Ainda sobre o documentário WHERE THE SUN RISES de Grace Phan

>> 20110930

Três recortes do Diário de Coimbra de 27 e 28 de Setembro de 2011, respectivamente.
Agradecimento especial ao Diário de Coimbra
(clique nas imagens para aumentar)


Com a apresentação deste documentário, no passado dia 28 de Setembro, no Salão Brazil em Coimbra, proporcionou-se uma simples mas sentida homenagem a Kay Rala Xanana Gusmão por parte de um conjunto de amigos/as que lhe têm o respeito merecido. Ficam aqui os agradecimentos, anonimamente, a todos/as aqueles/as que de uma forma ou de outra estiveram envolvidos/as neste processo... agradeço-vos! Destaco da assistência que presenciou a projecção, a presença de inúmeros estudantes do programa Erasmus em Coimbra: italianos/as, espanhóis, franceses, holandeses. Portugueses e timorenses também não faltaram. As conversas resultantes da apresentação deste documentário deixam-me particularmente feliz.


Agradecimento especial à UC.PT


No dia em que a Universidade de Coimbra prestou também a mais elevada atenção a este seu "aluno", não passa em branco chamar aqui à atenção para o discurso que Xanana Gusmão proferiu e que se aconselha vivamente a lerem aqui.


Obrigado Xanana por seres como és... resistente e acutilante!

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DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA KAY RALA XANANA GUSMÃO POR OCASIÃO DA CERIMÓNIA DE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA ATRIBUÍDO PELA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

>> 20110929

Reitor Cancelário da Universidade de Coimbra,

Prof. Doutor João Gabriel Silva

Ilustre Director da Faculdade de Letras,

Prof. Doutor Carlos André

Prof. Doutor Eduardo Lourenço



Excelências

Prezados Convidados

Caríssimos amigos

É com incontrolável emoção que me encontro aqui perante vós.

A surpresa, como imediata resposta a um ‘sms’ que me foi dado a ver, acariciou o ego, que cada ser humano possui como reduto intocável, do bem e do mal, e afligiu a minha mente com uma curiosidade incrédula.

E, um ‘não, não, não é possível’ esboçava a busca do porquê deste imprevisto da vida, na tentativa de desvendar que potencial teria transparecido à magnânima leitura da Faculdade de Letras, para a induzir, assim, a uma escolha, talvez pouco merecida.

E em remorsos, descobri-me na consciência vagante de aluno ‘ad eternum’ da Faculdade de Direito, como cidadão latente de Conímbriga, munido de um passaporte de cumplicidades.

E foi assim nessa simples interacção, no repositório dos tempos, que uma pessoa, como eu, podia sentir-se integrada, por coação do acaso ou por suposição de mérito.

Infelizmente, a vida é esta interacção, do indivíduo com o colectivo, desde a sua dimensão ínfima à grandeza e expansão do macro, neste cosmos que se revolta contra si mesmo, por ineficácia das virtudes idealizadas e por acção das desvirtudes cumpridas.

A vida é, afinal, esta relação do indivíduo com o exterior de si mesmo, na rotina da sua proximidade ou imbuída de elementos que abraçam a lonjura do espaço e dos tempos.

E é aqui que a vida ensina, numa dialéctica de buscas e encontros, de exigências e respostas, de aspirações e compromissos. A vida, que absorve e transforma os actos, pode ainda equilibrar juízos, ou não, e temperar ou despoletar emoções e, assim, moldar o sentido que cada um dá à própria vivência... de si, para si e para fora de si.

Mas a vida dispõe, ao indivíduo e ao colectivo, de opções que se afiguram modelarmente como ideais, princípios e valores, traduzidos em ética, moral, justiça, direitos... e também todo o reverso, a que chamamos mal - para as consciências, pecado - para as almas, erro – para os intocáveis e crime - para os indivíduos comuns.

A liberdade é, tão somente, a escolha de opções, por parte do indivíduo, mas que pode perdê-la, sem se dar conta, quando essa escolha não se resguarda da estandardização fácil que o colectivo adopta... e assume... e impõe. E quando isso acontece, esse colectivo de indivíduos, que é a sociedade, vive... uma existência de inacção do espírito e de conformismo de atitudes, sacudidos apenas quando, no dia-a-dia, se sente oprimido pela angústia... de não poder encontrar solução aos seus desencantos.

Um dos elementos que avivavam a chama da resistência, no país que me fez indivíduo, foi o slogan de uma nova ordem mundial. Quatro décadas depois, a nova ordem mundial ficou subordinada à globalização de ideias, formuladas por um pequeno grupo de indivíduos... à globalização de actos, comandados por um reduzido número de indivíduos... à globalização de políticas, decididas por um pequeno grupo de indivíduos... à globalização de regras e critérios, estabelecidos por um reduzido número de indivíduos... numa globalização real da ... atrofia das mentes.

Hoje, o mundo, no seu colectivo maior, perdeu o rumo... porque só age por reflexo e perdeu a subtileza de ser humano, e se tornou refém da padronização do seu activo íntimo, que é o acto de pensar, de conhecer e de entender... para inspirar acções.

Defende-se a violência para se criar uma paz impossível, condenam-se os fracos para mitigar a absolvição das próprias culpas, preza-se a hipocrisia para dar sentido a ideologias ortodoxas de supremacia, recorre-se à falsidade para se dar valor à livre expressão.

A liberdade ficou subjugada pelos interesses dos poderosos, a democracia violentada para a defesa dos mais fortes, os direitos humanos espezinhados pelos interesses económicos e, a justiça, restrita aos segmentos mais frágeis de colectivos, compartimentados em cada país, por obediência a outros.

O mundo necessita de coragem para romper com as barreiras dos interesses que, pretensamente globais, conduzem a actos de injustiça, com que nos deparamos ou testemunhamos directa ou indirectamente. Hoje, o colectivo das pessoas reage, numa similaridade confrangedora aos revolucionários da década dos sessenta, que devoravam as máximas e as vomitavam, incendiando os ares de um outro fenómeno global... da ignorância inocente de uma humanidade, ainda descalça e analfabeta, isolada e sub-desenvolvida.

Mas o indivíduo, como o colectivo de hoje, está intoxicado pelo avanço da ciência de que ficou escravo, e continua descalço porque os sapatos estão sempre a pedir reciclagem; e continua analfabeto, porque não percebe que já percebeu que os problemas são sistémicos e estruturais.

O indivíduo, como o colectivo de hoje, preenche cada momento do seu dia no consolo das novas tecnologias, que transpõem fronteiras, mas continua isolado, porque embora se comunique com outros à distância, as palavras já nem confortam as suas penúrias; e continua sub-desenvolvido, porque ou lhe pagam para não produzir ou não tem emprego e lhe negam oportunidades.

O indivíduo, como o colectivo de hoje, ficou reduzido ao automatismo do pensar e tornou-se adicto à droga do ‘marketing’, tornou-se escravo da especulação dos grandes capitais e ficou refém da subida e descida das bolsas de valores, que não são suas, porque as suas magras carteiras só acumulam cartões de dívidas.

Num retrato amalgamado de indivíduos... sem rosto, sem cor, sem origem, sem futuro... o colectivo de hoje encontra-se estilizado nos mais altos ideais da ditadura moderna... que faz vénia aos poderosos de dinheiro e influentes na política. Sob outro ângulo, já numa dispersão espacial, vemos indivíduos... com rosto, com cor, com origem e com futuro, de promessas de miséria... tornados números adoptivos de grandes Organizações, que se pagam bem, para perpetuar a ajuda a pobres de participação e a esfomeados da justiça social.

Numa referenciação a grandes e pequenos colectivos, onde uns são dadores de sangue, enquanto outros, dependentes desse sangue, eles todos se confundem em ideais que se transformam em campos de batalha, que geram desconfianças e alimentam incertezas, que exaltam ódios e motivam vinganças.

Houve já demasiados debates sobre a não proliferação de armas. As empresas de armamento arrecadam triliões de dólares de lucro, com as guerras que não perspectivam um final decisivo, em tempos menos próximos.

Milhões de seres humanos estão sob a ameaça de morrerem de fome. As ajudas humanitárias vão chegando para distribuir comida e tendas, sem uma perspectiva clara de água para a agricultura que não existe, e assim dar força à apregoada sustentabilidade... na pobreza de milhões e milhões de crianças, mulheres e homens.

No mínimo, retenho a liberdade de pensar em voz alta: os indivíduos no poder perderam o sentido humanista no tratamento dos problemas do colectivo. No mínimo também, não estou impedido de perceber que a decisão desses indivíduos ficou enjeitada

nos volumosos relatórios dos ‘so called’ proeminentes grupos, prestigiados por analisar os outros. E responsabilizar os outros. Somente os outros.

Só assim, indivíduos, no colectivo, já podem dizer: nós e eles! E, em situações imperfeitas, onde não há aceno a alternativas, a doutrina da chantagem: ou nós... ou eles!

Hoje em dia, onde o fanatismo se agudiza para marcar supostas diferenças... em nada mais que aberrações ideológicas, nesta aldeia global onde todos somos chamados cidadãos do mundo, as Universidades seriam a escola de referência de cidadania. Os jovens de hoje são a promessa do futuro. Um futuro necessariamente diferente, um futuro de maior humanismo e de maior justiça social, um futuro de maior respeito mútuo e de verdadeira paz... em todo o globo e para todos os seres humanos.

E esse futuro já deveria ter dado início... como reparação do presente!

Deste presente... onde a vida já não é mais que uma previsão devastadora do imprevisível da aliciante ciência política e financeira, onde a tecnologia de mercado faz o ‘merger’ da necessidade com a dependência.

Peço desculpas por a ‘oração’ não ter sido nem ‘breve’ e muito menos ‘elegante’, como seria da praxe.

Foi apenas um rascunho no ócio do tempo e do espaço, no singular de um indivíduo, que quer sua integração ao tempo e ao espaço do colectivo. Retomei, por força das circunstâncias, o melancólico e o rústico mas reconfortante canto das aves, do meu país, que invariavelmente anunciavam, todos os anos, a chegada da época das chuvas, mas precisamente dessas aves que desapareceram, por acção e obra do ‘climate change’ que, afinal, nós os timorenses não provocámos.

Agradeço à Faculdade de Letras e à Universidade de Coimbra esta honra e agradeço também a presença de todos e o carinho dos amigos.

Muito obrigado.

Kay Rala Xanana Gusmão

28 de Setembro de 2011

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Notícias relacionadas com a visita de Xanana Gusmão a Portugal

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Convite: homenagem a Kay Rala Xanana Gusmão

>> 20110926

 "No dia em que a Universidade de Coimbra atribui o Grau de Doutoramento Honoris Causa a Kay Rala Xanana Gusmão, o Salão Brazil abre as suas portas a este fantástico documentário. Diversas foram as vezes que nos associámos a eventos sobre Timor-Leste, desta vez fica esta sentida homenagem a Kay Rala Xanana Gusmão. Seja Bem-Vindo a Coimbra! (...)" (Leia o texto completo no blogue do Salão Brazil)


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Xanana Gusmão em Portugal

"O Primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, chega a Portugal esta segunda-feira, 26 de Setembro, para uma visita oficial de três dias.
No segundo dia de visita, Xanana Gusmão será recebido pela Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, seguindo de imediato para o Palácio de São Bento, onde está previsto um almoço de trabalho com seu homologo português, Pedro Passos Coelho e onde se encontrará com o Presidente da República de Portugal, Aníbal Cavaco e Silva.

Na qualidade de Ministro da Defesa e Segurança, Xanana Gusmão irá reunir com o Ministro da Defesa Nacional Português, José Aguiar Branco e com o Ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, onde serão analisados diversos acordos de cooperação nestas áreas, bem como nos sectores da Educação, das Finanças e das Infra-Estruturas.

No dia 28, Xanana Gusmão irá deslocar-se a Coimbra, onde irá receber o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade da cidade, onde também terá um encontro com estudantes timorenses

Durante a sua estadia em Lisboa, o Primeiro-ministro Xanana Gusmão terá encontros com a comunidade timorense residente em Portugal.

Fazem parte da delegação timorense, que será acompanhada pela embaixadora em Portugal, Natália Carrascalão, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Zacarias Albano da Costa, a ministra das Finanças, Emília Pires, o ministro da Educação, Câncio de Freitas, e o ministro das Infra- Estruturas, Pedro Lay."

(c) PNN Portuguese News Network | Jornal Digital

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Entrevista | Xanana Gusmão @ Rádio ONU

>> 20110924

"Após discursar na Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro do Timor-Leste, Xanana Gusmão, conversou com a Rádio ONU sobre os preparativos para o fim do mandato da missão no país, esperado para dezembro de 2012. 
Ele também falou sobre sua visita a Portugal, na próxima semana, e do treinamento de soldados timorenses para participarem em missões de paz da ONU. 
Acompanhe a conversa com Eleutério Guevane e Mônica Villela Grayley. " ( | )

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Encontro entre o Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e o Ministro da Educação de Timor Leste, João Câncio de Freitas

Cooperação com Timor-Leste na área do ensino 

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Ministério da Educação e Ciência
 
Comunicado
O Ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e o Ministro da Educação de Timor Leste, João Câncio de Freitas, estiveram hoje reunidos para discutir as linhas gerais de renovação de dois protocolos de cooperação na área do ensino.
O Protocolo para a Criação e Desenvolvimento das Escolas de Referência tem como objectivo a criação de estabelecimentos de ensino de excelência em Timor Leste, sob a gestão administrativa da Escola Portuguesa de Díli. Neste momento existem cinco escolas nas quais docentes portugueses estão a leccionar e nas quais em breve passarão a orientar o trabalho de colegas timorenses. Pretende-se alargar a existência destas escolas a todos os distritos e com isto promover a qualificação do sistema educativo do país. A partir de 2013 inicia-se um período de transição durante o qual a gestão das escolas de referência será partilhada entre os dois países, passando posteriormente a ser feita exclusivamente por Timor Leste.
O Protocolo de Assistência Técnica tem por objectivo apoiar a formação de recursos humanos timorenses através do envio de técnicos superiores portugueses nas diversas áreas – bibliotecas, desenvolvimento e inovação curricular, administração e gestão escolar e apoio à educação pré-escolar, entre outros. Tem-se por objectivo capacitar pessoal local para que o sistema de ensino do país cresça de forma estruturada e de modo a atender às necessidades da população.
Os protocolos serão assinados na próxima semana durante a visita do Primeiro-ministro Xanana Gusmão a Portugal. O calendário desta visita será oportunamente divulgado.

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