desejaria, neste dois dias de trabalho intenso e proveitoso, sei que as mais variadas contribuições aqui deixadas, pelas várias forças da nossa sociedade, foram extremamente importantes para a continuação deste processo prioritário para o País, fazendo ainda uma especial referência àqueles que vieram de longe para também darem a sua contribuição neste projecto nacional.

Senhoras e Senhores,

Reformar o Sector da Segurança é, sem a menor dúvida, uma necessidade crucial para o Estado timorense e um desafio extremamente exigente!

Reformar, é um processo sempre ser mais difícil do que construir de novo.

Porque já há hábitos, práticas e percepções instaladas e, naturalmente, porque é mais fácil acomodarmo-nos a uma situação que já nos é conhecida, mesmo que imperfeita, do que termos a coragem de transformar e de reparar, aquilo que exige mudança.

Infelizmente, os desafios colocados à jovem democracia de Timor-Leste que, de dois em dois anos, assistiu a retrocessos e a situações de conflito, culminando nos atentados a 11 de Fevereiro deste ano, demonstraram a fragilidade do nosso Sector de Defesa e de Segurança e, ainda a tempo e não tarde demais, todos os Órgãos de Soberania, todas as Instituições, todos os representantes da Sociedade Civil timorense, reconheceram a necessidade de rever as nossas políticas nacionais e a necessidade de mudança. Por mais empenhado que o Governo esteja nesta missão de reforma, esta não é uma tarefa que o Governo possa e deva, desempenhar sozinho.

Pois bem, o Governo não está sozinho. Antes pelo contrário, este mote de Reforma do Sector de Segurança já acrescentou mais um capítulo à nossa História recente: o empenho, o envolvimento, a solidariedade, a participação e a cooperação institucional de todos os órgãos nacionais - Presidência, Parlamento Nacional, Governo, Forças de Defesa, Forças de Segurança, Organizações não Governamentais - que temos vindo a testemunhar neste processo e que são por si só já a Reforma!

Senhoras e Senhores,

Gostaria de comentar, ou reforçar, alguns dos aspectos já aqui referidos, nomeadamente pelo Senhor Presidente da República.

1. A nossa Nação Independente celebrou 6 anos em Maio deste ano, é evidentemente jovem e, por consequência frágil, mas isto não é de todo sinónimo de ser, ou vir a ser, um Estado falhado, e a prova disso são as reflexões e conclusões resultantes deste Seminário;

2. A nossa independência foi conquistada num contexto que apresenta grandes riscos para a estabilidade nacional; refiro-me às consequências deixadas pela guerra contra a ocupação indonésia, mas também à caracterização económica do País: baixos rendimentos, lento crescimento económico e extrema dependência da exportação de bens essenciais;

3. Já referi, em uma ocasião, que um estudioso dedicado a temas desta natureza, comparou esta situação a um jogo de "roleta russa", ou seja, a probabilidade de um País com estas características entrar numa guerra civil num período de cinco anos, é de uma em seis - o mesmo risco que assume um jogador na "roleta russa"!

4. Estas são fragilidades para as quais temos que estar atentos e que têm que ser encaradas como desafios e não com pessimismos derrotistas. O nosso passado, as nossas características culturais, o nosso processo de transição, os tempos necessários para permitir a sustentabilidade de qualquer projecto, as próprias experiências de outros países, têm que ser ponderados e, daí, a importância que tem vindo a ser dado ao sector da segurança e à consolidação da estabilidade.

5. Finalmente, em democracia os vários sectores de desenvolvimento não são estanques. Timor-Leste tem obviamente um legado de pobreza. E se a pobreza, o desemprego, a fome e a injustiça social levam à insatisfação geral da população, esta, naturalmente, põe em causa a segurança e a estabilidade nacional. Assim, os processos estão demasiado integrados e talvez seja esta uma das principais ameaças internas com que nos confrontamos, o principal factor de desestabilização interna.

6. Desta forma, o desenvolvimento estratégico do sector de Segurança, dotando os seus agentes de uma eficiente e eficaz actuação, vai permitir às populações gozarem de uma paz, tranquilidade e confiança, fundamentais para o desenvolvimento das actividades necessárias para o crescimento económico, social e político do País.

7. Os países com mais dificuldades, os sub-desenvolvidos, têm que obrigatoriamente "equipar-se" de condições para combater os problemas multidimensionais de segurança dos dias de hoje, têm que se proteger, precisamente porque são mais vulneráveis às crises e mais devastados pelos seus impactos. A Segurança e o Desenvolvimento económico estão, assim, intimamente interligados e investir na Segurança, é investir no Futuro!

Senhor Presidente da República

Senhoras e Senhores,

Foi aqui referido que este investimento é extremamente dispendioso. Sabemos disso, assim como também sabemos das nossas naturais limitações orçamentais, assim como sabemos ainda que o apoio multilateral e bilateral, dos países amigos e doadores, tem vindo a ser precioso.

Porém, e mais uma vez, não imunes à experiência internacional, temos vindo a aprender que só existe um meio para que esta Reforma seja bem-sucedida: encontrar o modelo certo para Timor-Leste, respeitando os passos e os tempos necessários à nossa realidade. E este modelo é o modelo resultante do consenso timorense, implementado sob a liderança timorense.

Foi neste sentido que foi criado o Grupo para a Reforma e Desenvolvimento, no âmbito da Presidência da República, envolvendo os vários órgãos da sociedade, e foi neste sentido que se tem vindo a realizar um trabalho exaustivo de estudos, de planeamento, de reformas legislativas, de melhoria de infraestruturas, equipamentos e meios logísticos, e de melhoria de recursos humanos – quer no sector da Defesa, quer no Sector da Segurança.

Senhoras e senhores,

Outro aspecto abordado durante este Seminário é que hoje, as ameaças externas e internas que um Estado enfrenta confundem-se e torna-se complexo definir com clareza se a uma determinada ameaça devem ser equacionados os mecanismos previstos na Defesa Nacional ou, pelo contrário, se estamos perante um caso exclusivamente do âmbito da Segurança Interna.

Por outro lado, no mundo globalizado de hoje, os interesses expansionistas dos Estados utilizam recursos mais refinados, como acções perpetradas no interior das próprias fronteiras do País que se pretende dominar, sendo um exemplo disto o método utilizado pelas organizações terroristas que, em diversos pontos do Globo, apostam no derrube dos Governos constitucionalmente legítimos, tentando minar as instituições internas, de forma a enfraquecer o Estado, tornando-o, assim, vulnerável aos seus propósitos.

As ameaças à estabilidade interna no mundo global de hoje são partilhadas com preocupação a nível internacional. As acções subversivas contra a identidade e coesão nacional, a criminalidade organizada como é o tráfico de droga, de pessoas, armas e contrabando, têm que ser abordados de uma forma integrada.

Um combate efectivo contra estas novas ameaças implica, necessariamente, uma conjugação de esforços entre as forças responsáveis pelo garante da defesa nacional e aquelas que estão incumbidas de acautelar a segurança interna.

Assim sendo, é hoje um imperativo para os Estados criarem mecanismos de cooperação e coordenação entre as forças de defesa e as de segurança, devendo ambas estarem aptas a desenvolver missões de natureza habitualmente reservadas à outra.

Não se pretende, naturalmente, que os militares comecem a desencadear operações policiais, substituindo-se, dessa forma, às forças de segurança, mas antes que estejam preparados para apoiarem estas em determinadas missões específicas, princípio que, de igual modo, se deve aplicar aos elementos das forças policiais, no apoio às missões tipicamente militares.

Foi procurando responder a esta nova realidade, às ameaças não convencionais, e às próprias circunstâncias e história das Forças Armadas e da Polícia do nosso País, que este Governo tomou a decisão, certamente inovadora na região do mundo em que nos inserimos, de concentrar num único Ministério as áreas da Defesa Nacional e da Segurança Interna.

Foi principalmente com este propósito, e também para permitir que ambas as Instituições consolidassem as suas relações e desenvolvessem a sua actividade em estreita cooperação na prossecução de um objectivo comum. O sucesso obtido com a criação do Comando-Conjunto é um exemplo prático deste pressuposto.

Encaramos a Segurança Nacional num conceito mais alargado que, além da defesa nacional e da segurança interna, engloba também outras componentes, como a protecção civil e a política externa, garantindo a cooperação e a solidariedade entre as forças, como forma de garantir a estabilidade, a unidade e a segurança das populações, contra qualquer tipo de ameaças e riscos.

Os primeiros passos já foram dados, já conseguimos a coordenação essencial a nível político, quer com as F-FDTL quer com a PNTL e temos vindo a produzir documentos estruturantes para que estas Instituições se consolidem e desenvolvam.

Senhoras e Senhores,

Todas as palavras certas foram ditas durante estes dois dias. Agora, temos que demonstrar as acções certas. Devemos isto a nós mesmos mas também à Comunidade Internacional, enquanto Estado membro da Comunidade das Nações – que nós, Estado e população timorense, somos capazes de ter instituições militares e policiais eficazes e eficientes.

Uma das formas de demonstrar isto é provando que a PNTL é uma instituição capaz de vingar sem estar sobre a direcção das Nações Unidas. Eu confio na PNTL. Sei que muitos agentes sentem que já estão prontos, agora temos que ser capazes de o demonstrar e recordar sempre as difíceis lições do passado.

O ano de 2009 será crucial neste sentido. O Secretário de Estado da Segurança está a terminar a negociação de um plano com a UNMIT, para a concretização deste objectivo, em que a PNTL assume já os seus plenos direitos no próximo ano. Isto não significa que a PNTL vai assumir só os seus direitos mas também os seus deveres e responsabilidades. A PNTL tem que demonstrar forte disciplina, administração e capacidade operacional e ultrapassar irreversivelmente as marcas do passado.

Por outro lado, 2009 será o ano em que efectivamente a Força 2020 começará a ser implementada. Não esperamos menos do que coerência e articulação perfeita entre os elementos das Forças Armadas, para permitir a necessária reestruturação, reorganização e profissionalização das F-FDTL.

Uma política de defesa não se improvisa, tem que ser coerente e devidamente preparada, não se fazendo de um dia para o outro. Neste processo de reestruturação estão obviamente incluídos os veteranos e o seu processo de desmobilização.

A estes que tão pacientemente esperaram, entregando o seu sacrifício pessoal, para ver concretizado o sonho de todo um Povo. A estes que tão resignadamente esperaram para verem reconhecidos os seus mais elementares direitos, enquanto Heróis da Libertação Nacional, peço que continuem a participar neste processo de reforma com importantes contribuições.

Assegurando que o Governo tem consciência que o processo de reforma estaria amputado à partida, se não contemplasse no futuro Estatuto da Condição Militar os direitos e deveres de todos os militares e naturalmente dos veteranos.

Senhoras e senhores,

Muito havia ainda a dizer mas compreendo que por esta altura estão todos bastante cansados e por isso não me quero alongar mais.

Aos conferencistas internacionais e participantes que atravessaram continentes e oceanos para aqui estarem hoje a partilhar connosco as vossas sábias experiências e melhores práticas, um muito obrigado.

Aos nossos amigos internacionais em Timor-Leste, reitero também o meu agradecimento e a confiança e apoio que sempre têm demonstrado no nosso País, consubstanciadas em renovadas parcerias.

A nós timorenses, aqui presentes, a forma mais digna e valiosa de retribuir esta confiança, é fazer com que esta Reforma não se resuma a meros conjuntos de boas intenções, consubstanciadas em palavras, mas sim num sucesso colectivo dos timorenses – homens e mulheres – que num espírito de cooperação e unidade irão garantir um futuro promissor a Timor-Leste.

Muito obrigado!

Kay Rala Xanana Gusmão

12 de Dezembro de 2008

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