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Esqueçam o o 'Super timor' e ... conheçam o 'Super Rato'!

>> 20100727

Investigador australiano identificou fósseis de uma espécie que se extinguiu ali há mil a dois mil anos.

Imagem daqui
Pesava seis quilos, era enorme. Era mesmo o maior rato conhecido até hoje. Trata-se de uma nova espécie do género Coryphomys, mas só agora, já depois de extinta, ela foi descoberta, graças a uma série de achados fósseis. O maior rato de sempre (pelo menos, até agora) viveu até há cerca de mil a dois mil anos em Timor-Leste. Foi aí, numa caverna nas montanhas, que os seus restos fossilizados foram encontrados.

O estudo dos fósseis foi feito por uma equipa coordenada pelo australiano Ken Aplin, da Commonwealth Scientific and Industrial Research (CSIRO), e os resultados foram publicados no último número do Bulletin of the American Museum of Natural History.

Os cientistas estudaram várias "colecções de fragmentos de ossos de animais encontrados em contextos arqueológicos em Timor- -Leste, entre 1968 e 2002", como escrevem no seu artigo. Isso permitiu-lhes identificar não só o maior rato de sempre alguma vez descoberto como também outras 11 novas espécies de roedores, de menores dimensões. Mesmo assim, oito delas andavam por um peso médio de um quilo.

Aquela região "foi um hot spot na evolução dos roedores e queremos atenção internacional para a conservação naquela zona", afirmou Ken Aplin num comunicado da CSIRO sobre a descoberta.

Os roedores constituem 40% da diversidade dos mamíferos no mundo, sublinham os investigadores, notando que estes animais são "um elemento-chave dos ecossistemas, são importantes para a conservação dos solos e a dispersão de sementes". Por isso, nota Ken Aplin, "manter a biodiversidade entre os ratos é tão importante como proteger baleias ou aves".

A datação por carbono dos fragmentos de ossos do novo rato gigante mostrou que

ele sobreviveu até há mil ou mesmo dois mil anos atrás, tal como aconteceu com todos os outros descobertos nas mesmas escavações.

"As populações que viveram na ilha de Timor durante mais de 40 mil anos caçaram e comeram ratos ao longo de todo esse período, mas as extinções só ocorreram mais recentemente", afirmou o coordenador da equipa. "Pensamos que isso mostra que havia um modo de vida sustentável em Timor até há cerca de mil ou dois mil anos, e isso põe também em evidência a ideia de que as extinções não são inevitáveis numa ilha."

A extinção do maior roedor de sempre na ilha de Timor, e provavelmente noutras ilhas indonésias na zona, admite a equipa, terá resultado de abate de floresta em larga escala para a agricultura. "Isso só seria possível com a introdução de ferramentas de metal nas práticas agrícolas", nota o investigador.

Fonte: DN Ciência in Super-rato viveu em Timor-Leste por FILOMENA NAVES

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Sobre o "caso 11 de Fevereiro"

>> 20090303

[...]"Finalmente chegou ao fim a fase do inquérito deste processo", declarou Longuinhos Monteiro aos jornalistas na véspera de terminar o prazo legal para formalizar a acusação do "caso 11 de Fevereiro" no Tribunal de Díli.

"Foram constituídos 31 arguidos mas acusados 28", anunciou Longuinhos Monteiro, aludindo à "falta de elementos suficientes" para fundamentar a acusação dos três arguidos que o Ministério Público decidiu deixar de fora da acusação.[...]" (
DN/Lusa)

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Artigo de opinião: Barbedo de Magalhães / DN Online

>> 20080218

Professor catedrático da Faculdade de Engenharia
do Porto e presidente do IASI

Em 18 de Janeiro de 2008, dia seguinte ao do lançamento do seu livro sobre Timor na Fundação Mário Soares, o autor teve uma longa conversa com o embaixador da Austrália em Lisboa. Preocupado com a situação em Timor, disse ao embaixador que considerava imprescindível que o novo primeiro-ministro, Kevin Rudd, um velho amigo de Timor e um amigo pessoal de Ramos-Horta, controlasse as forças australianas colocadas em Timor, e os seus serviços secretos. De facto, em governos anteriores, estas tinham estado mais ao serviço da Austrália e de interesses económicos de algumas petrolíferas do que da estabilidade e da democracia no novo país.

A ineficácia dos serviços de informações das forças internacionais, quase exclusivamente australianas, que não souberam prever e evitar os ataques contra as duas principais figuras do Estado timorense, nem capturar ou neutralizar os militares que apoiavam o major Reinado, é um sinal de que, até ao dia do atentado, a política herdada do Governo anterior ainda não tinha sido mudada no terreno.

Convém não esquecer que em Março de 2002 o Governo de Howard retirou a Austrália dos tribunais internacionais relacionados com fronteiras marítimas. Em Dezembro desse ano, uma semana depois do MNE Downer ter ameaçado o PM timorense de lhe dar uma lição de política, a casa de Alkatiri foi revistada por um australiano e incendiada. A fúria de Downer contra Mari resultava de este não ceder às excessivas e ilegais exigências australianas relativamente ao petróleo do mar de Timor.

Aos exacerbados interesses económicos estrangeiros soma-se uma diferença de estratégias e um conflito quase permanente entre Mari e Xanana.

Ela vem dos anos oitenta, quando Xanana substituiu a política radical e exclusivista da Fretilin, por uma política mais realista e abrangente, de inclusão de todos os timorenses, mesmo que colaborassem com o ocupante. Nesse quadro assumiu o compromisso de que Timor-Leste não se tornaria numa "ameaça à estabilidade da área" e de que se oporia à eventual tomada de poder por qualquer partido hegemonista e pouco democrático.

A Constituição foi feita para marginalizar Xanana do processo político. Esta marginalização, os conflitos com a Igreja e o clima de medo criado pelo ex-ministro Lobato contribuíram fortemente para a eclosão da crise de 2006. A reacção de Xanana, tipicamente de guerrilheiro, também não foi a mais feliz.

Ao afirmar que o actual governo, de maioria parlamentar, era ilegítimo, Alkatiri continuou a tentar destruir politicamente um líder essencial para Timor. Com isso enfraqueceu a democracia, debilitou o estado e contribuiu para que este ficasse ainda mais dependente de forças e interesses estrangeiros.

(1) Barbedo de Magalhães, António Pinto - Timor-Leste - Interesses internacionais e actores locais. Afrontamento. Porto, 2007

Fonte: dn.opiniao (http://dn.sapo.pt/2008/02/16/opiniao/timor_conflitos_internos_e_interesse.html)

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