Sector da saúde em Timor-Leste aumenta capacidade com a graduação de mais de 400 médicos timorenses

>> 20121206



COMUNICADO  DE  IMPRENSA 

A passada semana foi uma semana especial de celebrações em Timor-Leste. Além das grandes celebrações, do Dia da Proclamação da Independência e do aniversário da Revolta de Manufahi, houve ainda outro grande evento que teve lugar no Centro de Convenções de Díli, na segunda-feira dia 26 de Novembro, onde mais de 400 estudantes timorenses se graduaram como médicos.

Cada um destes alunos concluiu com êxito os exames finais, depois de quatro anos de estudo em Cuba e dois anos na Universidade de Timor-Leste, e vão agora juntar-se aos 80 médicos, que estão a praticar, e que se formaram em 2010/2011. Mais 90 alunos vão voltar a sentar-se para os exames finais em Abril de 2013 e, no final de 2013, mais 250 estudantes vão realizar os exames finais depois de seis anos de estudo.

Em 2016 prevê-se que haja mais de mil timorenses licenciados em medicina, praticando como médicos totalmente qualificados em Timor-Leste.

Este resultado, verdadeiramente notável para Timor-Leste, em apenas dez anos após a restauração da independência, foi conseguido com o apoio, investimento e cooperação de Cuba. Ao participar na cerimónia dirigida aos estudantes, o Primeiro-Ministro Kay Rala Xanana Gusmão pediu ao Embaixador cubano em Timor-Leste para transmitir ao Comandante, ao Presidente, ao Governo e ao povo de Cuba a sua gratidão pessoal e a gratidão de todos os timorenses.

"Não posso deixar de referir-lhe o quanto estamos gratos, por Cuba ter acolhido generosamente estas centenas de jovens, valorizando-os com conhecimentos e preparação técnica para exercerem as suas obrigações para com o seu povo, na área da medicina."

No seu discurso, o Embaixador Cubano, Luis Julián Rodríguez Laffitte, recordou a reunião em Fevereiro de 2003, quando Xanana Gusmão, José Ramos-Horta e Mari Alkatiri se reuniram com o Comandante Fidel Castro, na Malásia.

Realçou que foi nesse momento que "nasceu a ajuda cubana para Timor-Leste, que se materializou através de o envio de uma brigada de profissionais de saúde para prestar assistência médica, da concessão de bolsas de estudo a jovens timorenses para estudarem medicina em Cuba e da assistência técnica para eliminar o analfabetismo em Timor-Leste".

Na semana passada, antes desta graduação Timor-Leste tinha 13 médicos especialistas, 139 médicos de clínica geral, 1.271 enfermeiros e auxiliares de enfermagem, 427 parteiras e 416 técnicos de saúde.

Dirigindo-se aos estudantes, o Primeiro-Ministro foi assertivo ao descrever os desafios que têm pela frente, que são os de Timor-Leste, com 10 anos de independência. Delineou os planos para enfrentar esses desafios, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento e do Programa de cinco anos do V Governo Constitucional.

O Primeiro-Ministro referiu que "iremos continuar a investir fortemente no desenvolvimento dos recursos humanos, até conseguirmos o objectivo de ter pelo menos um médico, dois enfermeiros, duas parteiras e um técnico de laboratório em cada Suco do País (com pelo menos 2.000 habitantes)".

Em nome de Cuba, o Embaixador aconselhou os formandos: "Certamente agora vão enfrentar grandes desafios e necessidades nos distritos e sucos do país onde estiverem destacados. Devem ser bons médicos, muito humanos com seus pacientes e, especialmente, fazerem todos os esforços para salvar vidas, tanto quanto possível".

O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão resumiu o significado do momento concluindo: "A graduação de um número considerável de filhos desta terra, num sector tão essencial para o nosso povo, como é o da saúde, é motivo de grande regozijo e de esperança renovada no futuro". 

FIM

Ágio Pereira
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GNR vai continuar a apoiar formação da polícia timorense - Xanana Gusmão

>> 20121031

 

Díli, 30 out (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse hoje à agência Lusa que a Guarda Nacional Republicana vai continuar a apoiar a formação da polícia timorense.

A cooperação vai continuar "em consequência de um acordo que fiz com o ministro da Administração Interna", Miguel Macedo, afirmou Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro timorense falava no final da última cerimónia de imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT (Missão Integrada da ONU em Timor-Leste) aos militares da GNR destacados naquele país, no âmbito da missão de manutenção da paz da ONU.

"Assinei o acordo para que em termos bilaterais nós prossigamos com a assistência da GNR na formação dos nossos polícias", disse Xanana Gusmão.

O primeiro-ministro esclareceu também que agora vai começar a ser preparada a forma de cooperação, nomeadamente o número de elementos da GNR necessários para as várias áreas, ainda não definidas, em que Timor-Leste vai precisar de apoio.

"Isto foi pensado porque já estávamos a planear a saída da ONU", acrescentou o primeiro-ministro timorense.

As autoridades timorenses anunciaram em setembro que, após o final do mandato da UNMIT, a 31 de dezembro, não querem "nem missões políticas, nem de paz".

"Gostaríamos de estabelecer com as Nações Unidas umas relações inovadoras de cooperação", afirmou na altura o primeiro-ministro timorense.

Os 140 elementos da GNR destacados em Timor-Leste no âmbito da UNMIT regressam a Portugal a 12 de novembro e cessam a atividade operacional quarta-feira, quando a ONU certificar a Polícia Nacional do país (PNTL) como força de segurança.


MSE // HB

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Último contingente da GNR em Timor-Leste regressa a 12 de novembro

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (© D)

 O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão (D) condecora os militares da GNR destacados em Timor-Leste que cessam atividade operacional quarta-feira e regressam a 12 de novembro a Portugal, durante a cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT, no Palácio do Governador, em Díli, Timor-Leste, 30 DE OUTUBRO DE 2012. ANTONIO AMARAL / LUSA

Díli, 30 out (Lusa) - Os militares da Guarda Nacional Republicana destacados em Timor-Leste no âmbito da Missão Integrada da ONU (UNMIT) terminam quarta-feira a atividade operacional e regressam a Portugal a 12 de novembro.

"Oficialmente, a informação que temos é que a partida é no dia 12 de novembro. Por razões diversas as Nações Unidas iniciaram a sua retirada mais cedo e portanto acabou por ser apresentada a data de 12 de novembro como data de regresso", afirmou hoje à agência Lusa o comandante do sub-agrupamento Bravo da GNR, capitão Jorge Barradas.

Jorge Barradas falava à Lusa no final da última cerimónia da imposição da Medalha da Solidariedade de Timor-Leste e da Medalha da UNMIT a militares da GNR.

A UNMIT termina o mandato no final deste ano.

Na quarta-feira, os militares da GNR cessam também a atividade operacional, numa cerimónia a realizar no Palácio do Governo durante a qual a ONU, através da UNMIT, certifica a Polícia Nacional de Timor-Leste como força de segurança.

"Amanhã (quarta-feira) tecnicamente termina a atividade operacional e iniciamos depois um conjunto de procedimentos administrativos para que grande parte do nosso material possa regressar a Portugal", acrescentou o capitão português.

A GNR tem destacado no país 140 militares e mais três elementos da equipa médica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

A Medalha da Solidariedade de Timor-Leste tem por objetivo agraciar militares, polícias e civis que através das suas ações tenham contribuído para a paz e estabilidade no país.

Participaram na cerimónia o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, o comandante-geral da Polícia Nacional de Timor-Leste, Longuinhos Monteiro, o representante do secretário-geral da ONU, Finn Reske-Nielsen, o comandante da Polícia da ONU, Luís Carrilho, bem como outras autoridades timorenses e representantes do corpo diplomático.

A presença da GNR em Timor-Leste teve início em março de 2000 com um contingente integrado na Administração Transitória das Nações Unidas (UNTAET).

MSE // HB

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CERIMÓNIAS OFICIAIS DO FIM DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DAS ISF E DA UNPOL em TIMOR-LESTE

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ALOCUÇÃO
DE SUA EXCELÊNCIA O PRIMEIRO-MINISTRO
KAY RALA XANANA GUSMÃO

POR OCASIÃO DAS CERIMÓNIAS OFICIAIS DO FIM DA ACTIVIDADE OPERACIONAL DAS ISF E DA UNPOL
31 de Outubro de 2012
Palácio do Governo
Díli

Exmo. Senhor Presidente da República,
Exmo. Senhor Presidente do Parlamento Nacional,
Exmo. Senhor Presidente do Tribunal de Recurso,
Exma. Senhora Procuradora-Geral da República,
Exmo. Senhor Representante Especial Interino do Secretário-Geral da ONU,
Exmo. Senhor Comandante da UNPOL,
Exmo. Senhor Comandante das ISF,
Exmos. Senhores Membros do Parlamento Nacional,
Exmos. Senhores Membros do Governo,
Exmo. Senhor Chefe do Estado-Maior General das F-FDTL,
Exmo. Senhor Comandante-Geral da PNTL,
Exmos. Senhores Representantes do Corpo Diplomático acreditado em Díli,
Distintos Convidados,

A construção de um Estado, particularmente quando iniciada após um conflito, como consequência de uma longa luta pela libertação, é um processo que não poderia obviamente estar isento de erros, já que também, em nenhuma parte do mundo, se pode exigir que processos assim se concluam em curto espaço de tempo.

Assim, esta primeira década de soberania não nos trouxe apenas alegrias, porque fomos confrontados com dificuldades próprias de quem dá os primeiros passos na tarefa de condução dos destinos de uma jovem Nação.

Todos sabíamos que um dos mais exigentes desafios seria, por um lado, o de transformar uma força de guerrilha numas Forças Armadas modernas e profissionais, e, por outro, o de estabelecer de raiz uma Polícia capaz de, por si só, garantir a segurança interna e a tranquilidade das populações.

A modos de uma retrospecção necessária, temos de reconhecer que houve falhas fundamentais, nomeadamente ao nível da formação básica dos polícias que então ingressaram na PNTL. Este facto contribuiu, em grande escala, para que esta instituição crescesse com grandes deficiências, tendo-se provado incapaz de assegurar a ordem pública, quando, em 2006, mais se lhe estava a ser exigido, tornando-se quase inoperacional.

As próprias F-FDTL, por problemas que se geraram no seu seio, viram sair das suas fileiras quase um terço do seu efectivo, envolvendo-se, posteriormente, muitos deles em acções de desafio à autoridade do Estado, criando-se assim uma situação de grave conflito, principalmente em Dili e que se estendeu a todo o País.

Reconhecendo a incapacidade momentânea de, por meios próprios, restabelecermos a ordem pública, e estando em causa a sobrevivência do Estado de direito democrático e independente, vimo-nos, naquele ano, na contingência de recorrer ao auxílio externo, decisão partilhada pelos órgãos de Soberania.

Foram extremamente valiosas a solidariedade e prontidão de quatro países amigos, a Austrália, a Nova Zelândia, a Malásia e Portugal, que não hesitaram em enviar, para cá, as suas forças militares e de segurança, as quais, progressivamente, foram ajudando no retorno à normalidade.

Entretanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas também respondeu ao nosso apelo e prontificou-se pelo envio de uma missão detentora da responsabilidade executiva pela segurança interna do País, passando a UNPOL a assumir essa tarefa.

Durante estes últimos seis anos, o Estado timorense não pôde exercer a sua competência exclusiva pela segurança das pessoas e dos seus bens. Contudo, deve-se reconhecer que foi necessário assim, para se permitir a correcção dos erros do passado, particularmente no que toca a uma formação mais adequada a diversas unidades da PNTL, principalmente às vocacionadas para lidarem com situações de criminalidade mais complexas.

Ao mesmo tempo, e num trabalho conjunto com a UNPOL, fez-se uma profunda remodelação na PNTL, permitindo-se clarificar situações e proceder a saneamentos necessários, melhorando assim gradualmente a imagem da Instituição.

Foi, com persistência e determinação, que se conseguiu resolver as situações provocadas pela crise, que ameaçavam a estabilidade e o bem-estar das populações, nomeadamente a questão dos peticionários e o problema dos deslocados.

Em 2008, na sequência dos atentados perpetrados contra titulares de órgãos de soberania, a Operação Halibur foi a oportunidade para se evidenciar a aptidão dos militares e polícias em trabalharem em estreita coordenação e cooperação, sempre que são orientados a atingir um objectivo comum. Desde que aquela acção conjunta obteve um sucesso significativo, em termos de paz, estabilidade e segurança no país, não havia maior razão para que as Forças de Defesa e de Segurança não se esforçassem a assumir, com maior consciência, as suas respectivas missões.

Foi-se dando início, nos diversos distritos do País, ao processo gradual de transferência das operações policiais para a responsabilidade da PNTL, culminando, em 27 de Março de 2011, com a entrega do Comando-Geral.

Fomos observando, com satisfação, que, progressivamente e com firmeza, as Forças de Defesa e Segurança foram provando estarem já capacitadas para garantirem a segurança interna e a defesa das populações, embora tenhamos continuado a contar com o apoio generoso das ISF e da UNPOL.

Tendo as F-FDTL e a PNTL provado estarem aptas a cumprir, com profissionalismo e competência, as obrigações que constitucionalmente lhes estão atribuídas, a situação de apoio externo não poderia, obviamente, perdurar no tempo. Assim, com o envolvimento de todos, acordámos que, no final deste ano, as Nações Unidas cessariam definitivamente a sua missão em Timor-Leste e as ISF retirariam as suas tropas de solo timorense.

O dia de hoje constitui, assim, um marco capital para a História, recente mas gloriosa, da nossa Pátria. É um motivo de júbilo e de orgulho para todos os timorenses, não porque os polícias e militares que generosamente se prontificaram em vir para nos ajudarem, vão deixar Timor-Leste. É, antes, um motivo de regozijo porque, com essa mesma ajuda, conseguimos corrigir os nossos erros e melhorar as nossas capacidades técnicas e profissionais.

Precisamente por isso nos juntamos, aqui e agora, nesta cerimónia que visa, sobretudo, reconhecer o papel meritório que a UNPOL e as ISF desempenharam em Timor-Leste, em prol de uma sociedade mais segura e mais justa. A condecoração com a Ordem de Timor-Leste, que as duas instituições acabaram de receber, representa o nosso genuíno agradecimento a todos quantos, ao longo destes últimos seis anos, serviram a UNPOL e as ISF, servindo também, dessa forma, Timor-Leste e o seu Povo.

Aos Comandantes da UNPOL e das ISF o meu muito obrigado, em meu nome e no do Governo que chefio, e muitos parabéns por todo o trabalho a que aqui se dedicaram. Às Nações Unidas, na pessoa do Representante Especial do seu Secretário-Geral, e aos Governos da Austrália e da Nova Zelândia, uma palavra de reconhecimento por terem permitido ser possível a assistência que agora termina.

Sabemos que novos desafios nos esperam. Reconstruídas as forças de segurança, urge agora direccionarmos todo o esforço para a formação dos seus membros, garantindo-se, assim, que o passado recente nunca mais se repita e que a Polícia esteja sempre à altura das suas responsabilidades.

A cooperação futura com forças policiais de países amigos, com cujo modelo de polícia a PNTL se identifica, será executada no âmbito bilateral, assim como sucede com relação à cooperação militar.

A todos os polícias e militares internacionais, as maiores felicidades no futuro que vos espera, em cada um dos vossos países, e bom regresso a casa.

Muito obrigado.


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